Já havia quatro dias que minha mãe estava internada na UTI, melhorando aos poucos, já não estava com tantos aparelhos, com isso o médico decidiu deixar ela ficar no quarto mas ligada aos tubos de oxigênio, e o médico havia liberado nossa entrada. Eu não perco a esperança dela abrir os olhos e a ver sorrindo novamente, brigando comigo por ser desorganizada com minhas roupas e brigar mais ainda se não for as pressas arrumar, gritando só pra me assustar e cair na risada, vê-la mexendo nas plantas.

Saiu o resultado da prova de escrivão da Policia Civil, eu havia sido aprovada em todas as etapas até agora, estava na expectativa mas ter esse resultado é gratificante, acabei de fazer o teste de aptidão física, acho que deixei a desejar, mas vou ficar na esperança pelo resultado.

Hoje o médico levou minha mãe para fazer novos exames e ver se houve melhora, enquanto esperamos vou até o bebedouro e pego um copo de água para meu pai, ele estava sentado de cabeça baixa sobre as mãos, o toco no ombro pra que ele saiba que estou ali com ele, ele levanta a cabeça para me olhar.

- Eu estou com tanto medo. - Ele diz.

- Eu também estou e não é pouco, mas é o medo que nos faz viver e acreditar que amanhã será melhor.

- Você sempre foi tão parecida com sua mãe, não só na aparência mas a fé que você tem, otimismo, me faz confiar que vai dar tudo certo.

- E vai. - Afirmo e o abraço.

- Helena? - Reconheceria aquela voz em qualquer lugar, desfaço o abraço com meu pai enquanto Thiago se aproxima, que infelicidade em vê-lo.

- O que esse traste faz aqui? - Meu pai indaga enquanto vê Thiago se aproximando com flores nas mãos. Meu pai não sabe o que o motivo que acabou meu relacionamento com Thiago, ele simplesmente nunca gostou dele e ficou feliz quando informei sobre o término.

- Estava na delegacia e ouvi as pessoas comentando o que havia ocorrido com Miranda, eu sinto muito. Eu trouxe pra ela. - Apenas o encaro enquanto ele segura o buquê em minha direção.

- Agradeço que tenho de sensibilizado para vir até aqui e pelas flores, mas acho melhor você ir embora. - Meu pai diz enquanto pega as flores que Thiago trazia em suas mãos.

- Eu entendo que nunca gostou de mim...

- E pode apostar que sempre tive razão nisso. - Meu pai o interrompe. - Não sei o que causou o término do namoro de vocês, na verdade, não faço nem questão de saber, mas acho que minha filha te enxerga hoje como realmente é. Eu não estou a fim de discutir, é melhor ir... - Ele se vira pra entrar no quarto  da minha mãe mas volta, olhando Thiago nos olhos. - E tem mais, não tenta se aproximar da Helena, ela merece muito mais do que você. - Meu pai fala de forma rude. Thiago me olha profundo, desvio o olhar, enquanto ele vai em direção a saída do hospital.

Meu pai entra no quarto onde minha mãe continua desacordada, coloca as flores sobre a mesa, seria um verdadeiro desperdício se jogasse as flores no lixo só por causa de quem as deu e ela adorava aquelas flores, são peônias.

Alguns dias se passaram e não dei mais as caras em nenhum estágio, visto as circunstâncias em que me encontrava, não tinha cabeça pra isso. Hoje decido ir a delegacia e ao fórum pra ver se vou ser dispensada do meu estágio ou continuar por ter faltado alguns dias. Dr. Marcelo havia me ligado ontem dizendo pra eu não me preocupar com isso, mas que era bom eu ir lá hoje para podermos conversar. Estou na porta da delegacia, consigo ver uma pequena aglomeração de pessoas mas não sei bem o que está acontecendo.

- Helena?

- Camila, que bom te ver!

- Como você está? Eu soube da sua mãe.

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