Feliz Natal?

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As perninhas dobravam e esticavam impondo força e rapidez repetida vezes, sem indicar qualquer cansaço ou mesmo que pararia de fazer tal ação. Os gritinhos de satisfação indicavam exatamente o oposto. Dessa forma exigia maior cuidado e atenção de quem lhe segurava. E também lhe arrancava risos e uma sensação de felicidade extrema.

A dona daquelas pernas travessas estava para completar sete meses de vida e já fazia a sua primeira viagem internacional rumo a um país quente como o inferno – forma como a sua mãe definia seu local de origem, tão diferente daquele em que viviam e que recebeu aquela pequena criança de olhos castanhos e redondos e tão expressivos.

Aquele bebê não fora planejado. Aconteceu no acaso em um descuido dos seus pais. Uma imensa surpresa. Era assim que sua mãe definiu aquela gravidez quando anunciou para o outro responsável. A mulher chegou a ter ressalvas de como o homem receberia tal informação, de toda forma já sabia exatamente o que fazer.

— Professor! — Manoela chamava do andar de cima. — Vem aqui! Rápido!

Stephen olhou por cima da armação dos óculos em direção aquele sotaque quase musical. Seus dedos pararam de dançar sobre as teclas de sua velha máquina de escrever. Outro romance começava a ser rascunhado. Já era o quinto após Manoela de Alencar ter entrado em sua vida e com ela fontes infinitas de inspirações e realizações.

— Pai porque Manu lhe chama assim?

Stephen encarou o filho com um sorriso enorme nos lábios passando por ele sentado no sofá entretido com seu smarthphone, lhe bagunçando o cabelo.

— É a forma dela de dizer que me ama!

Timothy sorriu para o pai de forma sincera e voltou a sua atenção novamente para as mensagens que trocava. Um encontro para mais a noite. Vida de universitário era tudo que ele queria. E melhor, estava morando com seu pai. Conhecendo aquele homem sem interferência ou empecilhos e cada dia que passava o admirava mais e mais.

Stephen ainda com o sorriso em seus lábios seguiu andar acima rumo ao quarto que dividia com a mulher que julgou ter esperado por toda sua vida e que quase deixou escapar entre seus dedos. Ao entrar no cômodo já pode sentir aquele cheiro cítrico que tanto amava e que lhe despertava desejos. Seguiu rumo ao banheiro onde Manoela se encarava com uma expressão de espanto diante do espelho.

— Já é o terceiro teste que faço! — Manoela desviou o olhar de espelho assim que percebeu a chegada do seu parceiro. — Não tem como estar errado. E eu sinto pelas mudanças no meu corpo...

— O que está acontecendo? — Stephen também mudou sua expressão de felicidade para uma de preocupação, não fazia ideia do que ela falava.

— Dá uma olhada nisso e tire as suas conclusões.

Manoela estendeu em sua direção um bastão um pouco mais largo e firme que canudos. Nele continha uma brecha onde duas riscas vermelhas podiam ser vistas com muita nitidez.

Stephen com o objeto em suas poses acomodou melhor seus óculos em seu rosto olhando atentamente aquele sinal. Manoela lhe encarava com receio. Estava insegura quanto a sua reação, ainda mais depois de tudo que aconteceu na sua vida nos anos anteriores a sua chegada.

Havia passado três anos desde que aceitou o pedido oficial de casamento de Stephen na sala de estar de sua mãe. A mãe apareceria assim que o sim havia sido dito em uma língua que dona Cláudia sentia certa dificuldade em entender com clareza. E depois daquilo acabou se dedicando mais em suas aulas particulares de todas as terças e quintas-feiras. O professor também sentiu necessidade de aprender a língua nativa de sua futura esposa e estava saindo-se muito bem nesse processo.

O Professor [Completo]Leia esta história GRATUITAMENTE!