#13 - Um Pouco Mais de Carinho, por favor.

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As palavras de Caio pesavam em minha mente e em meu coração. Sem saber como agir, eu apenas o olhava e o ouvia falar que sentia vergonha de possivelmente o rotularem. Me sentia frágil, menos importante do que o modo como iriam vê-lo. Quase que sem valor.

-Eu não posso te forçar a nada Caio. Desse jeito eu não sei se você gosta de mim ou não.-os olhos do meu menino se enchiam d'água. Um sentimento de culpa me corroía por dentro.

-O que você quer que eu faça? - ele começava a chorar de fato.

-Se você gosta de mim, luta. Esquece o que os outros vão pensar. Basta a gente ser discreto que não vão falar nada. - ele me olhava sério enquanto falava. Antes de me responder ele respirou fundo e se acalmou.

-Mas Gustavo, e se falarem?

-Se falarem a gente manda se ferrar. Você não disse que gosta de mim? - eu o perguntava seriamente. No fundo, eu queria que Caio provasse o que sentia, se sentia algo realmente.

-Eu não sei se estou preparado.. - hesitante ele começava. Aquilo em encheu o saco, e sem hesitar ou pensar em nada, apenas o beijei. Matei minha vontade, o agarrei pela cintura e lasquei-lhe aquele beijão. A boca dele era tão gostosa. Parecia que o chão não estava mais sobre meus pés. Meu coração queimava de tanta felicidade e de tanto amor por aquele cara. E ele me retribuia. Ficamos assim por alguns minutos, juntos, unidos pela vontade e pelo desejo.

-Tem certeza que quer abrir mão disso? - eu o perguntava, ainda quando estávamos testa com testa, “cansados” daquele beijo ardente.

-Quero ficar contigo. - disse ele sorrindo. Acariciei seu rosto com minhas mãos e o abracei. Sentir seu cheiro era uma sensação única.

-Tá me cutucando. - rindo ele me tirava sarro. De fato eu estava com “toda energia”, e por conta da juventude e da pouca experiência eu não sabia como controlar minhas ereções. Com vergonha eu apenas sorri e não soube o que fazer. Segundos depois do meu sorriso, e por sentir que eu estava envergonhado, ele continuou. - relaxa, eu também tô. Culpa sua! - ele exclamava. Aquilo de certo modo me confortou um pouco, sinal de que eu o excitava também.

-Como a gente fica? - perguntava sentando no sofá da sala, obedecendo ao pedido de Caio que agora ligava a televisão. Eu queria saber se iríamos continuar ficando ou se namoraríamos, mas tinha vergonha de ser direto.

-A gente fica, uai. - ele falava rindo. - Continuamos do jeito que está. - Tomei aquilo como um “sim, a gente vai ver se dá certo ficar junto”. 

Depois dele ligar a TV, fiquei sozinho por alguns instantes na sala enquanto ele foi buscar uma almofada no quarto. Um sorriso bobo apareceu em meu rosto por lembrar dele, e pela felicidade de estar com ele outra vez.

- Se arruma aí – falava Caio jogando o travesseiro no meu colo. Desdobrei minhas pernas, e entendendo a intenção dele, pus a almofada em meu colo. - Isso, agora me faz cafuné. - brincando, meu amor falava de modo mandão ordenando onde e como queria carinho. Assistimos a um filme de ação e depois comemos brigadeiro com coca. Idéias do Caio que eu curti. 

Ficamos daquele jeito juntos até as 5 horas da tarde. Marina sempre chegava em torno das 18:30, e Caio ainda teria que arrumar a casa antes dela chegar, para as 19 horas ir para o treino. Assim, tive que me despedir dele e ir pra casa.

-Então eu já vou.. - falava meio triste. Caio veio sorrindo em minha direção.

-Não sem me dar um beijo antes. - e assim foi. Ele me arrancou outro beijo e sorrindo me despedi dele. O clima de romance que vivíamos era ótimo, e eu me sentia cada vez mais apegado a ele. 

Ao sair da casa de Caio, pensei em Amábile e lhe enviei um sms contendo um “Oi”. Assim que voltei a atenção para a rua, vejo Caroline vindo em minha direção. Com cara feia, ela passou por mim e nem me cumprimentou. Algo me cheirava mal naquela menina, e não era desodorante vencido.

Depois de ter a certeza de que ela não iria à casa de Caio, fui para a minha. Ainda sem receber a resposta de Amabile, entrei no banho e lá passei alguns minutos. Eu sorria de felicidade por ter Caio ao meu lado. Sorria por sentir que ele gostava de mim, e que seríamos felizes.

Só de toalha saí do banho e fui me vestir no quarto. Já eram quase 6 da tarde e lá fora escurecia lentamente. Meu quarto, todo bagunçado, pedia “me arrume” e a preguiça me dominava para fazer aquilo. Por fim, acabei por me vestir e o organizei para evitar que minha mãe brigasse comigo.

O celular, apenas com 20% de bateria, vibrou. No visor, uma mensagem vinda do mesmo número que me ligara inúmeras vezes no dia anterior. Era Caio, avisando-me aque aquele era seu número novo.

Oi, esse é meu número. Me liga quando quiser. ;)

O respondi.

Eu não, liga você! u_u”

Nesse tom de brincadeira conversamos por alguns minutos, até que ele me disse que Marina havia chegado em casa. Depois, por mais alguns minutos fiquei sem receber nenhuma mensagem. Ele havia ido para o banho pois teria que ir ao treino do time de futebol do colégio. Não nego que ciúme é e sempre foi um de meus defeitos, mas naquela época ele ainda era pouco. Também, não seria prudente mostrar ciúmes logo no começo de um relacionamento, afinal de contas ele poderia achar que eu o queria controlar antes mesmo de namorarmos. - Na verdade eu queria, mas não podia. Não demorou muito e o celular vibrou outra vez.

Tô indo pro treino, nos falamos depois. Celular em casa, vai que roubam né? -risos.”

A lembrança do assalto e dos acontecimentos daquele dia me vieram a mente na hora. Eu não gostei da brincadeira dele, e por isso nem o respondi.

Assim o tempo passou e a noite chegou. Minha mãe já havia chegado e meu pai havia viajado naquela tarde. Sozinhos, eu e ela pedimos uma pizza e juntos sentamos no sofá para assistir a novela como há tempos não faziamos. Já eram quase 10 horas e Caio ainda não tinha dado notícias. Preocupação já era pouco para o que eu sentia, e minha mãe até perguntou se estava tudo bem. Dizendo que sim, ela me deu um beijo e foi deitar. Permaneci na sala, e ainda aflito ouvi o interfone tocar. Corri para atender, e lá estava o meu amor parado no portão, com o lindo sorriso que só ele tinha.

Entre Nós - [Romance Gay]Leia esta história GRATUITAMENTE!