*Heléne*    

   Acordei no dia seguinte e dirigi-me para as aulas de Defesa. Estava a praticar a retribuição de ataques, ou seja, atacavam-me e eu conseguia evitar esse ataque de me atingir, atingindo a pessoa que o lançou, duplicando o seu poder.

   Era Diego e Angélico contra mim. Diego era a reencarnação de Poseidon, o deus dos mares e oceanos. Diego era bastante poderoso e namorava com Alice, uma nereida. Já Angélico era o reencarnação de Hefesto, o qual tinha o poder do fogo e trabalhava com metais, construindo muitas das nossas armas. Hefesto não tinha a beleza do tipico deus, no entanto, era ele que namorava com a deusa mais bela de todas, Ju.

   Angélico tinha acabado de me lançar uma pequena chama, quando esta chama se extendeu e explodiu, deixando cinzas ardentes a cair que formavam a mensagem "Serão cegados pelo brilho do fogo astral". Diego criou uma corrente de água para apagar as pequenas cinzas ardentes e, aí, as correntes estancaram-se e a água escreveu "O mar inundar-vos-á", caindo depois sobre as cinzas, apagando as chamas.

   Que raios fora isto? Outra vez?

   Estávamos os três especados a olhar, completamente imóveis, até que Diego, furioso, disse:

   - Chega! São eles! De certeza! Eles ainda têm Tayla e Haley, titãs da água e do fogo! Só podem ser eles. Querem guerra, vão ter guerra!

   Angélico tocou-lhe para o apaziguar, ao que ele se retraiu:

   - Calma, não podes ficar assim. Não sabes se são eles. E não podes começar uma guerra. Sabes as consequências que isso trouxe antes.

   - O Angélico tem razão, Diego. Acalma-te. Eu vou falar com Heloísa. Depois falo com vocês. - disse, indo embora da aula.

   Heloísa era a deusa de todas as ninfas. As ninfas tinham o dom de curar, nutrir e profetizar. Precisava de falar com a chefe delas.

   Heloísa, reencarnação de Hérmia, vestia um belo vestido branco, do estilo grego, possuía uma pulseira no braço de ouro e uma coroa na cabeça. A sua pele era tão branca e imaculada como neve. Os seus cabelos eram ondulados e castanhos e estavam apanhados.

   Fiz-lhe uma vénia.

   - Não precisas de me fazer nenhuma vénia, Hélene. Já sabes disso. - disse.

   - Está bem, senhora. 

   - Já estava à espera da tua chegada.

   - Como assim? - perguntei surpreendida.

   Ela riu-se.

   - Deves ter-te esquecido que eu sou uma ninfa.

   - Não, não esqueci. - sorrindo-lhe.

   - Não te consigo dizer se são os titãs que vos enviam aquelas mensagens, mas tenho uma mensagem para vocês.

   - Qual? - perguntei.

   - Deixa-me ir buscá-la.

   Levantou-se, saíu da bela sala digna de uma rainha e voltou com um papel na mão. 

   - Foi tudo o que consegui profetizar. - disse, entregando-me o papel.

   "A inteligência da Lua

   Os rios e a água nua

   A memória do Inverno

   O rapto do Inferno

   A lei do fogo astral

   A luz e o temporal

   Lutando, todos unidos,

   Com os passados inimigos"

   - O que é que isto quer dizer? - perguntei-lhe, depois de ler.

   - Não sou eu que tenho de descodificar a mensagem, são vocês, mas se queres a minha opinião, acho que vocês estão no caminho certo. Parece-me que a guerra do passado voltará a erguer-se noutros corpos.

   - Bem... Muito obrigada, Heloísa.

   - De nada, Heléne. Vai em paz.

   Fui-me embora, com o papel na mão, relendo-o vezes e vezes sem conta.

   Cheguei à escola e decidi chamar todos. Desta vez, contava também com a presença de Pedro.

   Encontrámo-nos todos outra vez na biblioteca e eu entrego logo o papel a Andréa.

   - Sabes o que isto significa? - perguntou.

   - Não, por isso é que te estou a dá-lo, mas é uma profetização de Heloísa e creio que estávamos certos.

   - Hmm... Vamos tentar decifrar isto aos poucos. - disse Andréa, pondo o papel no meio para todos ver-mos e começámos todos a trabalhar.

   - "A inteligência da Lua", o que quer isso dizer? - perguntou Lucas.

   - A inteligência é um dom de um titã, assim como a Lua é o dom de uma titânide. - explicou Andréa.

   - Os rios e a água também... - acrescentei.

   - Assim como a memória, o Inverno, a lei, o fogo astral, a luz... Mas não percebo o "rapto do Inferno" - disse Anderson.

   - Pois, nem eu. Nenhum deles tem um poder relacionado com isso. - disse Larissa.

   - E o "Lutando, todos unidos, com os passados inimigos"? - desviou Nícolas.

   - Isso deve-se referir à titanomaquia que houve entre os nossos antepassados... - explicou Andréa.

   - Pois, é capaz. Parece-me fiável. - comentei.

   - E agora? O que é suposto fazermos? Irmos lá, acusá-los de algo que nem sabemos se foram eles? - perguntou André.

   - Temos de arranjar algo. E se uma guerra começa e nós não sabemos nada, senão estamos preparados? - disse Alexandre.

   - Nunca ninguém está preparado para uma guerra. - contrapôs André.

   - Acho que devíamos ir falar com Cássio e Rachel. - comentou Anadir.

   - A mim, parece-me bem. - disse.

   - A mim também. - disse Pedro.

   - Então, amanhã iremos lá, sim? - perguntei.

   - Não é necessário irmos todos. Eu posso ir, se quiserem. - disse Nícolas.

   - Está bem... - disse, Ju.

   - Ok. - disse, Andréa.

   - Então, até amanhã. Depois diz-nos como correu, Nico. Eu agora vou levar a minha bela donzela. - disse Pedro, pegando-me na mão e levando-me para o quarto dele onde nos entregámos a mais uma noite de prazer e tentação.

 

   

   

   

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