#12 - Caroline

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A manhã do dia seguinte chegara e estava na hora de ir pra escola. Como todos os dias de manhã, eu acordava ao som do despertador, fazia o mesmo roteiro com a mesma pessoa conversando sobre as mesmas coisas. Tudo era muito chato sem o Caio. Eu sentia falta, sentia vontade, mas o orgulho era mais forte que tudo isso.

            Chegando à escola vi Caroline andando apressada. Achei estranho, normalmente ela andava feito uma lesma se arrastando pelos corredores da escola. Me surgiu um sentimento ruim no peito, e eu não pude evitar de pensar em Caio.

            Carol, como Amábile a chamava, era uma menina meiga, alta e de longos cabelos pretos. Razoavelmente bem de vida, ela se vestia sempre com calças de marca e pelo que eu lembre, era difícil vê-la repetindo roupas publicamente. Adorada por muitos, ela era o tipo de garota a qual detinha poder social na sala por ser tida como poderosa e influente. 

            Resolvi segui-la e ver onde ela ia. Depois de andar pelo corredor de entrada da escola até  a última seção de salas, ela virou e rumou ao corredor que dava acesso ao ginásio da escola e ao pátio onde tínhamos, na época, uma quadra de vôlei de areia e uma caixa d’água.  Escondido, observei Caroline conversar com outra menina que não conhecia. De óculos e cabelos cacheados, essa menina conversava em ritmo apressado com Caroline e em questão de segundos, como se houvesse apenas passado um recado, saiu em disparada. Logo veio Caio vindo pelo outro corredor. Escondido fiquei observando, e ouvindo o que conversavam encostados em uma árvore.

-A Isabelly me disse que você queria falar comigo. - disse Caio sério enquanto olhava para Caroline.

-Pois é, quero sim Cah. -  ela falava como se tivesse com mel grudando os dentes.

-Então fala. - Caio continuava seco. Dois a zero pra mim!

-Tô afim de você.  - Não tenho palavras para descrever a vontade de bater na cara daquela menina. Um misto de vontade de quebrar os dentes com nojo quase me fez vomitar. Como eu poderia ter sido quase amigo dela? Antes mesmo de Caio responder, acho que fiz algum barulho e ao olharem para minha direção e me verem só pude sair correndo.

A minha vontade era de acabar com ela. Como ela podia fazer aquilo comigo? Era só porque ele jogava futebol? Só porque ele era lindo, gostoso e maravilhoso? Sei que quando corri, nenhum dos dois veio atrás de mim, e demoraram alguns minutos ainda para vir pra sala. Na minha cabeça todos os tipos de beijo possíveis passavam, e haviam várias teorias as quais eu já bolava pro que estava acontecendo entre eles dois. Na verdade, na minha cabeça já estava acontecendo algo entre eles, mesmo não acontecendo nada de verdade. Acho que viajei tanto em minha imaginação que nem vi a aula passar,  e apenas “acordei” quando Caio estralou os dedos sentado na carteira que ficava na minha frente.

-Precisamos conversar. - falava ele, olhando seriamente pra mim.

-Sobre? - seco e ressentido pelo que havia visto, não falei nada além dessa palavra. Queria que ele notasse que estava magoado, queria que notasse que eu o amava.

-Passa mais tarde depois da aula lá em casa, vou estar sozinho. - ela falava já ao se levantar. Caio era safado, e seu jeito de agir e de falar comigo me amoleciam todo. Acho que isso é bem típico de quem está apaixonado.

-Tá. – eu já havia amolecido. Meu coração me pedia para correr e abraça-lo, para pular nele e dizer que o amava. Mas meu cérebro me impedia, e tudo que eu queria era que ele me pedisse perdão pelo que havia dito. Logo depois dessa conversa Caio virou a esquina em direção a sua casa, e eu rumei para a minha.  Meus pensamentos estavam nele, e por dentro de mim, eu mal podia esperar pela tal conversa que ele queria ter.

Cheguei em casa, tomei banho e almocei com meus pais. Percebendo que seu filho estava com a cabeça na lua, perguntaram-me o que estava acontecendo e mais uma vez neguei afirmando que estava tudo bem. Era difícil disfarçar, mas percebi que deveria melhorar nesse quesito.

