– Oi – Ele fala sorrindo enquanto eu ainda tento processar aquele corpo definido.

– Oi – Digo percebendo que seus olhos azuis combinam perfeitamente com o cabelo castanho bagunçado.

– Eu tava te olhando de longe e precisei vir aqui dizer que você tem um sorriso lindo.

Rio sem graça e agradeço o elogio inesperado. Ele sorri de volta e pergunta meu nome.

– Aline, e o seu?

– Diego.

Enquanto ele diz o nome, sua boca se contorce num sorriso que deveria ser considerado obsceno de tão bonito.

– Você também tem um sorriso lindo. – Não percebo que estou falando até que a frase esteja completa e ele arqueie uma sobrancelha. Eu levo uma mão à boca e desvio os olhos. Diego passa uma mão nos cabelos e solta uma risadinha antes de começar a falar.

– Sabe o que eu pensei agora?

Não respondo. Apenas o encaro e ele emenda:

– Se nós dois temos sorrisos bonitos, imagina a mágica que a gente não ia fazer se juntasse os dois.

– Mágica?

– Bom, eu sou o Magic Mike. E você não é uma fada? – Ele estreita um dos olhos e retorce a boca numa careta de dúvida extremamente sexy. Mas que não me impede de rir da cantada terrível que ele acaba de me passar.

– Sou – digo sem conseguir parar de rir – sou uma fada.

– Desculpa, essa foi horrível. – Ele também se rende à gargalhada.

– Foi.

Recuperamos o fôlego e nos encaramos ainda sorrindo. Uma mecha do meu cabelo se espalha pelo meu rosto e ele passa a mão colocando-a para trás. Minha pele esquenta quando ele me toca. A mão dele escorrega do cabelo para o meu queixo e eu dou um pequeno passo à frente deixando que ele se aproxime. Ele passa a mão para minha nuca e me puxa gentilmente. Me apoio em seu peito e, quando nossos lábios se tocam, ele entrelaça nossas mãos livres.

O beijo me deixa sem ar. Ele aperta minha cintura diminuindo cada vez mais a distância que já não existe entre nós. Deslizo a mão por seu braço definido e passo pelos músculos firmes do ombro. Ele tem um gosto doce, levemente amargado por cerveja. Eu arranho sua nuca e ele sorri enquanto morde meu lábio e entrelaça os dedos no meu cabelo. Eu poderia fazer aquilo por horas.

Afastamos nossos lábios mas continuamos abraçados. Respiramos juntos e fecho os olhos me deliciando com seu perfume amadeirado. Nos soltamos pouco a pouco entre mais um beijo e outro e, com as mãos entrelaçadas às minhas ele pergunta:

– Vocês estão sozinhas?

Encaro-o, confusa e ele aponta para Yara às minhas costas com a cabeça. Olho para trás e dou de cara com minha amiga, ainda sentada na calçada, boquiaberta, apoiando o queixo nos dedos e o cotovelo no joelho. Quando me viro ela desvia o olhar, rindo.

– Sim, somos só nós duas.

– Eu estou com um grupo de amigos – ele diz olhando para trás e eu enxergo, um pouco afastados, mais três Magic Mikes vestidos exatamente como ele. – A gente vai pra outro bloco daqui a pouco, em Copa. Posso apresentar alguém para a sua amiga se vocês vierem junto.

– Na real, a gente já estava indo embora – digo soltando uma mão dele. – Ela tá morta...

O sorriso dele vacila e sua outra mão se afrouxa da minha.

– Mas já?

– Pois é.

– Poxa... Que pena. – Ele morde o lábio e me observa enquanto eu ando até Yara, que já está de pé e protesta com os olhos. Dou um beliscão nela e ele chama meu nome.

– Será que posso ficar com o seu telefone?

Me demoro um segundo em seus olhos azuis enquanto minha mente processa que ele não quer meu aparelho celular, e sim o número.

– Claro! – Abro a bolsa e pego meu lápis de olho preto.

– Isso é maquiagem? - Ele retorce o rosto em mais uma careta super sexy e eu me apresso em pegar sua mão. Escrevo o número ali e guardo o lápis. – Vai sair daqui se eu fechar a mão, né?

– Provavelmente – Sorrio e ele tenciona a mão exageradamente aberta.

– A gente se vê por aí?

– São quatro dias de Carnaval... – Pisco e ele volta a sorrir.

---

– Eu ainda não tô acreditando que você dispensou aquele gato.

Yara repete pela milésima vez depois que pedimos um salgado numa lanchonete.

– Ai, sossega, Yara. Já tem mais de meia hora isso.

– E você até agora não me explicou por que não continuou com ele e nem me levou para conhecer os amigos igualmente gatos. E nem vem dizer que não gostou porque eu tava assistindo e, MEU DEUS, até eu fiquei sem fôlego, menina.

– Eu gostei dele – Digo interrompendo ela. Yara levanta as mãos incrédula e fala ainda mastigando.

–Então, por quê??? Senhor, por quêêê??

– Porque eu gostei dele – digo mais para mim mesma do que para ela.

–Eu não tô mais entendendo é nada. Se gostou por que a gente tá aqui e não lá? Por que gastou lápis de olho pra escrever o telefone de um jeito que ele ia perder?

–Porque eu gostei dele. Mas eu não quero me prender em ninguém nesse carnaval. Aliás, eu não quero me prender em ninguém tão cedo.

–Jesus! Ele não te pediu em casamento! Ele te chamou para ir a um bloco. Pra beijar na boca. – Yara termina a frase gritando e eu a chuto por baixo da mesa quando todo mundo na lanchonete olha em nossa direção. Ela geme e eu a repreendo com os olhos.

–Eu tô indo para um bloco, para beijar na boca.

Ela revira os olhos e terminamos de comer sem tocar mais no assunto pelo resto do dia. Terminamos o primeiro dia de carnaval completamente exaustas em Laranjeiras. Depois de mais alguns acréscimos ao placar, Yara ri de mim por não conseguir acompanhá-la nos números. Até beijo um ou outro no fim do dia, mas o melhor do sábado, com certeza, é o Magic Mike. Comentário que faço questão de não externar. É só o início desse carnaval...

#NOTA DA AUTORA: Curtiu o primeiro capítulo? Deixa tua estrelinha e comenta aí o que você achou do início de carnaval das meninas. O que será que vem pelo resto da festa? 

Já posso adiantar que amanhã tem mais bloco, glitter, diversão e algo que vai deixar Aline beeem surpresa! Não percam! 

Beijos, Bruna Paiva.

Enquanto o Carnaval DurarRead this story for FREE!