O Filho Da Lua

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Sentado nos degraus frios do lado de fora da casa feita de pedra lunar, Kyungsoo segurava firme uma xícara quente de café preto. O filho da lua suspirou olhando ao redor. Vazio e escuro. Era o que ele via. Às vezes, a poeira das estrelas faziam o lugar parecer mágico, mas Kyungsoo já não via graça no brilho delas. Não depois de ter visto de perto o brilho do sol. Uma luz tão forte e bonita que aquecia até mesmo o seu coração congelado.
Ártemis não havia voltado ainda. A deusa caminhava pelo universo com toda a sua majestade e beleza e voltava apenas quando a terra precisava ser iluminada pela lua. Então, Kyungsoo subiria no telhado da casa, indo o mais alto que poderia ir, apenas para assistir o sol distante enquanto a lua refletia sua luz na noite humana.
Kyungsoo tomava o café devagar, sentindo o gosto amargo descer pela garganta e se questionando como os humanos gostavam tanto daquela bebida. Ele estava ansioso. Não seria uma noite humana normal. Aquela data marcava a noite do eclipse lunar. A data em que o filho do sol e o filho da lua se encontrariam depois de tantos anos.
Kyungsoo ainda consegue se lembrar quando viu o filho do sol pela primeira vez. Seus olhos curiosos, seu sorriso aberto, sua pele brilhante. A presença dele o aquecia da maneira mais nobre. Daquele dia em diante, Kyungsoo só conseguia pensar naquela luz e nada mais importava. E cada eclipse, seu amor pelo filho do sol apenas aumentava.
Kyungsoo pediu a Ártemis por muito tempo. Pediu para ir ao encontro do sol mais vezes. Pediu para encontrá-lo de novo. Mas Ártemis havia proibido. Kyungsoo não poderia vê-lo novamente senão durante o eclipse. Disse para Kyungsoo enterrar aquele amor impossível na poeira das estrelas, pois elas cuidariam do filho da lua. Kyungsoo se recusou.
Ele esperou e esperou. O coração frio pedindo para ser aquecido novamente. Com saudade do calor do sol. Com saudade do filho do sol. Kyungsoo esperou, bebendo aquele café quente e amargo, que aquecia os seus lábios, todos os dias.
Ártemis o assistia esperar e ansiar por um amor impossível.
E então, depois de um período que varia entre três e cinco anos desde o último eclipse lunar, a data havia chegado.
Ártemis apareceu em sua carruagem de prata e ao ver a deusa se aproximar, Kyungsoo sentiu seu coração bater apertado contra o peito. Vestido como um príncipe, pálido como a luz da lua, ele se levantou e caminhou até a carruagem para recebe-la. Ártemis via nos olhos do filho da lua, suas expectativas e seu nervosismo. Mas principalmente, ela via o universo em sua imensidão e o seu amor.
"Ele está vindo.", a voz da deusa soava como uma brisa, mesmo que Kyungsoo nunca tenha sentido o vento de verdade.
Ártemis se afastou para que Kyungsoo pudesse subir na carruagem e juntos partiram para o templo da deusa da lua, onde suas caçadoras à esperavam. Ao lado de Ártemis, na entrada do templo, Kyungsoo olhava para frente esperando o sol e a lua se alinharem. Esperando ver a carruagem de ouro aparecer no horizonte trazendo Apolo e o filho do sol.
Lentamente, o sol e a lua enfim se tornaram um e a carruagem de ouro apareceu em sua majestade. Enquanto Apolo se aproximava, a lua mudava de cor, tornando-se vermelha como o sangue. Um evento raro na terra. Mas Kyungsoo não prestava atenção na cor da lua. Não prestava atenção no olhar de Ártemis sobre o filho da lua ou nas expressões das caçadoras ao ver mais dois homens caminhar em solo lunar.
Kyungsoo só conseguia prestar atenção nas batidas de seu coração e no rapaz que descia da carruagem de ouro com um rosto iluminado e cheio de expectativas. Ele se perguntava se o filho do sol também sentia sua falta. Se ele também pensava no filho da lua todos os dias. Nas palavras de carinho trocadas, nas carícias compartilhadas e nas despedidas feitas. Por que Kyungsoo pensava nisso. E era isso que o fazia levantar dia após dia para tomar aquele café preto e amargo e subir no telhado da casa para assistir o universo se mover lentamente, esperando pelo próximo eclipse. Esperando pelo filho do sol.
Apolo e filho do sol se aproximaram e de repente, a lua estava vazia de novo. Aos olhos de Kyungsoo, apenas eles dois existiam naquele momento.
Kyungsoo tentou ouvir o que Ártemis e Apolo conversavam, mas sua mente parecia estar em uma tempestade de poeira. Ele percebeu quando todos se afastaram e entraram no templo. Mas nem Kyungsoo e nem o filho do sol se moveram. Estavam perdidos no universo que morava dentro de seus olhos.
Kyungsoo pensou que jamais soube o significado de amor antes de ver a luz do sol. Kyungsoo pensou que jamais poderia enterrar aquele amor na poeira das estrelas. Kyungsoo pensou que jamais amaria outro ser novamente.
Vendo-o de perto agora, com seus olhos brilhantes e esperançosos, fazia com que o coração do filho da lua batesse em desespero.
Kyungsoo sentiu um calor reconfortante envolver seu corpo.
O filho do sol estava abraçando-o.
As lágrimas tímidas se acumularam nos olhos de Kyungsoo, mas ele não sentia tristeza. A única coisa que importava era o calor do seu corpo envolto ao do filho do sol. Aquilo, ele tinha certeza, era amor em sua forma mais pura.
"Não desista de nós.", a voz grave e doce fez seu coração bater mais rápido.
"Nunca.", Kyungsoo respondeu.
"Eu amo você, Doh Kyungsoo.", o filho do sol falou, encarando-o nos olhos.
"Eu amo você, Park Chanyeol.", o filho da lua, respondeu.
E ali, iluminados pelo sol, sobre pedras lunares, o filho do sol e o filho da lua, partilharam o seu primeiro beijo. Selando uma promessa feita não por palavras, mas por sentimentos puros e verdadeiros. Um amor que nem o tempo e nem a distância poderia acabar.

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