Capítulo 9

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   Kellen continuou a desenrolar cordas e massagear o corpo de Lindsey muito tempo depois dela ter adormecido. Podia sentir o olhar perturba-do de Owen sobre ele, mas fingiu que ainda estava trabalhando para terminar seu ritual. Quando isso se tornara uma forma de estar mais perto de seu melhor amigo? E por quê seus melhores orgasmos sempre eram pelas mãos dele? Não se sentia atraído por Owen. Não ficava excitado quando ele estava perto dele ou nada disso. Tinha que ser uma resposta completamente sensorial de seu corpo. Nada emocional relacionado com isso. Deveria dizer para Owen ou apenas manter esses pensamentos para si?

   - Quero um pouco de chocolate quente. - Owen disse. - Você pode acabar isso sozinho?

   Kellen obrigou-se a olhar para Owen. Esperava que seu sorriso não parecesse tão forçado como ele o sentia.

   - Sim, estou bem. Está quase terminado. A menos que você queira retirar dela, o plugue anal para mim.   

   Owen sorriu e Kellen deu um suspiro forçado. Não tinha percebido como seu peito estivera apertado até o sorriso fácil de Owen melhorar seu estado emocional.

   - Soa como um trabalho para Adam. - Owen falou. - Ele é o único que ama bundas.

   Kellen realmente não queria tornar as coisas estranhas entre ele e Owen. Mesmo que para isso tivesse que ter orgasmos menos intensos feitos por sua própria mão.

   Teria que parar de incentivar Owen à tocá-lo. E em troca, também teria que parar de tocá-lo. Era assim que teria que ser.

   - Você pode chamar o Adam aqui se quiser. - Kellen falou.

   Owen negou com a cabeça.

   - Você não está atraído por mim. Está?

   Seria melhor deixar Owen colocar tudo para fora. Pôr as coisas ás claras. Kellen negou.

   - Não. Sinceramente, nunca penso em você como um estímulo sexual.

   Owen soltou um suspiro profundo.

   - Obrigado Deus. Eu também não penso em você desse jeito. Por que então... por que nós dois gozamos tão forte assim. Eu só gozo desse modo quando você me masturba.

   - Mãos fortes?

   - Eu acho. - Owen disse assentindo. - Os outros caras não sabem sobre isso, não é?

   - Não, a menos que você lhes diga.

   - Posso guardar segredo, se você puder.

   - Sim, mas ela pode?

   Ambos pararam a massagem para observar a garota adormecida. Ela parecia tão inocente no sono. Tão exausta. Kellen sentiu uma renovada agitação em sua virilha. Uma que ele absolutamente não sentia quando pensava em Owen. Foi um alívio, mas se sentiu um pouco esquisito a respeito disso. Provavelmente teria se sentido um pouco menos, se ao gozar na mão do melhor amigo, Owen estivesse atraído por ele. Pelo menos, então não faria sentido.

   Ele simplesmente não conseguia deixar uma mulher fazê-lo gozar. Não ainda. Provavelmente devia seguir em frente com sua vida. Encontrar alguém para amar. Sara teria querido isso para ele. Ela dissera-lhe, na última vez que fizeram amor. Desde então, a última vez que ele fizera amor.

   - Você está pensando sobre ela de novo. - Owen disse.

   Kellen engoliu o nó na garganta e voltou sua atenção para massagear a mão de Lindsey. Ela suspirou no sono e seu coração se aqueceu. Deseja-va que pudesse amar alguém como ela. Que pudesse amar alguém. Seis anos fora tempo suficiente para chorar por Sara. Era muito mais tempo do que tivera com ela.

   - Acho que ela sempre vai estar aqui. - Kellen disse. - Sara.

   - Tenho certeza que é por isso que você não a deixou fazê-lo gozar, sabe. - Owen relanceou os olhos para o sexo depilado de Lindsey. - Represou o castor  com seu pau.

   A testa de Kellen franziu.

   - Isso não faz muito sentido, Owen. Não se represa castores.

   Owen soltou um riso.

   - Eu sei.

   Kellen ainda podia sentir o doce gosto da buceta de Lindsey, e sim, as coisas lá embaixo estavam definitivamente se agitando com a ideia, mas não queria entrar em seu corpo bem torneado. Ser envolvido por seus braços. Se mover dentro dela,olhar para baixo em seus grandes olhos azuis, porque mesmo que Lindsey se assemelhasse a Sara, ela não era Sara. Ela nunca poderia ser Sara. Sara estava morta.

   - Eu tenho todos essas ideias fodidas na cabeça. - Kellen murmurrou.

   - Ei, está tudo certo. Ninguém sabe, além de mim. - Owen falou.

   Kellen riu entredentes.

   - Acho que isso é algum consolo.

   - Talvez se você tenta-se de novo, conseguiria fazer dessa vez. Ao invés de pensar na Sara, enquanto fode a garota, podia pensar na minha mão.

   Owen levantou as sobrancelhas sugestivamente contorcendo os dedos para ele.

   - Eu sei o quanto isso te excita.

   Kellen poderia ter se ofendido se não soubesse que Owen estava brincando com ele. Riu ainda mais.

   - O quê? Você está cansado de ter que me fazer gozar, Owen?

   - Não, contanto que você retribua.

   O rosto de Owen abriu em um sorriso largo.

   - Somos uma dupla de malditos pervertidos, não somos?

   - Ei, só quero tudo o que seja bom e Deus sabe que preciso de prazer.

   - Agora estou realmente pronto para um chocolate quente. Você quer um pouco?

   Kellen sacudiu a cabeça.

   - Vou daqui a pouco. Preciso de alguns minutos para colocar minha cabeça no lugar.

   Owen ergueu-se da cama e enfiou o jeans.

   - Vou apoiar você nisso. Mas não deite de volta aqui, pegue uma garota que você não conhece quando estiver se sentindo deprimido e solitário.

   Kellen riu baixinho. O homem conhecia-o muito bem. Nem sabia o que faria consigo mesmo sem Owen em sua vida, lembrando-o de se manter vivo. Ou tentar.

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