Capítulo 3 - Vingança

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Allec permaneceu em silêncio e seguiu na direção de seu irmão, dando as costas para o valentão.

— Ah! Você está aí! — disse e sorriu maliciosamente. — O que foi perdedor, o gato comeu sua língua?

Conforme Allec se aproximava, John tomou o passo e também deu as costas para o garoto.

O valentão perdia a paciência e seguiu ambos. Ao se aproximar de John notou algo familiar.

— Hey! Estas roupas são minhas! — correu na direção deles com intenção de esmurrá-lo. — Devolva-as agora!

John se virou e segurou o punho do rapaz sem o mínimo de esforço e lançou lhe um olhar frio, estando agora bem próximos.

— Seu... Desgraçado... — tentou se soltar, mas a mão de John parecia estar soldada a sua. — Haaaaa! — lançou um chute em direção ao maxilar de John. Já havia derrubado dezenas de idiotas como os Mool com aquele golpe, mas foi aí que seu corpo foi simplesmente arrancado do chão. John havia feito o menino subir por cerca de um metro antes que caísse como um boneco pelo chão. Pela primeira vez em sua vida, o menino havia sentido o verdadeiro medo tocar suas entranhas. John, o perdedor. John, o caipira estranho e inútil que sempre lhe serviu como uma descartável diversão cruel, o havia chutado com a força de um aríete. O garoto ainda não sabia, mas o impacto o faria puxar daquela perna a vida inteira.

Sentira um peso em seu joelho esquerdo, John pisara nele. Pegou-o pelo cabelo e o levantou numa altura suficiente para sussurrar em seu ouvido.

— Você as quer? Venha pegar! — John riu e afirmou lentamente. — Seu perdedor!

O garoto sentira seus olhos umedecerem contra sua vontade, e lágrimas começaram a escorrer, pois algo em John o fazia sentir medo. Resmungou tentando livrar seu cabelo da mão de John.

— Seu... Seu monstro!

John farejava o cheiro de medo transbordando do garoto, que fazia o máximo para se libertar, mas sem nenhum sucesso. Sentiu pena, mesmo depois de tudo que ele havia feito durante todos esses anos. Era apenas mais uma presa indefesa igual aos pássaros que apanhara mais cedo. Este pensamento o fez focar nos batimentos cardíacos do garoto. O lobo dentro dele começou a lutar para sair contra sua vontade, pois aquela sensação sobre uma presa indefesa o contagiava. Seu lado animal ficara louco ao ouvir os batimentos de desespero e brotara uma vontade enorme de dilacerar carne e devorar vísceras, sendo invadido pela sensação de poder seus olhos começaram a mudar juntamente com suas presas. Por sorte foi surpreendido por um grito inesperado do garoto e este pensamento cessou-se, enquanto Allec permanecia aturdido.

— Paiiiiiiiii... — gritou choramingando. — OW PAI!

O homem enorme que conversara com Allec surgiu novamente e olhou na direção de seu filho, que encontrava-se caído no chão e com John sobre ele. — O que diabos está acontecendo Jack? — gritou de volta e foi se aproximando dos garotos para apartar a briga, notou a presença de Allec e disse surpreso. — Você de novo? — começou a correr com dificuldade. — Vou dar uma surra em vocês dois!

Os dois olharam surpresos para o homem que corria de maneira desengonçada. John largou com tudo o cabelo de Jack, que o fez bater a cara no chão e os irmãos bateram em retirada.

Após Allec se despedir de seus amigos de escola, os dois andaram mais uns 20min até chegarem ao porto de barcos. Aguardaram até que alguns passageiros embarcassem em um navio de cruzeiro, com dois andares e piso revestido em marfim. Aproveitaram que os responsáveis pelo embarque voltavam a atenção aos novos passageiros, e se infiltraram como clandestinos, dando a volta no navio pela água. John escalou o navio com suas garras e Allec em suas costas. O objetivo era ficar fora da visão de todos durante a viagem. Chegaram até a sala dos motores e se esconderam em um canto que não possuía passagem para os tripulantes.

BloodLycan - A Saga dos irmãos Mool - Parte 1Leia esta história GRATUITAMENTE!