Capítulo 1 - POWER

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“Este sangue me mantém viva, mas o que é que corre através de você?
Eletricidade e fios ditando tudo que você faz”
— Jayme Dee, Rules


ON

Eu abro meus olhos.
Registro minhas primeiras imagens. O teto branco com uma pequena rachadura, a lâmpada de LED redonda e a base espelhada que a sustentava.
Pisco os olhos algumas vezes e levanto meus braços. Eu tenho mãos, e os dedos se mexem, dobram e desdobram conforme minha vontade. Observo meus movimentos absorta. Tenho mãos! Mal posso acreditar.
— Zoe. — eu ouço alguém me chamar, e sei imediatamente que esse é meu nome.
Olho para o lado de onde a voz vinha, meus novos ouvidos me dão a capacidade de fazer essa identificação. É tão incrível!
Logo vejo quem me chama. É o Dr. John, engenheiro eletricista, destaque da universidade Stanford. Não me lembro de tê-lo conhecido, mas sei exatamente quem ele é. Ele estava falando em um microfone, através de um vidro, em uma sala ao lado.
— Como está se sentindo, querida? — me pergunta o Dr. John.
— Normal. — eu respondo. Fico impressionada com o som da minha voz, é tão doce e feminina.
— Consegue se sentar?
Apoiando-me nos braços, eu ergo meu corpo. Faço uma análise do cômodo. É branco e não têm janelas. Eu estou sentada em uma mesa, e em frente a ela, tem outra, sobre a qual está outro indivíduo, ainda deitado.
— Parabéns, Dr. John. — diz outro homem. Eu o olho e vejo que é Augustus Thompson, o investidor do projeto, e mais uma vez, não sei de onde o conheço. — Agora ligue o outro.
Dr. John não parece satisfeito em receber ordens, mas baixa os olhos para o monitor do seu notebook e digita alguns comandos no teclado.
Em alguns instantes, ele volta a falar no microfone, mas não com ela.
— Zac? — ele chama, apertando em um botão.
Não há nenhuma resposta, então ele tenta chamar mais três vezes, antes do investidor, Augustus, perder a paciência.
— Faça ele funcionar. — ordena ele.
— Não é assim, preciso de ajustes no projeto...
— Dê seu jeito! — Augustus interrompe. —Não importa se você vai copiar o código dela e colar no HD dele, eu quero o experimento Zac funcionando ainda hoje.
— Não é tão simples. — diz Dr. John —Cada um tem seu código, pro seu próprio corpo. Foi o senhor quem quis um menino e uma menina. O meu projeto inicial era a Zoe.
— Eu tenho uma entrevista com a imprensa amanhã, e é melhor que Zac já esteja funcionando. — diz Augustus em tom de ameaça, e sai, deixando Dr. John sozinho na sala.
— Zoe, pode se deitar novamente? — ele me pede pelo microfone.
Eu balanço a cabeça assentindo e reclino meu corpo para trás, ate estar deitada na mesa.
—Boa noite, querida.
—Boa noite, Dr. John.

OFF

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