ESTILO #15 - Explicações

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Lembra aqueles livros que não te prenderam a atenção? Daqueles que você largou logo no início?

Aposto que tinham explicações longas da vida pregressa do protagonista. Às vezes, até explicações complexas de como a sociedade em que ele vive funciona.

Esse problema é especialmente presente em tramas fantásticas e de ficção científica. Em alguns dessas histórias, o escritor parece estar mais interessado em falar sobre o mundo criado, do que mostrar a história do protagonista. É algo tão constante nesses livros que já é, de certa forma, esperado e aceito. "É meio lento no início, mas quando engata fica muito bom".

A pergunta que fica é: a história realmente precisa de tanta informação nos seus primeiros capítulos?

Em pouquíssimos casos, a resposta é "sim". Em todos outros casos, descarregar informações no leitor deixa a trama mais lenta, acaba com o suspense (aliás, a chave do mistério é a omissão de informação - falaremos mais disso em um outro capítulo) e atrapalha a retenção do leitor - principal função do início do livro.

Mas se não é algo indicado, por que tantos escritores (mesmo os profissionais) descarregam tanta informação?

Explicar é o processo natural de construção da trama. Entender quem é o protagonista, e qual é a sua história, requer que o escritor preencha lacunas, responda perguntas. Ao fazer isso, ele tem informações importantes sobre a história.

Na hora de escrever, não deve-se importar com o excesso de explicações. A única preocupação é conhecer a trama e seus personagens para escrever a história do início ao fim pela primeira vez.

Só então, chega a hora de reescrever. É nesse momento que você deve decidir qual material será usado, qual explicação pode e deve continuar.
De um modo geral, as explicações devem ser cortadas. Ficam apenas o essencial. Aquilo que, ao contrário da esperado, acelera a trama.

Sim, é difícil cortar qualquer coisa numa história. É preciso de autoconfiança, crença na capacidade de interpretação do leitor e muito treinamento para não cair na cilada de, logo na primeira cena, descrever o protagonista que se olha no espelho.

Para saber o que deve ficar, faça testes. Corte e releia. Experimente distribuir as informações necessárias em ações e diálogos. Use lembranças só se for realmente imprescindível.

Sobretudo, acredite no seu leitor. Dê perguntas para que ele mesmo crie suas respostas. Deixe que ele te surpreenda com as suas interpretações.

E, por fim, um 2018 incrível para vocês!

GUIA do Escritor de FicçãoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora