Capturamos uma bandeira /parte 2

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Quíron bateu o casco no mármore.
- Heróis! - anunciou. - Vocês conhecem as regras. O riacho é o limite. A floresta inteira está valendo.
Todos os itens mágicos são permitidos. A bandeira deve ser ostentada de modo destacado e não
deve ter mais de dois guardas. Os prisioneiros podem ser desarmados, mas não podem ser
amarrados ou amordaçados. Não é permitido matar nem aleijar.

Ares fez um grunhido de desaprovação.

Servirei de juiz e médico do
campo de batalha. Armem-se!
Ele estendeu as mãos e as mesas subitamente se cobriram de equipamentos: capacetes, espadas
de bronze, lanças, escudos de couro de boi recobertos de metal.
- Uau! - falei. - Temos mesmo que usar isso?
Luke olhou para mim como se eu estivesse louco.
- A não ser que você queira ser espetado pelos seus amigos do chalé. Aqui... Quíron achou que
estes devem lhe servir. Você ficará na patrulha da fronteira.
Meu escudo era do tamanho de uma tabela de basquete da NBA, com um grande caduceu no
meio.

- De um quê?-perguntou Hera

Pesava cerca de um milhão de quilos. Eu poderia muito bem usá-lo como prancha de
snowboard, mas tinha esperanças de que ninguém tivesse expectativas reais de que eu corresse
com aquilo. Meu capacete, como todos os capacetes do lado de Atena, tinha um penacho de crina
azul no topo. Ares e seus aliados tinham penachos vermelhos.
Annabeth gritou:
- Equipe azul, para frente!
Aplaudimos e agitamos nossas espadas, e a seguimos para baixo pelo caminho para os bosques
do sul. A equipe vermelha gritou nos provocando enquanto seguia em direção ao norte.
Consegui alcançar Annabeth sem tropeçar em meu próprio equipamento.
- Ei!
Ela continuou marchando.
- Então, qual é o plano? - perguntei. - Tem alguns itens mágicos para me emprestar?
A mão dela se desviou para o bolso, como se estivesse com medo de que eu roubasse alguma
coisa.

Annabeth riu-se abanando a cabeça.

- Só digo para ter cuidado com a lança de Clarisse. Você não vai querer que aquela coisa toque
em você.
Fora isso, não se preocupe. Vamos tomar a bandeira de Ares. Luke determinou sua tarefa?
- Patrulha de fronteira, seja lá o que isso for.
- É fácil. Fique junto ao riacho, mantenha os vermelhos longe. Deixe o resto comigo. Atena
sempre tem um plano.
Ela seguiu adiante, me deixando na poeira.

Athena sorriu para a filha.

- Certo - murmurei. - Fico contente por me querer na sua equipe.
Era uma noite quente e úmida, grudenta. Os bosques estavam escuros, com vaga-lumes
aparecendo e sumindo. Annabeth me designou para um pequeno regato que rumorejava por cima
de algumas pedras, depois ela e o restante da equipe se espalharam entre as árvores.
Ali sozinho, com meu grande capacete de penacho azul e meu enorme escudo, me senti um
idiota. A espada de bronze, como todas as espadas que eu experimentara até então, parecia mal
equilibrada. O
cabo de couro pesava em minha mão como uma bola de boliche.
Não havia como alguém me atacar de verdade, não é? Quer dizer, o Olimpo tinha de ter responsabilidade,certo?

Zeus revirou os olhos,estes heróis sempre aqui quererem que os salvasse da morte.

Longe, a trombeta de caramujo soou. Ouvi brados e gritos nos bosques, metais chocando-se,
gente lutando. Um aliado de Apolo de penacho azul passou por mim correndo como um cervo,
pulou o regato e desapareceu em território inimigo.
Essa é boa, pensei. Vou ficar de fora da diversão, como sempre.
Então ouvi um som que me deu um calafrio na espinha, um rosnado canino grave em algum
lugar por perto.
Ergui o escudo instintivamente; tinha a sensação de que alguma coisa estava me espreitando.
Então o rosnado parou. Senti a presença recuando.
Do outro lado do regato, a vegetação rasteira explodiu. Cinco guerreiros de Ares saíram
gritando e berrando da escuridão.
- Acabem com o Mané! - berrou Clarisse.

CHB e Deuses lendo Percy Jackson 1[©®]Leia esta história GRATUITAMENTE!