Capítulo 6 - Dançando com você.

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Ele estava tirando fotos e dando autógrafos. Passou pelos fãs e seguiu andando, até que ele me viu.
E eu gelei. Fiquei sem reação. Imaginei que ele fosse me ignorar ou apenas dar um meio sorriso. Porém...
Ele veio andando em minha direção, sorrindo.
Parou na minha frente, pegou minha mão e a beijou.
E eu fiquei sem ar.
—Você está linda.
—Certo... — por que raios eu disse isso?
Ele sorriu.
Eu só posso estar sonhando. Com certeza é isso.
Porém eu sabia que não era um sonho.
Passei a mão no meu vestido e olhei para ele.
Ele pegou o copo  que eu estava segurando e colocou em cima da mesa.
Olhou nos meus olhos e disse:
—Fique aqui.
E foi até o outro lado da festa.
Eu sorri para mim mesma. Eu estava pensando em várias coisas ao mesmo tempo, mas eu realmente não ligava.
Até que imaginei Flávia, na minha frente, me dizendo:
"Você só pode estar brincando. Por que ele iria magicamente resolver ser romântico com você?"
Mas eu não tive muito tempo para focar nesse pensamento.
Uma música começou a tocar. E eu perdi completamente meus sentidos.
Era Every Breath You Take - The Police.
E eu vi Raphael vindo em minha direção.
Parou na minha frente, estendeu a mão e disse:
—Dança comigo?
Peguei a mão dele e ele me puxou para o outro lado do salão.
Colocou a mão na minha cintura. E eu estava pegando fogo.
Era como se nada mais importasse. Apenas nós dois existiamos no mundo.

"Oh, can't you see?

You belong to me

How my poor heart aches

With every step you take..."

Dançamos sincronizados.
Meu coração estava domado.
E eu havia me entregado.
Ele levou sua mão até meu pescoço e eu fechei os olhos.

"Every move you make

Every vow you break

Every smile you fake

Every claim you stake

i'll be watching you..."

Senti todas as sensações do mundo na minha pele. 
E a vida parecia sorrir para mim.
Dançamos abraçados até que música acabou e eu abri meus olhos. Raphael estava com as sobrancelhas arqueadas
—Você é bem imprevisível né? — perguntei.
— Eu só precisava de um empurrãozinho, e ver você hoje, tão linda assim, foi o motivo que eu precisava.
Eu sorri e abracei Raphael.
Eu não queria pensar em nada, apenas deixar rolar.
Fomos até o canto do salão novamente, para podermos conversar.
— Eu não lembro o seu nome....
— Annabel — respondi meio chateada por ele nem sequer lembrar do meu nome.
Foi então que eu percebi que eu estava completamente confusa.
Quem era Raphael de verdade? Por que ele antes agia indiferente comigo e agora estava tão carinhoso?
— Seu nome é bonito — ele falou, me tirando dos meus pensamentos.
Sorri e assenti.
— Olha só, Annabel, eu vou pegar uma bebida para a gente. Fica aqui — ele falou enquanto se afastava.
Eu concordei e fui seguindo ele com meu olhar. Ele parecia muito diferente, quer dizer, não que eu conhecesse ele nem nada do tipo, mas acho que fantasiei alguém em minha mente que sequer existia, e agora de alguma forma queria que ele fosse real.
Mas não acho que esse pequeno conflito de real identidade tenha interferido nos meus sentimentos que ainda estavam aflorando, pois, quando eu vi que aquilo estava acontecendo, eu senti tristeza.
Não gostei nem um pouco de ver Raphael conversado bem de perto com sua ex-namorada.
Mas eu não podia fazer nada, nós não tínhamos nada. Vai ver ele só estava sendo gentil comigo e, como eu sou toda sonhadora me iludi.
Apenas tentei esconder a decepção que eu estava sentindo.
Me enfiei no meio da multidão para procurar pelo Rodrigo ou Flávia.
Eu estava me sentindo sufocada naquela festa, precisava de ar.
Catei a porta de saída. Quando achei fui correndo em direção a ela.
Sai do tumulto e respirei o ar fresco.
Fiquei na rua uns minutos, até que comecei a sentir pingos de água em mim, havia começado a chover, me virei para voltar para dentro da festa, mas parei assim que vi duas pessoas se beijando bem do lado do poste de luz.
Reconheci aquele vestido amarelo na hora.
Pelo menos alguém estava curtindo a festa.
Acho que fiquei encarando, pois a Flávia começou a acenar para mim.
Ela se aproximou com o Rodrigo e me perguntou se estava tudo bem.
— Está, sim... eu só precisava de um ar fresco.
— Não é isso que parece, mas tudo bem, depois você me conta o que aconteceu.

Quando comecei a sentir frio, desejei apenas ir para casa e ficar lá vendo algum seriado.
Olhei no meu celular e vi que já passava das duas da manhã.
Mandei uma mensagem para a Flávia.
"Estou querendo ir embora, vc vai agr ou depois o Rodrigo te deixa lá?"
Logo veio a resposta.
"Pode ir. Acho que vou para casa dele..."
"Ok"
Peguei minha bolsa, guardei meu celular e caminhei para a porta.
A noite não foi completamente ruim...
Logo depois que Raphael e eu dançamos, o evento começou de verdade.
Uma mulher subiu em um palco e começou a chamar nomes.
E todos eles eu conhecia, e a maioria eu até seguia nas redes sociais.
Raphael era um deles, ele agradeceu todo mundo e respondeu perguntas dos "fãs" que estavam ali, apesar de eu não gostar de chamar os seguidores de "fãs".
Não posso dizer que eu não havia pensado no Raphael em nenhum momento daquela noite, na verdade eu não parava de pensar nele.
Eu estava quase chegando no meu carro quando eu o vi parado na calçada.
E ele me viu.
Deu um meio sorriso.
E eu tentei não manter contato visual.
—Desculpe....
—O quê?
Olhei para Raphael, ele parecia triste.
—Não sei o que aconteceu lá dentro, eu...
O que ele queria dizer com isso? "Annabel, dancei com você apenas para fazer ciúme na minha ex-namorada, (que agora deve ser só "namorada" de novo)".
—Eu procurarei por você, onde você foi?
—Eu...vim pegar um ar...
Assenti e disse que ele não precisava se preocupar, que eu estava bem.
Falei que iria para casa e comecei a andar até meu carro.
Antes que eu entrasse nele, Raphael disse alto para eu ouvir.
—Eu te vejo lá.
E de certa forma achei engraçado.

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