Fevereiro, 2017. VI. - Parte I

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Olha só quem resolveu dar o ar da graça!
Perdão pelo chá de sumiço, galera, mas essa época de final de ano me deixou doida, eu quase não parei em casa para escrever.
Dividi o capítulo em dois, porque senão ia ficar muito grande, espero que não se importem.
É isso, não vou enrolar mais, já basta o atraso para atualizar!
Comentem muuuuito, é importante demais para mim saber o que vocês estão achando!
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   Amanda sabia que as mais simples atitudes eram capazes de cativar as pessoas. Sentia-se obrigada a cativar aqueles alunos, mas não sabia nem mesmo por onde começar. Era uma loucura o que estava fazendo, sabia bem disso, mas seria a loucura pela qual mais se orgulharia. Preferia acreditar que tinha uma chance de, no futuro, olhar para trás e ver o bem que tinha feito a eles, e só de pensar nisso sentia uma pontinha de esperança.

    Na sexta-feira, entrou na sala disponibilizada para eles e esperou o sinal bater. Não demorou muito para ver os jovens entrando e sentando nas cadeiras disponíveis. A professora tratou de fazer um círculo de oito cadeiras – para os sete e ela –, como sempre fazia. Mas uma carteira estava fazia.

    — Quem está faltando? — perguntou.

    — Matheus — Dianna resmungou, quando percebeu que estavam todos esperando que ela falasse. Por que precisava ser ela. — E provavelmente ele não vem. É a cara do Matheus fingir que não precisa de ajuda e que não se importa.

    — Bom, ele não precisa vir; eu posso ir até ele.

    — O que nós estamos fazendo aqui, exatamente? — Maia perguntou, sem paciência.

    — A minha intenção, inicialmente, era conversar com vocês, mas eu sei o quanto isso pode ser invasivo, sei que vocês podem não querer explanar isso para seus colegas aqui presentes, então eu decidi comprar alguns cadernos. Neles vocês poderão escrever textos sobre algo que lembre um dia ou um momento importante, poderão escrever letras de músicas, ou, até mesmo, usá-los como diário. Contem sobre seu dia, sobre algo que lhe deixou chateado, contem sobre o passado. Eu apenas quero que escrevam. E que me peçam para comprar outro, se for necessário, eu não vou me importar, muito pelo contrário. Se quiserem que eu leia, podem me entregar quando nossas aulas acabarem, independente do dia. Ninguém, além de nós, saberá disso, fiquem tranquilos. Se eu achar alguma coisa nas anotações de vocês que possa ser útil para essas nossas conversas, eu pedirei a autorização de vocês antes para comentar com os outros. Quero que entendam que a privacidade de vocês é o mais importante.

***

    Assim que o sinal bateu, indicando que o horário deles estava encerrado, os seis alunos caminharam lado a lado pelos corredores. Maia reparou no quão estranho era ter aquelas pessoas ao seu lado, e se perguntava se eles também estavam pensando naquilo, mas é claro que preferiu ficar calada. Se não fosse tão tímida, Maia teria aqueles adolescentes como pessoas para jogar conversa fora, falar dos problemas e, talvez, tentar ajudá-los.

    A morena era uma boa observadora, e podia até conseguir contar a história de cada um daqueles alunos – menos a de Lucas –, mas sabia bem que por trás de toda história, por trás de toda pessoa, existia sentimentos, e eles não podiam ser desconsiderados, como todos os alunos do colégio faziam.

    Era estranho para ela pensar que sabia muito sobre eles, mas que eles não sabiam absolutamente nada sobre ela. A menina esquisita, calada e de cabelos azuis. Ponto. Rotulada.

    Sentia vontade de gritar, de contar para todos sua verdadeira história, o quanto sofreu ao ver a porta do quarto dos pais fechada todos os dias quando chegava em casa; e as coisas até pareciam funcionar em sua cabeça, mas ela sabia que demoraria anos para confiar à alguém aquelas histórias. Era uma grande responsabilidade. Tão grande que não podia jogá-la em cima de alguma pessoa tão facilmente assim.

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