SESSENTA PARTE DOIS: NICHOLAS

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Eu jurei para mim mesmo que só havia aceitado a mão do Derek porque eu realmente havia sido um filho da puta dando um murro em seu nariz, embora ele tenha sido um filho da puta fazendo o que fez comigo. Ele me afastou, ele preferiu a Yuna e ele ferrou com tudo e qualquer coisa que ainda poderia existir em meu coração.

Após o blackout eu deixo ele me guiar para o quarto que também está escuro e após ele trancar a porta, acende a lanterna do seu celular e nos guia até uma cama de casal com estampas florais em seu edredom. Eu me sento, e então ele fica de pé à minha frente com o celular em mãos.

— Eu.. — ele começa. — Eu tive uma conversa com a minha mãe e talvez eu tenha percebido o quão injusto eu fui com você e com os sentimentos que eu talvez sinta, quero dizer, eu amo a Yuna? — ele se questiona. 

— Já podemos parar por aqui, eu não quero ouvir as suas bostas, guarde-as para si mesmo, eu cansei desse jogo, você acredita? — meu tom de voz é rígido.

DEREK

— Não, Nicholas. — eu insisto, meu braço já está começando a doer por segurar o celular naquela posição, com a luz em seu rosto, o que faz seus olhos azuis ficarem bem mais clarinhos e os seus cabelos castanhos também. — Eu vou falar e você vai me ouvir. — minha decisão é desligar a lanterna e guardar o celular em meu bolso novamente, é isso o que eu faço, e então eu me sento do seu lado naquela cama que não sabemos de quem é e a única luz que entra no local é fraca, ela vem da rua. — Como eu já disse, talvez eu tenha sentido medo de demonstrar os meus sentimentos por você e talvez eu tenha ficado um pouco indeciso entre você e a Yuna, o fato é que eu realmente amo você. — eu tento olha-lo na escuridão.

— Aham. — ele responde.

— Eu realmente amo. Eu amo você mas eu amo ela também, Nicholas. Você consegue sentir o quão ruim isso é? A verdade é que eu quero ter ambos mas não posso e acabei escolhendo a Yuna por ficarmos tão próximos quando ela precisou de mim e agora, talvez, esse sentimento esteja mais forte por ela, entende? — eu procuro sua mão na cama e quando encontro tento entrelaçar nossos dedos mas ele não permite isso.

E então eu respiro fundo.

— Não me afaste. — eu peço.

— Por que não? — ele responde. — Você me afastou, se lembra? Você me tratou como se eu fosse um lixo quando todo o meu amor era somente seu e tudo o que eu queria era ficar envolvido em seus braços por todos os dias da minha vida mas você escolheu ela ao invés de mim e isso doeu tanto, Derek, doeu e ainda dói, dói muito.

Eu queria dizer que as suas palavras estão me machucando mas isso iria desencadear a terceira guerra mundial porque quando se trata de drama, o Nicholas sempre consegue ser o rei, ele sempre consegue o papel principal.

— Me perdoe, Nicholas. — eu peço. — Me perdoe por destruir tudo e te dar esperanças de algo que não aconteceu, eu quis, juro que quis, mas eu tive medo.

— Vá embora, Derek, por favor. — e novamente suas palavras me cortam.

— Deixe eu te beijar. — em algum lugar na escuridão eu consigo encontrar o seu rosto e então meus dedos tocam o seu queixo e vira o seu rosto para mim. — Apenas um beijo, o último beijo. — eu reforço meu pedido. — E então eu te garanto que isso estará acabado entre nós dois.

Quando a sua resposta não vem, minha língua vai procura-la. Eu estava com saudades daquilo, daquele seu sabor tão bom, do seu movimento de lábios que se encaixavam perfeitamente nos meus e daquela sintonia que tínhamos enquanto nos beijávamos como se entendêssemos daquilo que precisávamos.

Só me dou conta do perigo quando estou com o Nicholas em meu colo, chupando meu pescoço enquanto eu aperto a sua cintura com força enquanto seus movimentos me leva a uma excitação maravilhosa, eu não me importo em chegar em casa marcado e não me importo com os comentários da Yuna dessa vez.

— Não pare. — eu imploro em sussurro, embora ainda estivéssemos completamente vestidos, aquilo estava gostoso demais. — Por favor, me beije mais e mais.

Ele atende meu pedido, e um novo beijo é dado em meus lábios.

— Isso é tudo. — ele diz após chupar meus lábios e puxa-los para si. — Anote essa data, hoje aconteceu o nosso último beijo e isso é culpa sua, eu espero que você se arrependa dos seus atos por todos os dias da sua vida. — seu corpo já não está colado no meu e eu já não sinto o seu movimento em meu colo, quando a porta se abre, eu não vejo nada lá fora, o escuro continua e ele some dentro dele.

NICHOLAS

Eu não posso admitir para ele, mas aquele beijo me deixou com as velhas borboletas no estômago, se eu pudesse compara-lo com o beijo do Lorenzo, ambos estariam na mesma escala, talvez o Lorenzo estivesse à frente só um pouquinho por conta daquele velho sabor do álcool barato que me deixava tão louco para beija-lo mais e mais.

O escuro ainda continua mas a música permanece alta, a música que toca é um remix de Wolves da Selena Gomez e vez ou outra eu me esbarro em algum casal enquanto tento caminhar em direção a porta enquanto o meu coração permanece acelerado e a minha cabeça em um bilhão de pensamentos em relação ao Derek.

Quando finalmente consigo sair, após insistir para o segurança que eu precisava de um pouco de ar, eu pego o meu celular e disco aqueles números que já conheço tão bem e espero o Lorenzo anteder.

O telefone chama uma vez, chama duas.

Três, e na quarta ele atende.

Nicholas. — sua voz está estranha. — Eu preciso de você aqui e agora, por favor. — tenho a impressão de ouvi-lo fungar, como se estivesse chorando.

Lorenzo, o que aconteceu? — eu pergunto enquanto caminho por aquele gramado da casa do Bryce que só está iluminado graças as luzes dos postes.

O meu pai está indo embora. — ele suspira. — Ele está morrendo. 


Depois do Ritual (Romance Gay)Leia esta história GRATUITAMENTE!