Capítulo 22 - Hellen

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Aquele foi definitivamente um dia cheio de surpresas! Ainda conseguia sentir a emoção de tê-lo encontrado ali, onde menos esperava. A vida me proporcionava momentos únicos a cada nova página! Quando julgava já conhecer todas as suas ramificações..."pum!", algo muito novo e interessante acontecia. Mas não me julguem mal, eu amo surpresas!

Cheguei em casa e corri logo para o quarto a fim de tirar aqueles saltos que já estavam me matando! Sentei na ponta da cama e comecei a descalçá-los. Meu celular tocou, era uma mensagem de um número desconhecido. Quem seria?

"Com quantos poemas é possível conquistar seu coração?"

Fiquei olhando para a tela do celular sem acreditar que alguém teria me enviado uma mensagem daquelas. Quer dizer, não era uma cantada grosseira, mas era bem água com açúcar. Além disso, não conhecia o número, e isso me deixava um pouco revoltada. Quem era esse fulano para me mandar uma mensagem tão tarde sem sequer se identificar? Pois bem, eu faria questão de ignorar, não responderia nem um "a".

Bloqueei a tela e me levantei, seguindo o árduo trabalho de voltar a ser a cinderela antes da fada madrinha aparecer. Tomei banho, escovei os dentes, fiz a minha oração e me aconcheguei na cama, já desligando a luz do quarto. "Ninguém vai tirar o meu sono essa noite, nem mesmo o "engraçadinho" que ousou aparecer", pensei.

Na manhã seguinte, contudo, a mensagem ainda não havia saído da minha mente. Não sei o motivo, mas também não quis me desfazer dela. A curiosidade começava a remoer. Comentei o ocorrido com Lídia, que também ficou pensativa.

— Amiga, você não acha que foi o Marcos?

Minha primeira reação foi negar. "Mas é claro que não, eu saberia, tenho o número dele no meu celular! E porque ele trocaria de número assim, sem mais nem menos? E se trocou, porque enviar sem identificação? Acho até um pouco infantil."

Mas aos poucos as coisas começaram a se encaixar. Meu número era algo muito privado, nem todos o possuíam, apenas alguns amigos próximos, o que incluía o Marcos. Seria mesmo ele o autor daquela mensagem? Foi pensando nisso que me organizei para ir a uma feira de artesanato que aconteceria no centro da cidade. Chamei alguns amigos e fomos passar uma tarde descontraída. Não pensei sequer em chamar o Marcos. Precisava de um tempo para mim, e era isso que eu teria!

Visitei as várias bancas instaladas na grande praça do centro, observando os detalhes belos e extraordinariamente delicados das peças expostas. Era um trabalho demorado e que exigia toda a atenção do profissional, mas o resultado era de tirar o fôlego. Era exatamente como o trabalhar de Deus! Aos nossos olhos parece ser lento, demorado e frustrante, mas só Ele sabe o resultado final, como será belo e reconhecido! Somos seres humanos limitados, como entenderemos o agir de Deus? Ele não mede esforços para concluir a Sua obra de arte que colocará em evidência o Seu poder, e engrandecerá o Seu nome. E "de quebra", ainda nos surpreenderá de forma linda e inquestionável!

Me peguei distraída, pensando nessa comparação. Cito novamente Sharon Jaynes quando me recordo de uma de suas expressões no livro Surpreendida pela Glória. Em nossos momentos do dia-a-dia, na correria da vida, nem sempre damos atenção a detalhes deixados por nosso Criador para nos alegrar. Contudo, quando nos tornamos sensíveis ao Seu falar em todas as circunstâncias e situações do nosso dia, vemos como Ele fala tão claramente aos nossos corações! O simples pode se tornar extraordinário quando o enxergamos sob ótica divina.

Sorri comigo mesma, e olhei brevemente para o céu, as nuvens cheias e branquinhas passeando pelo céu azul. Agradeci a Deus por mais aquele momento de glória repentina com que Ele me presenteara.

Andando a esmo e de forma desatenta, esbarrei com algo sólido. "Meu Senhor, será que derrubei alguma coisa?", pensei assombrada. Porém, quando ergui os olhos, me surpreendi com quem estava à minha frente. Lá estava a irmã Ângela, carregada com algumas sacolas, provavelmente cheias de muitos enfeites feitos à mão, detalhes que seriam espalhados pela casa que eu já conhecia. Desfiz-me em desculpas, meu rosto transparecendo toda a vergonha que estava sentindo naquele momento.

Liberdade - Uma história de amor e féLeia esta história GRATUITAMENTE!