Fevereiro VIII

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Enviado em: quinta feira, 23 de fevereiro (21:17)

De: : Daniel.henri.chagas@mail.com.br

Para: Sandy.wolliner@freetalk.us

Assunto: RE:Carnival

HÁHÁHÁ.

Eu tenho que começar esse e-mail rindo da sua sugestão mesmo. Você realmente acha que vou sair pra rua pra ficar em bloco de carnaval? Sério, meus pais surtariam. Meu pai mandaria chamar a polícia, tenho quase certeza, porque eu estaria provavelmente cometendo o crime de "não estudar" que ele inventou.

Não, não tenho vontade também. Nunca gostei muito de carnaval. Aliás, nunca gostei muito de nenhuma dessas festas. O máximo que eu consigo apreciar são as saídas esporádicas pras boates – mas tem que ser bem esporádica, porque se virar rotina aí eu já não gosto mais. Dá pra entender? Eu não sei se eu mesmo me entendo...

De qualquer forma, gostei de saber do que aconteceu na sua última parada. Quero dizer, eu acho que você, tecnicamente, ainda está na última parada porque resolveu dormir mais de duas noites nesse hotel aí que vocês arrumaram. E você também tem que admitir que não ficou só porque a Madison e o Kevin o convenceram: você realmente não precisava disso.

E eu não acredito que você não vai gastar um e-mail inteiro falando disso. Por que foi só UM parágrafo? Algumas menções aleatórias e mais nada? Eu não acredito nisso, Sander Wolliner! Você finalmente seguiu um conselho meu e não vai me contar como isso aconteceu?!

Como ele é? Digo, além de ser do Texas, ter um amigo que se apaixonou pela Madison e outro que discutiu teorias sobre extraterrestres com o Kevin a noite toda. Eu quero saber como ele é pra você, esse cara que conheceu. Esse Zachary. Dizer o nome dele e não me contar nada além disso ("ele me chamou pra sair, ter um 'encontro de verdade'") não é coisa que se faça.

Você quer saber da minha vida? Olha, sinto lhe informar mas ela não mudou desde o último e-mail. Na verdade, minto, mudou sim. Agora eu não consigo dormir direito porque fico tendo pesadelos com bebida e com gente falsa ao meu redor. Antes eu dormia feito pedra porque o cansaço não me deixava sequer pensar. Agora é o contrário, eu fico cansado de pensar.

Deixa eu explicar, apesar de que você já sabe uma boa parte da história: Renan e eu visitamos o Joel, você sabe. Ele te contou, sei também que contou a conversa que tivemos. Sei que ele está pensando no Felipe e no Caíque tanto quanto eu porque trocamos algumas mensagens sobre o assunto.

A questão é: como posso confiar em qualquer pessoa depois de saber disso? O Joel confiava nos caras, eu acho que ele ainda confia na gente, mas não sei como. Não sei o que me faz diferente do Felipe, ou do Caíque, que o faça ter esse tipo de atitude. Não sei nem se eu teria feito diferente dos dois na época... Sim, essas coisas andam rondando meus neurônios, até mesmo essas possibilidades. Se estivesse tão bêbado quanto estávamos, eu teria parado o Joel? Será? Eu não me lembrava nem do meu nome direito! Você estava lá também, você se lembra de alguma coisa? Não, né? Então... Como ia impedir que outra pessoa passasse mal se não tinha domínio do meu próprio corpo?!

Fico ruminando essas coisas todas as madrugadas. É outro motivo que prefiro não sair de casa também, sabe, pra balada e tal. Não quero ter a ideia de beber. Afinal, se eu passar mal outra vez, como posso confiar que alguém não vai me deixar no chão como deixaram o Joel?

Eu sei, antes que você diga, que se eu fosse com o Renan, ele nunca faria isso, mas eu não posso ficar dependendo dele. Ele não depende de mim, Sander, não é como se fôssemos crianças e precisássemos que um de nós fizesse o papel de babá. Eu não quero que ele cuide de mim mais uma vez; a última já foi vergonhosa o bastante. Você não ficou tempo o suficiente na festa dos gêmeos no ano passado pra testemunhar toda essa dimensão da vergonha, sério.

Além disso, sou eu quem devo cuidar dele, não foi isso que você me fez prometer no começo do ano?

Enfim. Esse e-mail não é sobre mim. Eu quero que seja sobre você e o Zachary. Quero que seja você me contando como está curtindo, quero que me diga que foi ao encontro que ele propôs e que resolveu ficar mais um tempo na cidade dele para um segundo encontro, e um terceiro, talvez?

Eu quero muito que você me diga que está feliz pra eu poder dormir tranquilo e sonhar com isso, com coisa boa. Por favor.

Com amor,

Daniel Henrique Chagas.    

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Por favor.


(duas atualizações essa semana, prometo)

Aprendendo a Gostar de Você {Aprendendo III}Onde as histórias ganham vida. Descobre agora