Assim que desci os degraus ouvi outro burburinho próximo, e Kenan o recepcionista de cabelo seboso e roupa amassada, deleitava-se com a visão do grupo de loiras universitárias a sua frente.

Acenei, mas ele não notou. Na verdade eu duvidava que fosse capaz de notar se um elefante usando tule tentasse subir às escadas.

Prestes de alcançar à calçada as ouvi zombarem da minha calça larga. Respirei aliviada, pois não era sobre o temido vídeo. Em contrapartida, acostumada a viver com poucos recursos, me adaptei com roupas de brechó. E eu estava bem com aquilo.

E mesmo abalada com os últimos acontecimentos; principalmente com a probabilidade desconhecida do vídeo se espalhar, precisava ser forte. Ao menos eu acreditava em mim mesma. Porque se não acreditasse, me tornaria tudo o que diziam que eu era: nada.

Ainda na calçada olhando para os lados, e pensando em qual deles seguir, observei algumas pessoas passarem por mim com copos cheios de vapor em suas mãos, enquanto saíam do Washington Square.

O aroma do café fresco entrou em minhas narinas, no momento exato que pisei
sobre os paralelepípedos do parque, causando uma completa bagunça em meu estômago.

Eu ainda tinha sono, e isso se revelou quando alguns bocejos preguiçosos escaparam descaradamente.

Parei bem atrás de uma senhora rechonchuda, na pequena fila de hot-dog. A maioria ali murmurava apressada, enquanto a minha calma parecia ser uma virtude desconhecida entre elas.

O meu dinheiro era pouco, porém, suficiente até conseguir um trabalho. E eu teria almoço de graça no refeitório do curso, isso era muito mais do que eu poderia exigir.

(...)

Depois de comer um hot-dog, observando alguns pássaros alternarem o voo entre uma árvore e outra, até pousarem em um ninho definitivo, passei a sentir a falta dos meus pais.

Permaneci sentada por tempo suficiente para que eu absorvesse o máximo de informações possíveis.

O Washington Square era um parque público da cidade de Nova Iorque. E apesar da Universidade considerar que o local é parte do seu campus, porque a maioria dos edifícios que o circundam pertencem à NYU, continuava a ser público. Com a grande fonte no centro, o Arco de Washington, e também uma extensa área verde, eu não podia deixar de sentir-me maravilhada com a visão de tudo àquilo.

Olhei além das árvores, até os meus olhos encontrarem o prédio da Tisch, – onde eu cursaria fotografia –, e entre muitos outros edifícios ele se destacava pela bandeira roxa hasteada.

A cidade, bom... A cidade era o caos e ainda sim muito viva e excêntrica. Um misto de buzinas, aroma diferentes, e centenas de pessoas no modo automático de um lado para o outro.

(...)

A poucos metros de distância dos dormitórios, a minha respiração já não era das melhores. Tinha andado por todo o parque a fim de acabar com a minha curiosidade. Ainda na rua, escorada na parede do Lipton, tentava recuperar o fôlego. Um pouco deslumbrada e levemente assustada com o fluxo intenso da cidade, acabei sendo mais rápida em meus passos do que deveria.

Atravessei a recepção vazia rapidamente, e na escadaria do segundo andar Amanda apareceu subitamente.

Pus a mão sobre o meu colo, visivelmente assustada.

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