Capítulo 3 - O garoto da sacada.

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Acordei com o celular tocando.
"Alô"
"O que aconteceu?"
"Hum?"
"O que aconteceu, Annabel? Você pediu que eu ligasse... falou que tem novidades"
"Ah,sim. Pode vir aqui sexta?"
"O que? Essa sexta?"
Levantei da cama e fui para o banheiro.
"A Estela vai vir aqui esse fim de semana, queria que você viesse também"
"Eu vou ver se posso ir. Eu te aviso. Qual é a novidade?"
"Acho que vai ter que vir aqui para descobrir"
Sorri e me despedi. Conheço Flávia desde a sétima série.
O resto da semana foi igual. Faculdade, trabalho, garota do Raphael...
Quando eu estava voltando para casa, recebi uma mensagem de Estela.
"Chegamoooossss, onde você está????"
Eu estava chegando no meu prédio quando vi minhas duas amigas na portaria.
—Onde você estava? —Estela me perguntou quando estacionei o carro na garagem.
—Dinheiro não cai do céu.
Estela e Flávia vieram me abraçar.
Subimos para meu apartamento.
—Qual era a novidade, Annabel?
—Que novidade? — Estela perguntou para nós duas.
Sentei no sofá.
—Acho que me apaixonei. Ou algo do tipo —falei rápido olhando para elas.
Minhas amigas ficaram me olhando com as sobrancelhas arqueadas.
—Mas ele tem namorada — soltei com um suspiro.
Flávia se sentou do meu lado.
—Bola para frente.Você não vai se meter no namoro deles, né?
—Claro que n... — antes que eu terminasse a frase, Estela puxou um banco e se sentou na minha frente.
—Me conte T-U-D-O.
Respirei fundo.
—Eu estou... gostando... de Raphael Lanchini —falei no meio de suspiros, com os olhos fechados. Logo os abri.
E elas começaram a rir.
—Bem... por ele acho que eu também sou apaixonada — Estela falou rindo.
—Ele é bem bonito, não vou mentir, sempre curto todas fotos dele — Flávia sorriu.
—Era essa a novidade? Você está "apaixonada" pelo Raphael Lanchini?
—Posso saber qual é a graça, queridas? — falei franzindo a testa.
—É como se apaixonar pelo Justin Bieber. Existem milhares de pessoas afim dele —Flávia falou.
—Ei, não falaremos de Justin aqui? Certo? —Argumentou Estela, para Flávia, que levantou as mãos.
—Eu não estou brincando — falei.
—É só que, imaginamos que fosse algo sério, amiga — Estela deu um meio sorriso para mim.
—Mas é algo sério.
—Acontece que todo mundo tem um paixão platônica por um famoso na vida... mas isso acontece quando temos doze anos...e não dezoito.
Levantei e abri a cortina da sacada.
—Não é uma paixão platônica — falei, de costas para minhas amigas.
—Tudo bem... Bel.
Olhei para elas.
—Por que não acreditam em mim? — eu estava me divertindo com aquilo, me segurei para não rir.
—Amiga... acreditamos em você... — Estela falou.
—Mas ele é famoso, né... —Flávia falou um pouco baixo
—Por isso eu não poderia conhecer ele? Nem me apaixonar?
Elas ficaram caladas.
Comecei a rir. E elas se olharam.
—Venham aqui.
Estela e Flávia se levantaram e vieram até a sacada, onde eu estava parada, rindo.
Apontei para o apartamento do Raphael.
Estela me olhou com as sobrancelhas arqueadas.
—Lá — falei, apontando.
—Ai meu Deus...não me diga que... — Flavia arregalou os olhos.
—Sim.
—Ele mora mesmo ali? — Estela parecia cética.
—Veja com seus próprios olhos — falei sorrido, como se Raphael fosse algum fato sobrenatural.
Peguei cadeira para nós três.
Fiz café para Estela e Flávia.
Conversamos sobre diversos assuntos, até que Raphael abriu as cortinas e foi para a sacada mexendo no celular.
Nós três ficamos em silêncio.
—Não acredito — Estela sussurrou.
—Eu quero tirar uma foto com ele — disse Flávia.
Raphael então nos encarou.
Olhei para a xícara que eu estava segurando e percebi que havia ficado vermelha, e percebi também que tudo o que eu havia dito para Estela e Flávia era idiota.
Quando levantei novamente o olhar para a sacada do Raphael, ele já não estava mais lá.
Levantei da cadeira e fui para a cozinha, lavei minha xícara e quando voltei para a sala Estela veio em minha direção.
—O que foi? Por que está triste?
—Não estou triste, Estela.
—Vocês são vizinhos.
—Ele não é uma escultura exposta em um museu — falei.
—Mas é uma obra de arte —Estela falou rindo.
Flávia fechou as cortinas e se juntou a Estela e eu.
—Tudo bem, acho que devemos desculpas para Annabel — Flavia falou para Estela. Flávia é a unica pessoa que me chama pelo meu nome mesmo: Annabel.
Estela me olhou irônica
—Desculpe, querida.
Estela as vezes me irritava.
—Melhor irmos dormir — falei.
Nós três fomos para meu quarto.
Dormi com Flávia na minha cama e Estela em um colchão no chão, como nós faziamos quando tinhamos catorze anos.

Acordei com o braço de Flávia em cima de mim.
—Fláh... — chamei minha amiga.
—Hum? — ela resmungou.
Olhei para o colchão no chão. Estela já havia acordado.
—Estela já levantou, que horas são?
Flavia olhou para mim e depois pegou seu celular.
—Uma da tarde... — ela falou para mim.
—Nossa.
Levantei e procurei Estela.
—Ela não está aqui — Flavia disse da cozinha.
Tomei banho e mandei uma mensagem para Estela.
"Onde vc tá?"
Logo Estela respondeu.
"Aqui embaixo, na recepção"
Desci com Flávia para procurar por Estela.
Até que eu vi uma coisa.
—Certo... — disse Flávia do meu lado.
Estela estava conversando com Raphael.
Me aproximei deles.
—Oi — eu disse para os dois, olhando para Estela.
—Bel, esse é Rafa, Rafa essa é a Bel.
O que ela estava fazendo? Rafa? De onde saiu toda aquela intimidade?
Sorri para Raphael.
Flávia surgiu do meu lado e cumprimentou Raphael.
—Procuramos por você, Estela — Flávia disse se voltando para minha amiga.
Percebi que eu estava olhando para a parede, então levantei os olhos que, sem eu conseguir controlar, olharam para Raphael, que, para minha completa surpresa, também estava olhando para mim.
Voltei para a realidade quando Flávia puxou Estela pelo braço.
—Vamos Estela, estou com fome — e piscou para mim, se afastando com Estela e deixando eu e Raphael sozinhos.
Então o silêncio tomou conta de nós.
—Você mora aqui né? — ele perguntou.
—Sim — respondi sorrindo.
Então ele havia me notado.
—Você também mora aqui — eu disse, afirmando.
Por que eu disse isso?
—Sim— ele respondeu.
—Ah, tá — eu disse, com raiva de mim mesma por não conseguir dizer algo inteligente.
—Gosto muito dos seus vídeos — falei.
Agora ele sabia que eu o conhecia.

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