5 - O Manuscrito do Rei

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Leonor não era apenas uma boa leitora. Por intermédio da mãe, conhecia um bocado de histórias e nomes de livros. Sem contar que a Idade Média era um de seus períodos favoritos. Ao ouvir o nome do manuscrito, porém, a garota apertou os olhos, estranhando a informação.

— Nunca ouvi falar deste manuscrito, Margarida. E olhe cá que conheço um bocado deles, de tanto ajudar a mãe a preparar apresentações para suas aulas!

— Fale-nos mais sobre esse cancioneiro, Margot — pediu Afonso.

Vicente ergueu a mão.

— Esperem aí! Vocês estão proibidos de continuar essa conversa sem explicar o que é exatamente um "cancioneiro".

— Nem olhes para mim! — advertiu o primo. — Sei o que é, mas tenho certeza de que Leo saberá explicá-lo melhor do que eu.

Leonor sorriu confiante.

— É claro que posso! "Cancioneiro" é um conjunto de antigas poesias líricas portuguesas ou espanholas. Prossigas com a história do manuscrito, se faz favor, Margarida!

— Não há muito mais a dizer. O Cancioneiro da Esperança é um manuscrito muito valioso. Não só por sua antiguidade, mas também por sua autoria ser atribuída a ninguém menos do que Dom Dinis.

Os olhos de Leonor se arregalaram.

— Meu Deus! Se isso é verdade, o valor desse manuscrito é incalculável!

Vicente lamentou não ter lido um pouco sobre a história de Portugal antes de embarcar nessa viagem. Estava com sensação de estar fora do jogo. E para um aficionado de games como ele, essa não era uma sensação que o agradava.

— Quem foi Dom Dinis? — indagou.

Afonso tomou a palavra.

— Esta respondo eu. Dom Dinis foi o rei que consolidou a formação do reino português, entre o final do século XIII e início do XIV. Como estimulou bastante a agricultura, passou à história com o cognome de o Rei Lavrador. O que é um título que não lhe faz inteira justiça, pois também era um excelente músico, além de poeta. Além disso, definiu as fronteiras de Portugal, ordenou a exploração de minas, assinou o primeiro acordo comercial do reino e instituiu o português como a língua oficial da corte. Sem contar que foi o fundador da primeira universidade portuguesa, bem como de nossa marinha.

Foi feito um momento de silêncio em admiração aos inúmeros feitos do Rei Lavrador. Até que Laura perguntou:

— E agora? O que você vai fazer, Margarida?

— Em verdade, não sei o que fazer.

— Pois eu sei — retrucou Leonor. — Precisamos encontrar o manuscrito de Dom Dinis!

A ideia era ousada e eletrizou os outros, que se puseram a murmurar várias coisas ao mesmo tempo.

— Encontrar o manuscrito? — repetiu Margarida. — Para quê?

— Ora, que pergunta! É um documento raro, pertence ao povo português! Além disso, encontrá-lo e doá-lo a um museu faria com que esses bandidos te deixassem em paz! Já pensaste que, enquanto eles pensarem que tu o tens, não terás mais segurança? Temos de encontrar o manuscrito, estás a perceber?

— Sim, eu percebo que encontrar o manuscrito seria a melhor forma de me livrar das ameaças. Mas como poderíamos encontrá-lo? Virando esta livraria de pernas para o ar?

— Isto, os invasores já fizeram — lembrou Leonor. — Temos de seguir as mesmas pistas que teu avô seguiu. O Velho Oliveira tinha um computador?

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