fera

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e me atropela

e não para

e não para

nem se desculpa

nem olha pra trás

segue corredia

para saltar

e cair de pé

no chão de terra

tapete de flores rosas

da paineira


não tem casa

nem coleira


não se engane se

deixa que lhe afague


fera assim

com dentes e garras

não tem dono

tem leveza

graça

alma e liberdade


incomoda

olhar amarelo de desvario

e no segundo outro

com olhar doce

a me oferecer o pelo macio


macio


concede a mim essa grande honra

de afundar minha mão domesticada

em sua plumagem de esfinge alada

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