#15 - Um Surto e Mais um Pouco

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Eu confesso que o ódio, a raiva e o ciúme me dominaram no exato instante em que vi Caroline próxima do meu pseudo-namorado, mas como bom menino de família, educado e não barraqueiro, optei por ignorar sua existência.

-Bom Dia Caio. – eu falava me aproximando do menino de olhos castanhos que eu tanto gostava. De uniforme do colégio, com sono e com cabelo bagunçado, lá estava ele. Ao ver que o silêncio se instaurou, Caio fez uma cara de “cumprimenta ela também” e eu o tive que fazer. – Bom Dia Caroline. – falei seco. Aquilo saiu seco da minha garganta, mas fiz porque Caio pediu, e quem ama sabe que pedido do amado não é pedido, é ordem imposta e indiscutível.

Havia um clima desgostoso visível no ar. Caroline não gostava de mim, eu não gostava dela, era ódio gratuito perceptível e recíproco. O ciúme motiva isso, esse desgostar sem motivo por alguém mesmo que ela nunca tenha nem falado com você. Mais um sinal de que se ama.

Andando até o colégio percebi o quão falsa era aquela menina. Seus lisos cabelos pretos e seu riso de orelha a orelha me irritavam, ainda mais com ela puxando um assunto diferente com ele a cada instante com ele.

-Vou ao banheiro. – disse Caio logo após entrarmos nós três na escola. – Vocês me esperam na sala? – continuou ele mexendo nos cabelo modelado cuidadosamente pouco tempo atrás. Acredito que ele não percebia o quanto eu estava irritado pela presença dela, ou ele fazia só para me ver com ciúmes.

-Eu te espero na sala. – falei para que a garota percebesse que eu o esperava, e que ela não deveria nem ficar perto. Eu já estava no nível de furacão médio, onde a destruição pode começar a acontecer. Caroline me olhou e riu debochadamente assim que Caio se virou, e logo andei para a sala sem me importar com ela.

-Espera aí, bichinha. – disse, segurando meu ombro ao mesmo tempo em que me puxava para trás. Aquilo me deixou com muita raiva, mas ao mesmo tempo eu sabia que se revidasse apenas estaria dando motivos pra que ela criasse ainda mais confusão. – Se você acha que vai ganhar, tá errado. – gritou ela enquanto eu me afastava, após ter tirado sua mão de mim com certa rispidez.

Apenas continuei caminhando. Entrei na sala e me sentei no lugar de sempre. Na cabeça, vários pensamentos sobre o que havia acontecido. Será que ela iria espalhar minha característica pouco esclarecida pra todo mundo? Meu medo era com Caio. A lembrança de nosso primeiro afastamento me atordoou, e não pude evitar temer que acontecesse outra vez. Alguns minutos depois veio Caio, que pondo uma carteira ao meu lado, sentou-se e colocou a mochila que carregava em cima da mesa.

-O que houve? – perguntava ele num tom baixo para que outros não escutassem. À nossa frente estavam Jamile e Mariana, irmãs gêmeas, e ao fundo, estavam Jorge e Alan. O olhei com cara de estranheza, sem entender se Caroline havia feito fofoca ou se ele havia percebido algo estranho em meu comportamento.

-Por quê? – ele me olhou e sorrindo retribuiu.

-Porque você tá estranho e com cara de bravo. – disse ele. Caio, apesar do pouco tempo, já me conhecia muito bem. Eu apenas sorri e fiz sinal de que não havia nada com a cabeça. Lá dentro, martelava a dúvida se eu deveria ou não contar pra ele do que Caroline havia dito. Optei por não tocar nesse assunto, e posso ter errado.

A aula corria e eu percebia que Caroline o encarava o tempo todo. Algumas vezes fiz cara ruim pra ela, outras eu fingi que não percebi. Fato era que ela estava me desafiando, e eu não podia nem sequer reagir a altura merecida. Na hora do intervalo Caio teria que ir até a secretaria, pois haviam ligado para Marina no dia anterior informando que faltava algum documento dele. Eu estaria sozinho, e já me preparava para o caso de ser abordado.

-Eu vou até a secretaria. – falava ele logo após o sinal do intervalo tocar. Caroline nos observava atentamente e sorriu ao ver que ele se levantava. Meu sentimento de raiva por aquela menina só aumentava, e eu estava prestes a ter um surto.

Não motivei nada. Após Caio se levantar, fiquei sentado em meu lugar dentro da sala, não fazendo nem questão de levantar.

- Agora você não me escapa. – era Caroline quem falava, já se sentando na cadeira que antes era ocupada por Caio.

-Eu não sabia que víbora falava, querida. – a respondia, fazendo cara de desgosto por ela estar ali. Eu dava um boi para não discutir, mas ainda dou uma boiada para não sair de uma discussão quando entro em uma.

-Viado também não. – retribuía.

-Isso já está ridículo Caroline. – eu começava, enfurecido. – O que você quer? Fala logo. – eu continuava, sendo direto. Não estava afim de meias voltas, nem de ficar enrolando sobre algo que no fundo eu já sabia que ela queria.

-Eu quero o Caio. – ela falava, e minha raiva aumentava ainda mais. Não hesitei, empurrei minha mesa para frente e saí de perto dela.

-Ufa, foi por pouco – pensava eu enquanto entrava no corredor que dava acesso ao ginásio e a quadra da escola, o mesmo onde havia visto Caroline se declarar no dia anterior. Mas a calma durou pouco.

-Você vai me ouvir! – começava exaltada. Aquela altura a garota dos longos cabelos negros já estava com fúria visível nos olhos. Nada fiz, apenas a olhei esperando que continuasse. 

– Ou tu se afasta do Caio, ou eu faço da sua vida um inferno! - meu coração acelerou. Ela estava me ameaçando. Como reagir? O que fazer?

-Escuta aqui Caroline. – falava chegando próximo de seu rosto, enquanto a olhava fundo nos olhos. – Eu sou amigo do Caio, e não é porque uma vadia qualquer está sendo mal amada que eu vou me afastar dele. – apenas senti a mão de Caroline estalar no meu rosto. Ela havia me dado uma bofetada. O orgulho e a raiva me dominaram na hora, e não pude pensar em outra coisa a não ser revidar, mas não o fiz. Eu era melhor que aquilo.

-Eu sou mal amada porque uma bicha tá roubando o que deveria ser meu; – não aguentei mais. Eu já estava no nível furação alto, e agora mal podia controlar minhas ações. Segurei no pulso dela e apertei forte, ao passo dela resmungar de dor. Foi o suficiente pra que ela armasse o circo que queria.

-Gustavo! – disse rispidamente uma voz ao fundo. Era Caio, e ele havia visto apenas parte do que aconteceu. Meu coração gelou, minhas pernas tremeram e fiquei sem ração a não ser olhar para Caroline e rapidamente para Caio. – O que você tá fazendo? Porque está batendo na Carol? – de fato ele havia visto somente uma parte do que aconteceu. Agora o vilão era eu, e isso traria consequências para o nosso relacionamento.

Entre Nós - [Romance Gay]Leia esta história GRATUITAMENTE!