Capítulo 2 - Conto de Fadas.

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Acordei com o interfone tocando. Saltei da cama.
—Sim?
Eram os homens que instalariam a internet. Fui abrir o portão para eles, então me dei conta de que eu estava de pijama.
Esperei que eles instalassem a internet e fui ao banheiro. Tomei banho e mandei mensagem para meus pais avisando que estava tudo bem. Almocei pizza de novo. Sentei no sofá e passei a tarde escrevendo. Estavamos no meio de janeiro, dali alguns dias eu iria voltar a trabalhar e a ir para faculdade.
Nessa tarde, falei com uma editora que queria publicar meu livro. Fiquei radiante, meu primeiro livro iria ser publicado. Tudo estava começando bem... eu acho.
Mas eu ainda estava sendo corroída pelo tédio. Não havia ninguém que eu conhecesse em São Paulo.
Chegou novamente a noite, dessa vez estava menos abafado. Quando deu uma da manhã, peguei um livro e fui para a sacada . Sentei em uma cadeira e comecei a ler.
Logo todas as luzes dos apartamentos vizinhos começaram a se apagar, menos a do prédio ao lado, a mesma da noite anterior. Dessa vez a cortina estava aberta. Fiquei olhando a sala daquele apartamento. Até que um garoto apareceu. Voltei o olhar para meu livro, respirei fundo e olhei o menino novamente. O garoto estava mexendo no celular apoiado na sacada.
Alguma coisa parecia errada, eu conhecia ele de algum lugar...
Até que eu percebi que eu conhecia ele da internet, na verdade eu o conhecia muito bem, afinal eu seguia ele em todas as redes sociais. Senti meu rosto ficar quente, mas dei um sorriso. Abaixei o livro e olhei para ele. Raphael, seu nome, Raphael Lanchini.
E ele olhou para mim.
E nossos olhares se encontraram.
E meu sorriso desapareceu. Me senti hipnotizada.
Ele sorriu. Eu sorri.
Então ele deu meia volta e voltou para a sala.
Peguei rápido meu celular, fui na minha rede social favorita e digitei o nome dele.
Ele havia postado uma foto naquele mesmo dia. Olhei os comentários e logo voltei a atenção para meu livro.
Fui dormir por volta das três da manhã, pensando no Raphael, que agora era meu vizinho.

A semana se seguiu com muito tédio. E eu não havia mais visto Raphael na sacada. Agora havia acabado as férias. Pelo menos eu teria alguma coisa para fazer.
Acordei com o despertador tocando. Levantei e tomei banho. Sai para ir para a faculdade.
Tive algumas aulas interessantes, e era minha primeira vez na faculdade de São Paulo, então até que a manhã foi bem legal.
Depois fui para a livraria trabalhar.
Voltei para o apartamento no final da tarde.
Dessa vez eu fiz comida para a janta.
Escrevi um pouco, falei com editoras e depois fui para a sacada ler um livro.
Eu não podia mais ficar acordada até tarde. Então quando deu meia noite eu estava me preparando para ir dormir. Até que eu vi a cortina do apartamento de Raphael sendo aberta.
Fui para a sacada com meu celular. Ele apareceu na sacada dele. Eu olhei para ele. Ele olhou para mim. A gente sorriu. Dessa vez, porém, ele não voltou para a sala. E ficamos ali, nos olhando. A sacada dele era longe o suficiente para conversarmos, mas perto o suficiente para eu ver os olhos dele. Eu sabia que eram verdes um pouco azulados, pelas fotos nas redes sociais.
Porém o nosso conto de fadas não durou muito. Ele abanou para mim e se virou de volta para a sua sala. E eu fiquei ali. Olhando até ele sumir de vista.
Fui deitar sem entender o motivo pelo qual eu não conseguia tirar os olhos dele. Afinal eu mal o conhecia.
Então tive uma ideia. Peguei meu notebook e entrei na internet para ver vídeos dele.
E então eu confirmei que eu gostava do que eu via.
Dormi pensando nele, porém eu sabia que ele não estava fazendo o mesmo, e isso me deixou idiotamente triste.
No dia seguinte a rotina foi a mesma. Quando voltei para casa, chequei meus e-mails e vi que uma editora havia me mandado um. Fiquei sem reação no inicio. Mas então um sorriso tomou conta do meu rosto. Eles queriam que eu trabalhasse na editora. Confirmei na hora.
Meu celular tocou.
Era minha amiga, Estela.
"Bel! Que saudade que eu estava de você!"
"Eu também estou, a vida aqui sozinha é bem monótona."
"Quando eu posso ir ai visitar você?"
"Qualquer dia, esse fim de semana eu to livre."
"Ótimo. Sexta-feira eu chego aí."
"Vou aguardar ansiosa."
E Estela desligou. Pelo menos agora eu teria companhia. Desliguei o computador e fui até a cozinha, peguei um pedaço de bolo e me dirigi até a sacada.
Olhei para o apartamento do Raphael. Estava com as luzes ligadas, como sempre. Fique ali uns minutos, até eu ver alguém aproximando-se da sacada. Mas dessa vez não era Raphael; era uma menina, um pouco baixa e com cabelo comprido. Poderia ser irmã dele.
Porém logo a realidade apareceu. Eu também conhecia a garota, era Sabrina, namorada dele.
Gelei. Minha barriga deu um grunhido. E fui tomada por um ciúme que obviamente não deveria existir, afinal ele nem sequer havia prestado atenção em mim.
A garota olhou para mim e deu um sorriso tímido. Sorri de volta e entrei no apartamento.
Fui para a cama.
"Fláh, tenho novidades, me liga".
Mandei uma mensagem para minha melhor amiga.

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