Conselheiro

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          Dizer que eu havia ficado surpreso não seria o suficiente para explicar o que estava sentido quando o estranho se apresentou. Ele parecia saber o motivo pelo qual eu estava na escola, além de meu come completo, coisa que nem todos os membros da guilda deveriam saber ainda.

          Embora ele tivesse dito aquilo para tentar me acalmar, só fez com que eu ficasse ainda mais em guarda. Mesmo que fosse verdade, e ele fosse mesmo o conselheiro real de Espanza, por que ele teria contratado a guilda para matar o diretor da escola que ele estava pessoalmente apoiando?

          O homem que dizia ser Adalberto percebeu que sua afirmação só havia servido para me deixar mais alerta e respondeu com um sorriso.

          — Vejo que Dragão o treinou bem, ou talvez tenha sido a experiência adquirida após viver como um Amaldiçoado por algum tempo. Por que não conversamos? Tenho certeza que você se sentirá mais tranquilo após eu explicar a situação.

          Ele parecia sincero, mas até aí ele poderia só estar esperando uma confissão para me tacar em alguma masmorra. Talvez ele fosse algum agente do Divino me procurando. Não acreditava que eles haviam realmente perdido meu rastro. Porém, mesmo assim, se eu quisesse saber o que estava acontecendo, precisava de algumas respostas. Poderia pensar em um jeito de sair daqui com as gêmeas depois.

          Respirando fundo, desarmei minha guarda um pouco, indicando que estava disposto a escutá-lo. Adalberto pareceu satisfeito, sentando-se novamente antes de começar a falar.

          — Como deve ter escutado, esta escola é a pioneira em Espanza nos estudos de magia aplicada a combate. Eles não estão em um nível capaz de competir com Escolhidos ou Amaldiçoados ainda, mas avanços têm sido feitos em uma velocidade constante.

          Ele falava de uma maneira direta, porém ainda detalhada. Devia estar acostumado com esse tipo de situação. Talvez fosse mesmo o conselheiro real, no fim das contas.

          — No começo, eu estava ajudando o diretor da escola pessoalmente com o planejamento das aulas. Mas temo que nossos métodos tenham se distanciado recentemente.

          — Você quer dizer que ele não está mais seguindo suas sugestões.

          — Ele não alterou nosso planejamento, mas alguns acontecimentos fizeram com que eu me preocupasse com a segurança dos alunos.

          — Que tipo de acontecimento?

          — Nos últimos meses, alguns alunos têm desaparecido enquanto visitavam suas famílias. Alguns foram sequestrados enquanto viajavam, outros tiveram suas casas invadidas e foram levados por mercenários.

          — E você acredita que o diretor esteja envolvido?

          — Não era meu desejo ter tais suspeitas, mas temo que as provas que coletei digam o contrário.

          — Provas?

          — Você deve ter notado a diferença entre a arquitetura do resto da escola e da grande torre atrás dela. Na verdade, aquela torre já estava aqui muito antes desta escola, e até mesmo toda Espanza, existirem. Vários estudiosos tentaram desvendar seus segredos, mas a única coisa que conseguiram descobrir é que ela é um grande foco de energia. Embora não saibamos que tipo de energia é essa.

          — Você quer dizer que não é magia?

          — Não, e também não é nenhum poder relacionado aos Anciões ou ao Miasma. Eu mesmo já tentei realizar alguns testes nela, mas os resultados finais foram inconclusivos.

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