Presentes falhos, vontades descabidas, Noora e pub.

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— Você ainda não me entregou o meu presente, Vincent

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— Você ainda não me entregou o meu presente, Vincent. — a voz de Florence quebra o silêncio em que nos encontrávamos. — O que está tentando fazer? Me matar de ansiedade?

Eu poderia sim matá-la, mas nunca no sentido literal. Poderia matá-la de beijos e abraços, de carinho e de tanto gargalhar. Poderia matá-la de saudade, de felicidade, mas nunca de tristeza ou eterna solidão.
Se fosse para morrer, que Florence morresse em meus braços, e nos de ninguém mais.

— Espere. — a empurro para o lado, levantando-me de minha cama e seguindo para a minha estante.

Procuro pelo embrulho laranja pastel com os olhos, mas não o encontro por ali. Onde foi que eu deixei o maldito presente?

— Feche os olhos, Florence. — peço.

— Você deveria tentar a gaveta das suas roupas íntimas. — ela diz e quando a encaro, percebo que sorri.

Seus olhos estão fechados, sua expressão é tranquila. Os cílios de boneca descansam, sua pele de porcelana clama pelo meu toque gentil, e seus lábios, entreabertos, nunca me pareceram tão avermelhados.

— Você mexeu na minha gaveta? — ela estala a língua no céu da boca. — Eu não acredito que você bisbilhotou, Flores.

— Eu não bisbilhotei. — ela abre um espacinho entre os dedos e me encara. — Apenas dei uma olhadinha.

Caminho até o meu guarda-roupa, abro a gaveta e lá está o embrulho pequeno que eu havia guardado por dias. O pego, e cautelosamente, caminho até Florence.
Ela ainda estava sentada sobre a cama, com as pernas cruzadas e as mãos protegendo os olhos.

Linda!

Posso abrir os olhos agora?

— Não! — pestanejo. — Ainda não.

Levo o polegar até a boca e, roendo um pedacinho da unha, grunho em frustração. Ela poderia ficar daquele jeito para sempre, sentada em minha cama, quietinha, sendo mais minha do que de todo mundo.

A parte ruim é que eu nunca vou dizer nada disso à ela. Nunca.

Muitos dizem compreender o amor, mas poucos realmente o fazem. Não é um sentimento unicamente bonito, que traz consigo apenas coisas boas. É doloroso, excitante, delicioso, assustador... eu já disse doloroso?
Pois é, quando não se é retribuído, a dor quadriplica.

— Deixe de ser tantã, Vince! — ela abre os olhos e estende as mãos. — Me dê logo o meu presente, ou eu vou pega-lo.

Homeboy - amigavelmente amigável (livro 1).Where stories live. Discover now