SESSENTA PARTE QUATRO: NICHOLAS

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DUAS SEMANAS DEPOIS

Não houve avanço nenhum na situação do Lorenzo, de modo que todos os dias, ele chorava enquanto estávamos a sós nos fundos do colégio, isso estava me atingindo cada vez mais e eu já não sabia lidar com a situação embora o meu coração pedisse para que eu continuasse ali e não desistisse de tentar ajuda-lo como eu estava ajudando.

Se eu aprendi uma coisa, é que em momentos difíceis é que as pessoas boas aparecem — ou as verdadeiras permanecem —, foi exatamente o que aconteceu comigo quando passei pela situação conturbada com o Derek, quando tudo aconteceu, o Lorenzo apareceu e ficou comigo, ele escutou os meus dramas todos os dias, aguentou o meu choro por ligação todas as noites e nunca, nunca mesmo, desistiu de mim.

Eu não poderia — e não iria — desistir dele.

— Eu já te falei, não falei? — ele questiona, estou sentado entre suas pernas, com as costas em seu peitoral que está escondido pela camiseta em cor vinho. Ele faz carícias em meus cabelos e aquilo me deixa com um sorriso manhoso nos lábios.

— Outra vez esse assunto, Lorenzo? — eu questiono enquanto mexo em seus dedos avermelhados e machucados por socar a parede de casa semanas passadas. Ele estava tentando a todo custo sentir a dor dessa perda da forma mais intensa.

— Eu quero, Nicholas. — agora ele enrola um dos meus fios de cabelo em seu dedo da mão livre. — Eu quero ir embora, eu quero me aventurar por ai, venha comigo.

— Eu não posso deixar tudo assim, sem mais nem menos. — tento explicar outra vez embora já tenhamos entrado nesse assunto várias e várias vezes durante a semana. — Eu não posso ir embora sem saber o que eu quero da minha vida, entende? Eu quero me descobrir, eu quero.. eu quero conseguir respirar por um bom e longo tempo e então escolher um caminho para mim.

— Eu não quero continuar aqui. — ele para com as carícias em meus cabelos.

— Eu te amo. — eu uso aquelas três palavras de extrema importância para mim. — Mas eu não te seguro se você quiser ir. — agora eu paro de acariciar seus dedos. — Eu vou entender se você partir, mas eu não posso e não vou com você, me desculpe.

**

Após a conversa que tive com o Lorenzo ele me prometeu que iria pensar um pouco mais sobre a vontade de arrumar as malas, pegar o máximo de dinheiro e sair por ai em seu carro sem destino algum, ele me garantiu que isso seria uma terapia para que coisas piores não acontecessem agora que eu estava controlando o seu consumo de cigarro de todas as formas possíveis.

— Ele está mal, não está? — Mia pergunta após se sentar do meu lado na mesa do refeitório, agora que as provas finais acabaram não tínhamos mais nada para fazer além de estudarmos nossos cursos para ganharmos uma pontuação extra e talvez conseguir uma boa faculdade. Eu continuava no teatro, a Alison havia entrado no curso de leitura e arrastado a Mia, a Kimberly estava fazendo parte do jornal do colégio que pouca utilidade tinha já que o site da ZaCo sempre trazia as melhores notícias e o Michel, bom, era o Michel e estava no grupo da tecnologia e computação.

— Demais. — eu respondo após engolir um pedaço da minha maça. — Ele me garantiu que não demoraria, só quis fazer uma visita ao pai e então tentaria voltar para cá, não acho que ele volte e não acho que eu deveria ter deixado ele ir sozinho. — desabafo. — Ele continua com aquela ideia de ir embora.

— Você deveria acompanhar ele, Nicholas. — a Alison desvia o olhar dos seus papéis de anotação, ela estava desenvolvendo uma história há algum tempo mas só agora nos contou sobre o projeto extremamente secreto que ninguém podia tocar ou pensar em dar uma olhadinha porque isso deixava ela furiosa. — Ele te ama, você ama ele. — ela continua. — As vezes é preciso fazer sacrifícios por amor.

Depois do Ritual (Romance Gay)Leia esta história GRATUITAMENTE!