— Boa noite, senhoritas. – Sorrio.

— Pode me chame de senhora Grunt, eu casei a pouco tempo, e espero que Emily também possa se casar logo e quem se tornar uma senhora Thompson. – Deus me livre. Penso.

A mulher de meia idade sorri e eu presumo que essa seja Meredith, sua voz irritante me deixa completamente sem paciência e eu brinco com os ovos de codorna enquanto elas tagarelam sobre idiotices. A loura sentada ao seu lado se chama Emily e hora ou outra me olha mordendo os lábios como uma carnívora. Não era sexy. Parecia um urso e seu rosto me lembrava um tubarão sorridente que eu havia visto um dia desses no Facebook.

— Aaron, fale sobre os negócios da família. – Eve sorri, me tirando dos meus devaneios.

— Os negócios da família? Por onde eu começo, ah já sei, eu tenho um fato interessante. – Sorri.

— Conte, eu amo homens que entendem de negócios. – Emily pronuncia.

— Uma vez a nossa empresa foi roubada, você deve se lembrar. – Olho para Eve e sua cara se fecha. — E adivinhem quem foi? Exatamente, o amante da minha mãe. Hilário, não é? Engraçado para uma mulher que frequenta um grupo de mulheres e finge lamentar a morte do marido. A alta sociedade de NY é uma piada, não acham?

— Você tinha um amante? Você sabe que eu sou a favor da família. – Meredith põe as mãos no coração e faz pior cara que eu já vi.

Ela e Emily se levantam para sair e eu mexo o vinho tinto na taça e volto a bebericar, observo o líquido roxo manchar as bordas e continuo a movimentar a taça. Eve corre para tentar explicar e eu aproveito para ir embora antes que ela comece o discurso falso e ridículo sobre os meus modos como se eu tivesse quinze anos. Penso em passar na casa de Summer, mas eu me lembro bem da cara que ela fez quando disse "sem pressão, Aaron" e me lembro melhor ainda da careta que eu fiz.

Tentei não pisar no monte de fichas espalhadas pela sala, eu ainda não tinha tido tempo de separar os atuais dos antigos funcionários mas pelo menos eu havia conseguido reunir todas as informações. Tranquei a porta dessa vez para ter certeza que ninguém invadiria e me visse com todas aquelas coisas espalhadas na casa, eu havia prometido que iria adiantar as coisas antes de encontrar com Summer para evitar ter que deixar todo o trabalho para ela — palavras dela.

Passei a noite em claro tentando separar as fichas e minha cabeça não tardou a começar a doer. Meus pensamentos estavam focados em Bart Benett, Eve, Will, Sum. Tudo parecia confuso enquanto eu tentava resolver ou ao menos entender. Eu tinha certeza que Bart Benett tinha sido o autor do roubo mas depois que meu pai recuperou o projeto Dancouver o acesso dele na empresa era impossível. Ninguém estava do lado dele, pelo menos, era o que achávamos. Alguém o ajudou e eu iria descobrir quem.

O tempo nublado me fez pensar que ainda era de madrugada mas já tinham se passado das seis e meia, abro os olhos preguiçosamente e enrolo ao máximo para levantar e ir para o banho. Nessas horas, eu sentia saudades da Califórnia e do tempo fresco com sol, poucas roupas e poder usar chinelo. Impossível em NY sem que meu pés congelem. A chuva molha a minha mão assim que eu a enfio para fora da janela, e eu penso em voltar a dormir.

— Bom dia, Mr.Bigodes. – Acaricio os pêlos pretos do gato que entra no banheiro assim que eu abro a porta. — Eu deveria te dar mais atenção, não é?

Mr.Bigodes havia sido um presente do meu pai, ele sempre disse que um animal me faria ficar menos ácido, ele sempre dizia que eu era como um gato, que apesar de conseguir me virar bem sozinho, preciso de atenção. Na época, eu achei besteira mas aceitei pegar o gato filhote e até cogitei dar para alguma garota que com certeza acharia fofo. Mas Oliver sabia tudo, era como se ele sentisse que eu iria precisar de um amigo além dele. Alguém para me tirar da solidão de todos os dias e mesmo que isso soasse bobo, eu aceitei o gato.

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