Capítulo 3

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Quando voltamos do banheiro, os piratas estão nos esperando na porta do restaurante. Cauã se despede e pega um táxi sozinho para encontrar o namorado. Bruno faz sinal para o que vinha atrás e entramos. Ele na frente, Diego, eu e Yara atrás. Não gosto de viajar no meio, mas sou a menor e não tenho muita escolha. O banco é apertado, de modo que a perna de Diego fica colada na minha e seu braço roça no meu a cada curva. O toque dele me arrepia, porém sigo ignorando toda tentativa de comunicação do meu corpo. Foco na conversa. O motorista é um aficionado por carnaval. Conta que adora trabalhar nessa época do ano, para ver a festa acontecendo.

- É claro que é um período meio turbulento... Muita gente fazendo besteira, uns clientes alterados... Mas eu gosto da energia do carnaval, sabe? Olha que lindos vocês. Dois casais bonitos, fantasias criativas, juventude exalando, uma magia que só... Dá gosto de ver.

Rimos e nos entreolhamos, mas não nos damos ao trabalho de explicar que não somos casais. Ninguém se atreveria a arruinar a felicidade do moço.

- Não falei que a gente tinha uma magia? – Diego provoca me dando uma leve cotovelada. Não consigo segurar o riso e levo uma mão ao rosto enquanto o encaro lembrando da péssima cantada que ele me passara no dia anterior. Eu definitivamente não podia ficar com ele de novo. Me pergunto mais uma vez internamente o que estou fazendo nesse táxi e por que deixei Yara me convencer. Eu podia simplesmente ter fugido daquela rua.

Chegamos em Ipanema e o bloco está começando, mas ainda parado na rua que beira a praia. Compramos bebidas e começamos a andar procurando por um lugar menos claustrofóbico. Quando enfim conseguimos parar, Yara me puxa para dançar o funk que eu ouvi pelo menos trinta vezes nos últimos dois dias. Dançamos e Diego se aproxima, também dançando. Eu troco de lado com Yara, fazendo parecer parte da coreografia. Ele tenta mais uma vez e eu finjo que não percebi. Sigo olhando para o outro lado até que ele pega minha mão e me chama para perto. Não consigo pensar em nada, então simplesmente vou.

- É impressão minha o você tá me evitando desde quando foi embora ontem? – Ele fala próximo ao meu ouvido, tentando se fazer audível em meio a tanto barulho.

Me finjo de desentendida usando os meses que fiz de teatro para fazer uma expressão de "de onde você tirou isso?". Aparentemente não funciona, porque ele continua.

- Você não gostou? Pode falar, fica sem graça não. Eu só quero saber. – Ele pergunta com um sorriso que chega a me irritar de tão bonito.

- Gostei. Claro que gostei. Foi... ótimo, aliás – Quando me dou conta já falei tudo isso em voz alta e não dentro da cabeça como pretendia. Mania torta de não focar no que estou fazendo...

- Foi o que eu pensei... – Ele diz mantendo o sorriso mas arqueia a sobrancelha olhando por cima do meu ombro. Viro para trás e encontro Yara aos beijos com Bruno. Ótimo. Volto a olhar para Diego, ele está rindo, mas volta para o assunto.

- Se você gostou e eu gostei, – ele afasta uma mecha de cabelo do meu rosto, da mesma forma que fez no dia anterior, - por que é que não quer repetir?

Respiro fundo e hesito antes de responder.

- Eu só não gosto de ficar com a mesma pessoa duas vezes...

Ele estreita os olhos, confuso, como todo mundo que tenta me ouvir sobre esse assunto.

- Temos aqui uma praticante do desapego? – Ele ri e eu hesito. Desapego nunca foi meu lema, mas depois dos últimos acontecimentos da minha vida, tem sido a única opção.

- Sabe o que é? Se você gosta, tem uma química boa, não vão ser só duas vezes. Porque é bom, entende? E aí a gente sempre quer mais. E mais implica em uma frequência que acaba transformando isso minimamente num relacionamento. E relacionamentos dão errado.

Enquanto o Carnaval DurarRead this story for FREE!