Capítulo 12

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Pablo estava esparramado no sofá marrom claro de três lugares que ficava no saguão do hotel. Passava os olhos de relance pelo jornal da cidade, mas sem se fixar em nenhuma notícia específica, quando Paulão chegou.

– E aí, rapaz? – gritou ele após cruzar a porta e identificar o amigo.

Cumprimentaram-se com um abraço bem apertado. Como Paulão era mais alto e parecia estar mais forte do que nunca, passava a impressão para os que olhavam de fora de que se tratava de um urso tentando matar sufocada a sua presa.

– Você continua um touro, hein?

– Pois é, uma vida de musculação e agora estou fazendo também o crossfit. A gente não pode parar senão vira uma bola de banha, né?

– O bom é que no Carnaval bastará jogar tinta verde na cara que você já estará fantasiado!

Gargalharam juntos e saíram abraçados do hotel em direção ao bar de estilo moderninho, que ficava do outro lado da rua. Sentaram-se próximos da janela e começaram a jogar conversa fora enquanto o garçom foi providenciar as bebidas.

– Espere aí. Que música é essa? – perguntou Paulão fazendo sinal de silêncio com as mãos para tentar ouvir melhor.

– Parece alguma coisa do Radiohead cantada em ritmo de bossa nova.

– Isso! – sorriu satisfeito como se tivesse recebido a notícia da descoberta da pólvora.

– Achava que só os Beatles tiveram suas músicas versionadas em tudo quanto foi estilo?

– Pois é, rock em ritmo de bossa nova deve ser a nova onda do coolismo. Esses descolados modernosos e suas mil e uma releituras do mundo. Estamos ferrados! Precisamos de um novo movimento punk urgente!

De repente, os olhos de Pablo se fixaram num ponto e sua cabeça começou a se movimentar vagarosamente como se estivesse acompanhando o movimento de alguém.

– O que foi? Viu algum passarinho verde? – perguntou Paulão.

– A Carol estava ali com duas amigas.

Da posição em que estava, de costas para o corredor, Paulão não as via, e para não chamar tanta atenção, não se virou, preferindo grudar os olhos na janela esperando que ela passasse para ter a confirmação.

– É ela mesmo. E ela gostava para caramba de você, né? Acho que gosta até hoje.

– A única coisa que ela quer hoje é me matar.

– Quem mandou ter sido o primeiro? Ainda mais com uma gordinha que sempre viveu ofuscada pela beleza da irmã. Imagina a garota sair na rua e todos os homens que aparecem no caminho só querem se aproveitar dela para darem um jeito de chegarem mais fácil na irmã? Soa familiar, hein?

– Pelo visto, continua solteira – desconversou.

– Acho que continua, sim. A vida dela nunca foi fácil.

– E o que ela está fazendo?

– É uma advogada bem famosa aqui na cidade. O escritório dela presta assessoria jurídica para as minhas empresas, para as empresas do pai da Juliana e também para as empresas do marido da Cristina.

Os olhos do Pablo subitamente congelaram.

– A Cristina casou?

– Sim, inclusive a academia de crossfit onde estou malhando é do marido dela. E eles estão bem, pois ele montou uma rede que já está com cinco academias em São Paulo, uma em Sorocaba e outra em Campinas, além desta aqui.

Se esquecer seu coração lá em casa, não o devolverei!Onde as histórias ganham vida. Descobre agora