A Torre

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          — Sombra! Como assim as gêmeas foram capturadas!?

          — Elas acompanharam o alvo para dentro da torre, mas assim que passaram pela porta, caíram no chão, se contorcendo de dor.

          — Um sistema de defesa automático...

          A voz de Carina fez com que eu voltasse minha atenção para ela. Sua expressão ainda estava incrédula, como se não conseguisse aceitar os acontecimentos das últimas horas.

          — Se a rede de monitoramento tiver uma função de conexão telepática, ela pode ser usada para atordoar alguém que se conecte a ela sem autorização do servidor. Não pode causar dano físico, mas é como se um barulho ensurdecedor fosse enviado diretamente à sua mente.

          — Isso é fatal?

          — Não, mas dependendo da intensidade, pode causar desmaios.

          Então ele também planejava pegar as gêmeas como cobaias. Merda. Eu não deveria ter deixado elas para trás. Eu devia ter esperado elas saírem da sala antes de sair correndo.

          — Existe alguma forma de neutralizar essa defesa? Alguma forma para que Sombra e eu possamos entrar na torre?

          Segurei Carina pelos ombros enquanto perguntava. O desespero em minha voz era claro: nós não tínhamos muito tempo para agir. Alanis, Brennus, Cavala, Coque... Todos eles já poderiam estar mortos naquele exato momento.

          Demorou alguns instantes antes de Carina responder, seus olhos ainda vidrados, encarando os meus. Foi só após ela sacudir a cabeça que pareceu se focar novamente.

          — Eu não posso fazer nada daqui, mas uma análise de campo pode mostrar uma brecha nas defesas do sistema.

          Isso era tudo que eu precisava. Soltando ela, me virei para Sombra.

          — Quanto tempo faz desde que elas foram capturadas?

          — Não mais do que alguns instantes. Acredito que tenhamos tempo.

          Ótimo, então era capaz de conseguirmos se nos apressarmos. A questão agora era como invadir a torre sem chamar atenção. Felizmente, Carina já estava um passo a frente nesse departamento.

          Com alguns movimentos de suas mãos, ela fez com que a bola de luz que segurava desaparecesse, e logo depois todas as demais próximas do teto tiveram o mesmo destino.

          — O sistema de monitoramento da escola está desativado. Sem ter de sustentar ele, será mais fácil me concentrar em passar pelas defesas do diretor. Estimo que tenhamos três horas antes que alguém perceba.

          — Três horas? Isso não é tempo demais?

          — É quanto tempo falta para minha próxima refeição.

          Então ela realmente era a única cuidando do sistema, e ninguém perceberia a falta dele se não viessem até o quarto. A escola devia confiar mesmo nas habilidades daquela menina.

          Mas teríamos tempo para pensar nisso depois. Naquele momento, nós três tínhamos que alcançar a torre do diretor o mais rápido possível sem sermos vistos. Sombra havia deixado seu corpo no quarto de Carina e estava agindo como nosso batedor, indicando quais corredores estavam vazios.

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