Capítulo 16

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Wonho entrou no banheiro e trancou-se em uma cabine para dar um grito, estressado. Ele se sentia péssimo. Desde o primeiro desmaio de Changkyun ele já sabia que tinha algo de errado; normalmente as pessoas não desmaiavam ao ingerir. O que ele teria feito de errado? Hortelã-pimenta demais? Ele havia treinado tanto para aquilo que estava até duvidando de seu próprio valor. E sabia que tinha culpa.

— Wonho? — A voz de Hyungwon o fez tentar calar o próprio choro. — Eu sei que você está aí. Qual das cabines?

— T-Terceira.

Hyungwon andou até a porta da cabine e encostou-se nela.

— O que aconteceu? — Ele perguntou.

— Briguei com Kihyun... chamei ele de egoísta, e ele me cobra admitir minha culpa na situação. — Hoseok se encolheu como se pudesse sumir.

— Jooheon me explicou sobre... tudo isso das suas poções. Ou quase. Vocês não pensaram antes de sair dando isso para Changkyun?

— Na verdade, era para Minhyuk. Kihyun tinha um crush nele, ou sei lá. Mas as coisas deram meio errado. Eu, no entanto, não acho que tenho culpa nisso.

— E por que seria apenas de Kihyun?

Wonho ficou em silêncio por um tempo. Não era para ser tão difícil admitir ser culpado de algo, então por que de repente ele estava fugindo tanto? Era porque o envolvia diretamente? Ele se sentiria menos pior caso a condição de Changkyun se agravasse se não admitir sua culpa?

— De qual lado você está afinal, Hyungwon?

— E há algum? O que eu entendi da situação é que você tem tanta culpa quanto Kihyun. Vendeu a poção sem uma revisão e ele a usou sem pensar nas consequências que não foram avisadas por você.

— O que eu faço agora? — Wonho abriu a porta da cabine, fazendo Hyungwon se afastar. Ele foi até a pia e molhou o rosto. 

— Bom, eu acho que-

A porta do banheiro foi aberta em um desespero bem na hora. Quem abriu foi Kihyun, com os olhos inchados e expressão de desespero, sem sequer se importar — ou lembrar — que tinha agarrado a camisa de Wonho minutos atrás.

— Changkyun piorou.

[ > ]

— Jooheon, me deixa entrar! — Kihyun estava quase fazendo um escândalo na ala de visitantes. Jooheon os segurava pelos braços com força.

— Você só vai piorar a situação se entrar lá desesperado desse jeito. Os pais dele já estão lá dentro, Minhyuk também. Por favor, Kiki, é inútil.

Kihyun respirou fundo, acalmando-se um pouco. Ele desistiu de lutar contra Jooheon e foi com ele até os bancos da recepção, onde sentou-se junto com Hyungwon e Wonho, que lhe deram água.

— O que aconteceu afinal? — Wonho perguntou.

— Estavamos conversando com ele, eu e Minhyuk, quando ele começou a reclamar de dor de cabeça e voltou a ter febre. Eu fui chamar a enfermeira e quando voltei com ela, ele já estava desmaiado. Não sei o que aconteceu ao certo. Não me falaram.

Passou-se um filme pela cabeça de Kihyun com todas as memórias de Changkyun ao seu lado. O passeio pelo parque, o beijo na marquise, os almoços semanais e as ligações até a madrugada. O sorriso dele, o jeito que ele cuidava de Kihyun, o olhava. Tudo nele doía tanto apenas de imaginar como seria se caso perdesse Changkyun. Era tudo sua culpa. Um pesadelo sem fim.

— Honey... — Kihyun não tinha nem forças para falar. — Seja sincero comigo... você acha que ele vai ficar bem?

— Eu... — Jooheon fez uma pausa, olhando para Hyungwon e Wonho e depois para Kihyun de novo. — Eu não sei, Kiki. Temos que esperar para ver.

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