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Pen Your Pride

Capitulo III

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Aquele grito perfurou-me os timpanos com uma força inacreditável. Olhei para o Diogo à espera de uma resposta a todas as minhas dúvidas. Agarrei-lhe na mão com força sem vontade de a largar. Ele olhou para mim, mas depressa desviou o olhar. Quem estaria a gritar? O grito era forte, mas não aparentava ser um grito de dor ou sofrimento. Sem lhe largar a mão comecei a avançar até à zona de onde vinha o grito. Chegamos lá. Uma mulher estava sentada no chão com uma vestes rotas e descalça. Ela apontava para o lago sempre a gritar e com cara de pânico. Quem quer que fala-se com ela não recebia nenhuma resposta às suas perguntas. Larguei-lhe a mão e fui até junto da senhora. Coloquei-me de Cócoras. Surrei-lhe ao ouvido:
-O que aconteceu? - perguntei
-Ela..Ela...Es..Esta..Va..ali - respondeu a senhora, a medo.
-Ela quem? - perguntei
-A..A..Ra..i..inha - disse ela, abraçando-me.
Levantei-me de novo. Ajudei a senhora a erguer-se. Tirei o casaco do Diogo das minhas costas e coloquei-o nas costas da senhora. Entreguei-a a um agente da policia e somente disse:
-Vai tudo correr bem!
Voltei para ao pé de Diogo. Diogo mal me viu abraçou-me. 
-O que se passa? - perguntou ele.
-Rainha - respondi eu.
Dei-lhe a mão e ele devagar puxou-me até ao meu Bugatti. Entramos. Não sei o que se estava a passar, mas desde a chegada dele algo havia mudado...Não sei o quê...Mas algo mudou... Agora eu não estava sozinha. Alguém aqui também queria o mal dos outros. A viagem entre o restaurante e a minha casa foi rápida. Estacionamos e saímos. 
-Olha! - chamou ele, quando eu estava prestes a entrar em casa - Eu não te vou deixar passar a noite sozinha, anda!
Voltei a fechar a porta e foi até à porta da casa dele. Entrei. Nunca lá tinha estado dentro. A casa em si era parecida com a minha porque eram o mesmo modelo, mas o conteúdo também não diferenciava . Na minha casa predominava, digamos assim, o ódio, o medo, as trevas e na dele passava-se exatamente o mesmo. Subimos. Entramos para o quarto. 
-Foram mal começados estes 19 anos - disse eu
-Realmente... 
-Tenho medo...
-De quê?
-Realmente de tudo.
-Sabes quem é a rainha?
-Achas?
-Não sei..Tu pelo menos aparentas saber quem é a princesa...
-Eu não sei quem é a princesa!
-Sim, tu dizes que não sabes, mas ages de forma a que dá a entender que sabes quem é!
-Porque dizes isso?
-Tu não tens medo!
-E? Qual o mal de não ter medo? Sabes, não é só dela que eu não tenho medo... Eu não tenho medo de praticamente nada. Tenho só três medos e esses já me afugentam por cinquenta medos!
-Quais são os teus medos?
-Nada demais para ti...Tenho medo do medo, medo do esquecimento e medo do nada...
-Explica! 
-Medo do medo...Tenho medo de sentir medo. Imagina o que é sentir medo...Ó sim, esse sentimento não é bonito de se sentir. Na minha humilde opinião o medo é o sentimento mais forte. Maldito medo... Tão descreto por fora, mas tão visível por dentro... Medo do Esquecimento...Digamos que tenho medo de esquecer ou de ser esquecida. Imagina acordares de manhã e ninguém se lembrar de ti ou mais tarde, daqui a cem anos, tu não seres lembrado, não passas senão de um mero humano insignificante nesta tão grande e enigmática terra. Medo do nada...Talvez seja o medo mais difícil de explicar. O nada começa por ser uma nuvem gigante que chega sem avisar. Ela começa por sugar todos os que não tem um forte poder de imaginação... Lentamente suga um a um até só exestirem pessoas com imaginação. Depois suga tudo o resto excepto as pessoas. Imagina acordares e não faver nada.Quando digo nada é nada...NADA! 
-Uau! Isso foram talvez as palavras mais inteligentes e sábias que eu já ouvi...Tu pensas de uma forma diferente do normal.
-Somente sou subjetiva..Os seres humanos muitas vezes só sabem ser objetivos. Para a esmagadora maioria se é carne é carne e não há mais voltas a dar. Para mim carne é imensas coisas... Penso em inúmeros e estranhos signifacos para palavras simples que os outros humanos tornam objetivas!
-Tu pareces um pensador da época do iluminismo a falar. Falas como um adulto a serio!
-Eu sou uma adulta a serio!
-Tens apenas 19 anos!
-E tu?
-Eu tenho 22 anos! Sempre é mais alguns números!
-Eu sei que sou uma recém adulta, mas sou adulta! Já ultrapassei a maioridade!
-Sim, tens razão!
-Tu tens medo de quê ,Diogo?
-De algo tão objetivo como a morte!
-Desde quando é que a morte é algo objetivo? Cada um entende o que bem entender neste assunto da morte... Podes ver a morte de uma forma comletamente diferente da que eu vejo! Porque tens medo da morte?
-Eu não tenho medo de morrer...Tenho é medo que os outro morram ou sofram por eu morrer! Imagina...Se eu morresses imensas pessoas ia ficar mal, muito mal, tal como eu ficaria que outras pessoas importantes morressem..
-Eu compreendo...Quando era mais nova, o maior medo era esse mesmo, mas eu apredi como vence-lo e passar-lhe por cima. Viver com um medo constante é ainda mais assustador que o próprio medo.
-Sim..Concordo plenamente! 
A conversa acabou ai. Talvez porque não havia mais nada a dizer ou então porque o que havia para dizer era tanto que as palavras se esgotaram na nossa boca. Aproximei-me lentamente dele. Cheirava tão bem, era tão bonito e tão querido...Só o conhecia à um dia, mas acho que era o suficiente para dizer que estava apaixonada...Ao tempo que eu não podia dizer isto. Ele agarrou pela cintura com firmeza. Sorri. Os nossos peitos juntaram-se. Dentro do meu peito o meu coração palpitava de forma estúpida. A minha barriga estava estranha como se milhões e milhões de pequenas borboletas andassem a passear no meu estômago. As nossas para estavam muito perto. Os olhos verdes dele vistos de perto eram ainda mais bonitos do que antes. Deixei-me levar, era aquilo que eu queria. Os nosso lábios tocaram-se e lentamente se envolveram. Eu estava a beija-lo. Deixei que durasse. Quando aquele tão eterno beijo parou deixei-me cair para a cama e gatinhei até ao local das almofadas. Abri a cama e entrei. Rapidamente ele veio deitar-se ao meu lado. Ele deitou-se e puxou-me para junto dele. Deitei a cabeça no seu peito. O seu coração estava acelarado...Parecia que queria fugir do peito dele. Respirei fundo. Fechei os olhos e deixei-me ir...Os sonhos tratariam do resto da noite...

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