Zoo (parte 5 de 5)

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Capítulo XIII


A Ave sabia que a casa abandonada onde vira um dos meninos no telhado estava por ali, pelo menos era o que veio afirmando o caminho inteiro até encontrá-la. Ainda queria o dinheiro, o seu dinheiro, queria os três jovens de volta.


...


A porta estava arrombada.


Com a arma em punho, a Ave entrou lentamente. Tinha apenas duas balas, e as queria para a criatura; entretanto, se precisasse, o incômodo seria muito pouco em usá-las nos garotos, mesmo que eles só valessem algo com vida.


Uma bagunça lá dentro. Tudo pelo chão. E tinha... sangue?


Quê...? Um barulho no telhado fez a Ave parar. E ela ficou apenas olhando. Que diacho...? Era como se pequeninos pés andassem por lá. De repente, uma pedra quebra uma das telhas, e bate com força no chão. Pedras? Elas eram simultaneamente atiradas contra a casa. 



— TEM UM DELES AQUI! — Gritava Ni lá de fora. Ele havia visto Marcela, e estava tentando derrubá-la.


O som das telhas partindo-se, da garota desabando, das pedras, Ni estava atraindo muita atenção. A Ave queria ir logo embora, não era mais seguro ficar aqui. Estava sem paciência. Cadê os outros? A garota não respondeu. Então, a Ave deu-lhe uma coronhada.



...


Quando Marcela deu-se por si novamente, percebeu que estava com as mãos amarradas e com uma baita dor de cabeça e que... estava em movimento? Estava sendo carregada. Estava sobre o ombro de Ni. Olhou para o céu: já era de tarde. Ela sentia fome e sede.


Jogaram-na no chão. Anda! Ordenaram.



Os três fugiam, porém, a certeza de que não conseguiriam correr mais do que a noite estava sempre presente.


...


Com a lanterna, a arma, a mochila, com tudo o que eles haviam catado a Ave seguia na frente mantendo Marcela ao seu lado, mantendo os olhos sobre a presa.


As penas negras, o bico. Aquele homem estava novamente de máscara; pois, havendo ou não necessidade, ele preferia assim. Forçando Marcela a desviar o olhar, porque, toda a vez, aquilo lhe dava arrepios, fazia-a se lembrar de que seria consumida ali por um ou por outros dos tantos monstros.


A garota não conseguia ver o sorriso sob a máscara; se pudesse... isso não lhe traria maior conforto. O plano inicial havia se esfarelado, era no que apenas pensava Marcela: a Ave não queria mais o resgate.


Eles seguiam fugindo...


O plano agora era o seguinte: iriam andar até o esgotamento, depois subir numa árvore e esperar a manhã seguinte. Depois descer. Andar mais.

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