Entrando

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          Até onde eu saiba, nem mesmo o condutor da carruagem que nos levou para a escola sabia do que estava acontecendo. Para todos os efeitos, as Gêmeas agora eram novas alunas vindas de Célbia, e eu, um guarda-costas de origem alábica. A única pessoa além de nós que saberia de alguma coisa na escola era Sombra e ele não entraria em contato conosco até que fosse necessário. A partir de agora, nós estávamos sozinhos.

          — Francamente, como você consegue fazer qualquer coisa com isso na sua pele, Brayan? — reclamou Cavala, olhando com desgosto para o selo deixado por Dragão em seu pulso.

          — Você se acostuma com o tempo — respondi, tentando não chamar a atenção do condutor.

          — Como alguém consegue se acostumar com uma droga dessas?

          Eu nunca havia parado para pensar como era estranho não poder absorver Miasma. As Gêmeas provavelmente absorviam Miasma conforme respiravam. Ser incapaz de poder fazer isso de uma hora para outra deveria ser uma sensação estranha.

          — É surpreendente que o Senhor Brayan tenha ficado tão forte usando apenas esse tanto de Miasma — disse Coque, usando um tom de voz um pouco próximo de admiração.

          Eu não me classificaria como forte, principalmente nesta guilda. Se fosse para dizer algo, era que as Gêmeas eram exageradas na hora de usar seus poderes. Mas mesmo assim, Dragão havia me dito que eu tinha que me acostumar com o Miasma antes de começar a absorvê-lo. Mas isso já havia sido algum tempo atrás, eu esperava que já estivesse acostumado o suficiente para poder tirar o selo àquela altura.

          Pensar nisso fez com que me lembrasse de quando ele havia colocado o selo em mim e minha mão acabou se movendo para o bolso, na parte de dentro da minha camisa. Nele estava o pingente que ganhei ao entrar na Escola do Divino. Após eu ter matado Veraprata, o fio prateado havia se espalhado, fazendo com que ela parecesse trincada em toda a sua extensão. Curiosamente, ele não havia mudado de aparência após o tempo que fui torturado. Eu esperava que pelo menos alguns riscos sumissem, mas parecia até que eles tinham aumentado.

          — De qualquer forma, o que nós temos que fazer pra eles acreditarem na gente?

          As habilidades de Cavala para uma missão disfarçada eram tão boas quanto eu havia esperado. Seria surpreendente se nós não fossemos descobertos antes mesmo de chegar à escola.

          — Apenas façam o que costumam fazer e o resto deve dar certo. O diretor quer aumentar o número de magos de combate, daí vocês vão ser como um presente para ele.

          — Não me agrada a ideia de ser presente pra algum velho.

          — Como você pode ter certeza que ele é um velho?

          — Todos sabem que os diretores de escola de magos são velhos. Pelo menos eu nunca encontrei um que não fosse.

          Eu esperava que isso significasse que Cavala já havia lidado com o diretor de uma escola de magia antes. Isso pelo menos seria algum consolo, considerando que minhas esperanças dependiam dela ser esperta o suficiente para deixar Coque cuidar das partes referentes a conversas.

          Mas a conversa teria que ficar por ali. Com um leve tranco, a carruagem parou e, do lado de fora, era possível ver a escola. Não era nem de perto tão grande quanto a Escola do Divino, mas ainda possuía uma aura de imponência ao seu redor. A construção era formada por três prédios, cada um com pelo menos sete andares de altura. Não era difícil imaginar que um era dedicado a abrigar os alunos, o segundo para as aulas e o terceiro para os funcionários, mas construir cada um deles deve ter levado anos.

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