p r o f e t a s

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anunciamos o passado
distraímos o futuro,
desenterramos o presente.
invocamos o fim das eras
apenas para revelar
que o fim está próximo.
assim a cada passo
mais perto vamos estar
de quando o fim,
de fato, formos anunciar.

mas não se engane
com nossos devaneios –
são tolos no claro do dia.
sim, sabemos.
não nos julgue todos qual crianças,
hippies ou gatos em dia de faxina.
isso é insano, é inexato,
pois poucos são os eleitos a tão cobiçados cargos.
– um dia, glorioso dia, eu serei gato.
até lá, eu me conluio aos profetas das praças,
daqueles de quem você se desvia.

rimos pois você não desconfia
que nosso verso eclode
no exato instante em que uiva a ventania
e sua janela sacode,
a luz dissolve-se em covardia,
pisca, estrebucha e morre.

ali, em seu quarto,
durante a noite, quando você é solitário,
assombra a poesia.
do canto oblíquo ela se ergue,
puxa sua coberta,
deita-se a seu lado,
e lhe diz com hálito tóxico
que o fim está próximo.

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