Eu estava tão eufórico e ansioso que o tempo parecia não passar. Não sabia qual horário deveria ir à casa dele, nem  o que conversaríamos, ou se seria amigável ou não. Esperei o tempo passar, e quando o relógio marcou 13:30hrs comecei a me vestir para ir até a casa dele. Todas as roupas pareciam não cair bem, e eu queria estar o mais bonito possível pra ele.

            Eram 14:00hrs e eu saia de casa. Coração na mão. Suor correndo pelo pescoço arrepiando a espinha. Peito apertado. Pernas trêmulas. Foi assim até chegar na casa dele.

-Caio? – eu perguntava quando ele atendeu o interfone, esperando-o abrir o portão.

-Entra. – falava ele com uma voz safada. Caio não prestava e eu era doido por ele.

            Entrei e ele veio me receber. Puta que pariu! Meu amor estava só de shorts tactel preto, sem camisa ou nada além. Seu corpo era lindo de morrer. A barriga definida, peitos, ombros e braços malhados me seduziam. Era um deus grego aparecendo na minha frente.

-Que bom que veio.. – ele começava a falar já querendo me abraçar. Com a casa toda fechada, era quase impossível alguém ver, mas mesmo assim tive medo. Não aceitei o abraço, e ele meio espantado continuou a falar. – Não quer me abraçar, tem certeza? – meu coração amoleceu. Toda a dureza que eu estava tentando transmitir sumiu e eu corri pros braços dele. O cheiro dele fez renascer em mim um torpor que já havia adormecido, a falta que sentia, a vontade de abraçá-lo, tudo.

-O que você quer comigo? – eu perguntava cheio de medo da resposta.

-Quero te explicar tudo. Acho que depois de hoje você pode ter confundido as coisas. – agora eu já não entendia mais nada. Como eu poderia estar confundindo as coisas? Antes que eu esboçasse qualquer reação, ele continuou. – Eu tenho medo de dizer..

-Medo do que Caio? – eu começava. – O mais difícil a gente já fez, que foi beijar e quase transar.  Essa é a maior dificuldade pra dois homens, a primeira vez.  – antes mesmo de eu começar outra frase, Caio me interrompeu.

-Se aceitar é o mais difícil! – esboçava ele com raiva. Pude perceber que uma lágrima desceu por seu rosto e um choro velado começou. Agora eu entendia tudo.

-Você tem medo de ser rotulado pelas pessoas Caio? – assustado eu o perguntava. Talvez fosse por isso que na frente das pessoas ele não me desse moral. Mas eu considerava aquilo ruim, afinal de contas ele tinha vergonha de mim e isso prejudicava nossa relação que ainda nem existia.

-Também. – ele falava com outra lágrima correndo em seus olhos. Caio já era muito fofo normalmente, e ao chorar ficava ainda mais.  – Enquanto eu estava no hospital, pensei várias vezes em você até que decidi te ligar. Te liguei, conversamos e eu desliguei com um sorriso no rosto por saber que mesmo a gente só tendo ficado uma vez, você iria lá cuidar de mim. Eu sorria e estava feliz, pois senti algo por você que jamais senti por outra pessoa e não conseguia disfarçar.  – minhas pernas estavam trêmulas por Caio dizer isso. Eu não fazia nada a não ser sorrir feito bobo. Logo ele continuou. -  Aí eu escutei dois homens falando que “esse daí é viado” e eu não gostei. – O interrompi antes que continuasse.

-E por isso decidiu me tratar mal? E por isso foi daquele jeito comigo? – eu simplesmente não entendia. A culpa não era minha, então porque ele me tratava assim? 

-Não.. Quer dizer, sim. – ele com a voz trêmula tentava agora se justificar. – Aquilo me magoou, e eu prometi pra mim mesmo que não deixaria mais ninguém falar aquilo de mim.

-Teu orgulho vale todo o choro que eu tive todos esses dias? - sério eu o encarava. Queria aquela resposta para saber por qual cara eu havia me apaixonado.

-Não, e te ver sofrendo me machuca também. – com cara de tristeza ele tentava me confortar. – Eu quero sua ajuda. Quero que me diga o que fazer, e como agir. Eu gosto de você e te quero perto, mas não sei se consigo levar isso a diante.

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