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Anderson vagou pelas ruas procurando ajuda, mas todos estavam infectados. Zumbis de olhos negros, cabisbaixos, reclamando da vida e remoendo suas tristezas.

Parecia não haver mais esperanças foi quando uma mão fétida tocou seu ombro.

— Eu te disse pra me procurar quando você estivesse pronto. — Disse o mendigo, e arrotou.

— O mundo tá acabando!

— Que seja. Você não entendeu nada do que eu falei. Quando eu disse que você tem tudo eu falo da sua família, dos seus sonhos. E você vai ter que sacrificar a sua felicidade se transformando na única coisa que pode salvá-los. O resto da cidade vem de brinde. Eu sei que você não se importa.

— E por que você não disse isso antes?

— Ia fazer diferença?

— Pensando bem, não.

— Tá, me diz o que eu preciso fazer pra salvar a minha família!

— Não quer entender o que está acontecendo primeiro?

— Que seja.

— É chegada a era dos metamorfos extraplanares tentarem dominar os humanos que são os únicos seres capazes de escrever o próprio destino.

— Dá pra ser mais direto?

O mendigo tomou mais um gole de sua bebida.

— As pessoas costumavam ter mais respeito por esse tipo de coisa, sabe... Enfim. Tem um ser pandimensional invadindo a sua cidade, roubando a força de vontade das pessoas. Ele se alimenta delas. Rouba toda a esperança das "almas" das pessoas (assim fica mais fácil de você entender?). Ele é um ser complexo demais pra ser derrotado por um humano. Mesmo que ele tivesse superpoderes. Só existe uma força que pode detê-lo: o poder mental do Nirvana.

— E como eu acho esse poder?

— O Nirvana é alcançado através do desprendimento completo de tudo que é terreno, a elevação completa da alma.

— E você tem acesso a esse poder? Por que não ajuda a gente um pouco?

— Por que eu não quero fazer isso. Não de novo. Eu só estou nesse plano porque quero passar esse poder adiante. As consequências, eu não posso mais suportar! — Disse o mendigo agora bebendo compulsivamente. Anderson segurou sua garrafa impedindo que finalizasse o drinque:

— Cara, não entra em coma alcoólico antes de me explicar isso direito.

— Quando você alcança a elevação espiritual suprema, tudo, absolutamente tudo passa a ser irrelevante. Imagine o poder de burlar até mesmo as leis da física. Você não iria se importar com mais nada. Talvez até mesmo esqueceria quem é, ou que tem uma família. Você sacrificaria sua felicidade para salvar a sua família?

— Mas então, se ou vou ser tão "foda", por que salvaria a humanidade?

— Enquanto você se transforma nesse ser elevado, pode se concentrar em uma coisa, uma única tarefa. E enquanto você estiver nessa forma vai se importar com essa tarefa.

Anderson balançou a cabeça confuso, pensou em tudo que poderia acontecer.

— Mas por que eu? — Perguntou.

— De alguma forma, no fundo do seu coração, você já não se importa. É por isso que não se transformou num zumbi do buraco negro.

— Eu não tenho escolha. Se esse é o sacrifício que tenho que fazer, eu farei. — E estendeu a mão para o mendigo, mas quando o mesmo estava prestes a retribuir o gesto, Anderson hesitou.

— Você pelo menos lavou essa mão hoje?

— Anderson, você está prestes a se tornar uma espécie de deus tão pica das galáxias que não vai se importar com nada e tá preocupado se eu lavei a mão? Essa mão se você quer saber já esteve em realidades que você nem consegue imaginar.

— Sei lá, vai que... Quer saber. Foda-se.

A Origem do Capitão Foda-seLeia esta história GRATUITAMENTE!