O beijo

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Eu acabei de me arrumar e pedi que o motorista me levasse. Eu estava dentro do carro rumo à pizzaria quando uma súbita lembrança de Emily veio à tona. Quando Emily disse que não iria vir, automaticamente perdi a graça de ir também. Eu queria que ela fosse. Seria bom para ela viver um pouco do mundo real. Sair de casa, ver gente, e além do mais, comer pizza!

Ao entrar na pizzaria de cara vi Verônica e Gregg. Dei um sorriso que não sei bem se foi de graça ou de satisfação. Eu formei um novo casal. Senti-me o cupido da vez. Eles estavam na maior agarração bem ali na minha frente. Gregg insistia que eu estava ficando doido e que esse encontro entre eles seria o maior desastre. Bem, não vejo nenhum desastre ali. Não mesmo. Aproximei-me dos dois.

— Boa noite, pombinhos!

— Charlie! Oi.

— Oi, Charlie. — Disse Gregg com o olhar de "Obrigado, Amigo" e retribui o olhar com um "Agradeça-me depois"

— Eu vou ali, cumprimentar o resto do pessoal.

— Ok. Ah e Charlie, parabéns!

— Obrigado. — Disse Verônica.

— Por que você não se senta aqui com a gente?

Olhei para mesa onde estava Kaio, Yuri e os amigos deles. Eu iria me sentir um peixe fora d'água ali.

— Boa ideia. Só vou lá dá um oi.

Caminhei até a mesa onde eles estavam.

— Charlie!

— Oi.

— Sente-se.

— Gregg e Verônica me chamaram para sentar-me com eles. Eu só vim dar um oi mesmo.

— Ah certo.

— Yuri... Emily não vai vir mesmo?

— Sinto muito Charlie, mas nem a pizza conseguiu tirá-la de seu quarto.

Dei meia volta e voltei para a mesa. Sentei-me de frente para os dois e de costas para a porta.

— Eu pedi uma de quatro queijos para a gente. — Disse Gregg.

— Boa escolha.

— Cadê a Emily, Charlie?

— Ela não quis vir.

Dez minutos haviam se passado ali e toda aquela melosidade dos dois já estava enjoando. Eu estava pensando seriamente em passar para a mesa onde Yuri estava. Abaixei a cabeça na mesa.

— Você está bem, Charlie?

— Além de estar trabalhando de vela para vocês, eu estou ótimo! — Disse sem levantar a cabeça.

— Charlie.

— O quê? — Ainda continuava de cabeça baixa.

— Você tem que ver isso. — Pronunciou Veronica.

— Não quero ver vocês trocando saliva, obrigado. — Meus olhos fitavam o chão.

— Charlie! Você precisa ver...

— O quê? — Disse erguendo-me.

Eles estavam com os olhos vidrados em direção à porta. Virei-me em sentido anti-horário. Demorei alguns longos segundos para identificar a pessoa que cruzava aquela porta. Seus cabelos estavam perfeitamente lisos, um pouco mais curtos e com a franja caída delicadamente nos olhos. Ela estava usando um vestido preto pouco abaixo do joelho. Seu rosto estava cheio de vida, e seus olhos marcantes.

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