Zoo (parte 2 de 5)

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Capítulo VI


Tudo errado. Ia dar tudo errado. Esta era a única certeza de Ni.


Perdera alguns minutos ruminando se o melhor seria pegar a moto e voltar para a cidade. Era melhor sair logo dali, antes que a situação piorasse. Antes que aparecesse polícia. Os outros não iriam encontrar ninguém naquelas brenhas. Estava começando a escurecer e mesmo que encontrassem um dos garotos, teriam que levá-lo a pé para o esconderijo; a van não prestava mais. Para sentir-se mais certo disso preferiu não girar a chave, ligar o motor; o estado por fora em que ela se encontrava era o bastante: a van não prestava mais para nada. Mas e se os outros descobrissem que Ni estivera aqui, e não ajudou nas buscas, ou mesmo, não fizera coisa alguma p'ra tira-los daquele fim de mundo... O Cachorro era bravo, iria atrás dele, iria fazer um estrago, tiro!


Tiro?!


Seu coração dis... distorceu-se em pânico.


Não parecia distante. Ni pegou a arma e uma lanterna, e seguiu o som.


Mais tiros... Estava perto. Alguém gritou. Atingido? Silêncio. Mais três balas. Algo a correr pela mata. O que estava acontecendo? A noite tropeçara nessa parte do mundo há algum tempo. E Ni continuava a correr guiado pelos sons.


No meio das árvores, encontrou um dobermann baleado. O Cachorro era indiferente, feroz; mas o homem por trás da máscara estava ferido. Gania baixo, com medo, encolhido no chão. Ao seu lado, esquecida, a espingarda e muito sangue.


Ni, servindo como apoio, ajudou-o a se levantar. Era pesado. O Cachorro rosnou para ele, reclamou da dor, falou sobre um bicho, um bicho muito grande e rápido. E pediu insistentemente que a lanterna de Ni fosse desligada.


Agora, estavam andando às escuras para algum lugar.


...


— EEEI! — Uma voz prolongou-se no silêncio como a de uma ave de rapina, estridente; era de um dos sequestradores. — ALGUÉEEM?


Chamou mais algumas vezes; porém eles dois não gritavam de volta, não davam um sinal, por receio que o Cachorro tinha de algo ainda estar próximo.


Que deixassem o idiota gritando só.


Mas houve uma resposta um pouco mais adiante. Gato?


Alguns segundos depois: tiros. E em seguida: silêncio.


A noite estava ficando cada vez mais vazia por ali.



Capítulo IV


Armas em punho; três bípedes caçavam; perdiam-se na mata.


Respiravam o próprio hálito por sob as máscaras.


Passos à frente. Vamos... apareçam! Haviam perdido, não entendiam como, três valiosas presas.


O sangue quente, a raiva, o farfalhar das plantas, nenhum som era desprezado. Um Cachorro, uma Ave e um Gato. Passos à frente... passos atrás.



Capítulo VI


Algo por entre as árvores; o Gato foi quem primeiro viu aquilo. E foram as árvores que primeiro sentiram as balas.


Uma sombra veloz que urra; por enquanto, aquilo não passava disso.


Lá! Tiro. Ali! Parecia estar em todos os lugares, gritava de todos os lados, aquilo parecia ser uma legião de criaturas. Berrava; enquanto, os três cansavam-se tentando segui-lo.


Para não atrapalhar a visão, a máscara da Ave foi logo erguida; ele sabia que os garotos não estavam ali, haviam conseguido fugir, não existiam mais motivos de usá-la.


O Cachorro arrependia-se de não terem pegado as lanternas. Que bicho será esse? A espingarda pronta, à espera. Será gente? Ele dava poucos passos ao contrário dos outros dois, vasculhava os arredores e quase não atirava; o Cachorro estava atento, de guarda.


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Capítulo VII


O Gato era o mais inquieto. Atirava quase ao léu, e bala após bala caiu um grito frouxo de dor à sua frente; acertou? Lá estava no chão... uma massa encoberta pela noite: um corpo gemendo. Vivo ainda! Aproximou-se, queria ver melhor o que abatera e dar mais alguns tiros para garantir. Inflou-se de orgulho. Seria uma onça? Tinha onças por ali, não tinha? Não sabia ao certo. Talvez não conseguisse levar todo aquele bicho estranho consigo, mas a cabeça já seria o bastante. Um troféu perfeito. Iria mostrá-la por aí; e para qualquer um que não perguntasse, ele aumentaria a história várias vezes.


Havia uma espingarda ao lado do corpo... estava vestido, e usando uma máscara de Cachorro. Errara...! Uma sombra avolumou-se à sua frente.


Tiro. Tiro. Enquanto a Ave descarregava a arma naquilo, o Gato fugiu.


A criatura passou por cima do corpo do Cachorro. Não, não, não... Tiro. Aproximava-se. Irritada. O som do gatilho inútil não era a única coisa naquele silêncio.



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Se você souber que criatura é essa: fala aí nos comentários ;P

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