- O Florescer de um Adeus -

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Apresentando: Rainha Alquemena Una, personagem de Os Guerreiros de Alquemena



  A fogueira já se apagou e os convidados se retiraram. As cinzas formam um monte lamacento de lenha queimada e gramado torrado, o cheiro mistura-se à erva que o Fauno arranca do mato e queima para afastar os mosquitos da manhã. Você coça os seus olhos, está com sono. Suas horas de soneca foram mínimas, afinal, permaneceu até o último conto narrado por Naví. Com orgulho de ter presenciado a roda de histórias, você dá um sorriso e arruma seus cabelos, preparando-se para voltar à sua casa:

— Ora, vejo que você ainda está aqui – Naví, o Fauno, lhe diz com um gesto convidativo – Não se vá, sente-se, por favor. Aquecerei mais uma caneca e chá para nós.

Alarmado, com certo medo de ficar às sós com o Fauno, você inspira fundo o aroma dos orvalhos que caem pelas flores perfumadas. Acompanhando o movimento rápido do Fauno com a caneca de chá, acaba sentando-se perto da fogueira extinta. O Filho do Elemental lhe entrega o chá, você o bebe e, ironicamente, volta a sentir o frio matinal. O calor da bebida é como um lembrete, e lhe recobra os sentidos.

— Como ficou desde o início ao último suspiro de meus contos, lhe contarei uma história de poucos Ciclos atrás, de quando a gloriosa Alquemena Una sacrificou-se para salvar os Reinos e de como isto acarretou na Jornada de Lorenai...

Esqueça das breves aventuras com o Barão das Colinas Brancas e seus relativos. Isso. O que você está prestes a ouvir é o verdadeiro começo da Jornada da princesa Lorenai...


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Chamas escarlate alastravam-se através dos campos abertos da cidade de Herculia e elas rugiam como bestas ferozes, prestes a dizimar todas as raças que se opunham ao poder das sombras. Do alto da única torre remanescente do templo da Deusa Madhava, a Rainha Alquemena fitava a destruição que havia convertido suas terras em trevas. A estátua da Deusa do Céu era a companhia dela durante aquele silêncio que consumia cada vértebra, veia e batimento cardíaco. As asas da divindade esculpida estavam intactas, tal como o seu rosto pleno e decidido, até uma bola de fogo traçar um caminho objetivo do solo ao alto do templo, atingindo diretamente a torre.

Decepada ao meio a estátua não pode mais servir de suporte a rainha, o resto de seu busto permaneceu sólido tocando a extremidade da rocha flutuante que cobria a área. Arremessada pelo calor e força da esfera flamejante, a Rainha Alquemena utilizou a Lâmina do Destino para criar uma esfera de aura amarela em torno de si, desenhando o escudo de energia etérea com o corte da espada, para que este a protegesse durante a queda. O fogo se dissipou com o poder da aura e a mulher desviou de outros projéteis incandescentes que, por erro de pontaria ou acaso, choviam sobre ela. Ao encontrar uma gruta de destroços, próximo à escadaria do templo, a rainha girou no ar, golpeando as criaturas sombrias que tentavam lhe fisgar, e escondeu-se ali até que o pandemônio cessasse – ou diminuísse o suficiente para que fosse possível encontrar um de seus Guerreiros.

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