#09 - Gustavo Miguel Monteiro Vilasboas

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11:50 – Acordamos com o som de batidas na porta. Marina estava chamando para o almoço. Caio me abraçou, e com uma cara de sono fofa se levantou.

-Temos que levantar. – com cara de triste, ele falava sendo ainda mais fofo. Por outra vez me beijou no pescoço e me abraçou forte. Parecia que ele tinha medo de que aquilo não se repetisse, e confesso, eu também tinha. Meu riso era fácil a cada segundo com ele, e só o que eu sentia era vontade de congelar aquele momento para sempre. Eu sentia um aperto estranho no peito, mesmo estando ali com ele.

-Ah – resmungando, com sono e quente pelo abraço dele, levantar da cama era uma das últimas coisas que eu queria. Pude sentir que ele sorria de maneira meiga, como se também não quisesse.

Nos levantamos e nos abraçamos. O cheiro dele era tão bom, e seu corpo tão quente. A barba por fazer espinhava meu pescoço e me fazia arrepiar. Arrumamos a cama enquanto brincávamos. Estávamos em festa. Caio arrumava a colcha, eu a puxava. Eu dobrava o cobertor, e ele abria e jogava no chão. E ríamos, ríamos descontroladamente.

Quando estava tudo pronto, fui em direção a porta. Caio vem atrás. Tudo que eu senti foi ele pegando em minha mão, me virando pra ele e me empurrando contra a porta. Outro daquele beijo gostoso. Outra sensação inexplicável. Outro arrepio de corpo inteiro. Outro torpor indescritível. O beijo dele era suave, mas ao mesmo tempo feroz e insaciável. Ele pegava em minha cintura e passava seu corpo em mim me fazendo senti-lo, me fazendo desejá-lo. Eu não sabia explicar como, mas me sentia hipnotizado por aquele menino dos olhos cor de mel. Seu toque, sua boca, seus lábios, seus olhos, sua pele, seu cheiro. Era tudo tão perfeito, tão amável.

Depois de terminado o beijo, sorrimos. Apenas sorríamos olhando um para o outro com testa colada com testa. As mãos dele em minhas bochechas diziam tudo pra mim naquele momento: ele estava tão afim de mim quando eu dele.

-Eu não quero me separar de você nunca Caio. – Pronto! Naquele momento pós-quase-foda eu admitia paixão.

-No matter what happens. – Caio falava inglês fluente. Em tradução livre, isso quer dizer “Não importa o que acontecer”. Uma lágrima correu rosto abaixo. Sempre acreditei que quando amamos de verdade, qualquer palavra pode causar emoções boas e ruins. Quando amamos do fundo do coração, nossa vontade é estar junto, é estar perto. É cuidar, proteger e amar. É não deixar ninguém chegar perto, pois o medo de perder é grande. Não deixar ninguém chegar perto por medo de algo ruim acontecer com quem se ama, amor é um sentimento indescritível que não tem barreiras. – ele pegou e com um de seus dedos limpou meu rosto e me deum selinho, seguido de uma piscada gentil.

 Saímos do quarto e fomos para a cozinha. Marina me cumprimentou com um sorriso e afirmou que sabia que eu almoçaria ali no outro dia, pois já era tarde e foi ela quem disse para Caio não me deixar ir embora. Talvez ela tivesse medo de que o que aconteceu com o irmão dela acontecesse comigo também. Bendita cunhada! 

Almoçamos. Eu tentava não demonstrar o quão feliz eu estava, mas isso era quase impossível. Marina era muito comunicativa. Gostava de falar e sabia conversar sobre quase tudo. Como gerente de uma grande empresa ela havia aprendido a ter postura, tanto em respeito a pessoas quanto em porte corporal. Logo quando terminamos de almoçar e me levantei para ir ao banheiro, recebi uma ligação da minha mãe:

-Gustavo Miguel Monteiro Vilasboas, onde o senhor está?! – um fato sobre mães: quando elas te chamam pelo nome composto é treta, e quando chamarem pelo nome completo, corra, vem bomba por aí! - ela falava muito estressada. Também pudera, eu estava há quase 24 horas sem dar notícia nenhuma, e quando saí no dia anterior lhe disse que explicaria quando voltasse.

-Oi mãe - com medo começava a respondê-la. – estou na casa do Caio e da Marina, eu dormi aqui. - com calma eu comecei a conversar com ela e explicar. Por fim, ela me pediu para ir para casa e eu disse que logo iria. Caio ouviu a conversa e veio falar comigo ainda no corredor do banheiro com os quartos.

-Você vai pra casa? – perguntava começando a ficar manhoso.

-Tenho que ir, mas a noite passo aqui de carro para irmos dar uma volta. – dei um sorriso amarelo e depois de olhar em direção à cozinha ele me deu um selinho. Aquilo era perigoso e uma pontinha de adrenalina e emoção me surgira. Sorri, e disse tchau logo virando para andar em direção à cozinha para me despedir de Marina. Sem pudor nenhum Caio pegou e apertou minha bunda, e ao virar ele piscou pra mim passando a andar na minha frente. Ele era um belo safado.

Despedi-me de Marina e fui para casa. Quando cheguei, logo do portão vi que minha mãe me observada da área.

- Viu passarinho azul menino? - perguntou ela quando entrei pela cozinha. Minha casa tinha duas entradas, uma pela cozinha e outra pela sala. Na frente dessa última tínhamos a área, e ao entrarmos chegávamos a cozinha. Nos fundos uma edícula com churrasqueira e dispensa e ao lado a garagem para os dois carros. A casa era antiga, tinha mais de 30 anos de construída e meus pais pensavam em vendê-la e comprar um apartamento. Logo ao lado da cozinha havia o corredor com acesso a duas suítes e um quarto, um dos meus pais, o meu e um vago para visitas. 

-Não mãe, por quê? – a respondi dando um beijo em sua bochecha. Mães são espertas e conhecem seus filhos a quilômetros de distancia, principalmente quando mentem.

-Sei. – incrédula com o que disse ela perguntava também se já havia almoçado. Respondo que sim e fui para o meu quarto. Ainda sem acreditar que eu havia ficado com o menino que amava, decidi ir tomar banho.

Ao som de Coldplay eu tomei banho. Apenas de cueca deitei em minha cama olhando para o teto pensando em Caio e em tudo que havia acontecido. Parecia surreal, algumas horas antes eu apenas o desejava e agora já tinha até dormido com ele.

21:45hrs. – Acordei com o ruído do celular vibrando. Meio assustado, percebi que estava tudo escuro e que dormi do início da tarde até aquela hora. O display apontava que a ligação vinha do número de Marina. Atendi e me assustei com o que ouvi.

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