O ciúme está no ar - parte 2

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– Tudo bem. - ela suspira, não consegue mesmo ficar chateada com o jeito tão franco que chega a ser rude. - Eu e Nikko somos amigos, grandes amigos. Sou e serei eternamente grata a ele. E o vejo como um irmão. Ele também sempre me tratou assim.

– Eu percebi que ele te admira muito. Conforme vou te conhecendo, eu entendo claramente o porquê. E Kensuke? – sonda com uma expressão divertida.

– Estamos tentando ser amigos... pelos meninos. É complicado... - o constrangimento impede que as palavras fluam.

– O que não é complicado pequena? Bem, não vou invadir sua privacidade. Só sua mesa. – o Takeda brinca para desfazer um possível mal-estar - Será que conseguem preparar o orçamento e o contrato nesses dez dias?

Hai, estou certa que sim. – Emiko acaba se divertindo com o modo ágil dele falar. O homem diante de si não parece tão intimidador quanto dizem.

– Então vou mandar minha secretária reservar toda a manhã do dia seguinte ao meu retorno. Combinado?

– Sim. Acho melhor eu ir agora. – a jovem levanta e se prepara para sair.

– Sem nem me dar um abraço? - Raiden se ergue de sua cadeira, vai até Emiko e a envolve em seus braços de modo carinhoso - Arigatô!

– Porque? Eu que tenho que lhe agradecer pelo que fez e continua fazendo. Está nos oferecendo uma grande chance de alavancar a editora.

– Sei que deve ter ouvido que eu sou o próprio demônio. - ele se afasta um pouco para olhar seu rosto, mantendo o abraço. - Algumas vezes sou até pior. - ele ri da própria piada - Podia ter agido como a maioria das pessoas que me rodeiam e só me aturam porque precisam. E escolheu me receber como parte da família. Sei reconhecer uma pessoa de caráter menina, e você tem de sobra.

Nesse momento a porta se abre e um par de olhos ônix parece inflamar de revolta ao ver aquela cena. Kensuke estava no corredor quando ouviu alguém comentar que Raiden estava ocupado atendendo a senhorita Miyake. Conhecia bem o tio. Não sabia do que tinha mais medo: se dele estar sendo grosseiro com sua morena, ou de estar jogando charme para ela. "Mas que diabos! Porque ela não me disse que vinha na empresa. Eu teria ido buscá-la. Que assunto eles podem ter?" - era o que passava em sua cabeça enquanto seguia apressado para a sala da presidência. Ignorou a secretária e foi entrando afobado. Estancou ao ver os dois abraçados.

– Emiko... o que faz aqui? – Kensuke não consegue disfarçar o misto de surpresa e irritação que o consome.

– Eu pedi que ela viesse Kensuke. Não sabe mais bater na porta? E se fosse outra pessoa com quem eu estivesse em reunião? – implica Raiden, sem soltar a jovem.

– Reunião? Abraçados? - o Takeda mais novo nem tenta esconder o desagrado expresso na voz. Emiko fica tão constrangida que abaixa o olhar.

– Me poupe Kensuke. Não estou com paciência para aturar fricote. Estávamos só nos despedindo. - o mais velho o repreende e segura as mãos da Miyake - Eu vou ter que ficar por aqui minha jovem, tenho muita coisa para organizar. Estamos acertados então. – afirma categórico - Posso chegar lá pelas oito da noite?

Hai, estaremos esperando Raiden-sa... - a sombrancelha arqueada é o alerta para que ela rapidamente se corrija - tio... Raiden. Vou preparar algo bem gostoso.

– Muito bem menina. Viu? Nem doeu. – se volta para o sobrinho com as feições bem menos amistosas - Kensuke, porque não faz o favor de acompanhar Emiko. E controla esse seu gênio no caminho. Se eu te pegar me olhando torto de novo, vai lembrar o peso da minha mão aqui mesmo na empresa.

Akai Ito - TenazLeia esta história GRATUITAMENTE!