Capítulo 8 - Lembranças

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Saio da casa de papai e não avisto o carro de Jeremy. Meu pai pegou pesado quando o chamou de assassino, quando cutucou feridas que machucam. Enxugo minhas lágrimas e entro em meu carro. Dirijo até em casa, sentindo como se meu coração estivesse sangrando.

Mamãe, provavelmente, não voltará para casa hoje. Ela e meu pai terão uma conversa longa e massante.

Para ser sincera, minha vontade era pegar meu filho e meu marido e sair dessa cidade. Porém, se eu fizer isso, alegarão que estamos fugindo da acusação. Eu só quero ter paz, poder ter o que tínhamos antes. O elo que nos unia já não existe mais. Isso é triste.

Assim que chego em casa, passo no quarto de Rick e checo se tudo está bem. Ao ir para o meu quarto, noto a cama vazia, não há barulho no banheiro também. Pego o celular e disco o número do Jer, suspiro pesadamente ao ver o aparelho tocar em cima da cômoda.

Inúmeros pensamentos passam pela minha cabeça. O pior deles foi há anos atrás, quando Jer bebeu demais e traiu-me com Frida Potter. Talvez, a pessoa que está tentando nos afetar sequestrou Jeremy.

Ligo para mamãe e explico que Jer sumiu, mas peço pra ela não comentar nada com papai. Deixo Jeff em alerta, peço pra ele ficar no quarto do Rick, cuidando de meu menino enquanto ele dorme.

Pego o carro e saio pelas redondezas da casa, vou até próximo da casa de meus pais e nem rastro de Jeremy. Poderia acionar a polícia, mas eles diriam para eu aguardar vinte e quatro horas.

Minhas buscas foram até às duas e meia da manhã. Voltei para casa, dobrei meus joelhos e orei. Uma oração regada a lágrimas de medo. Eu não preguei o olho um minuto sequer. Já são cinco e meia da manhã.

Meu coração acelera quando uma figura conhecida surge na porta. Corro até Jer e abraço-o com todas as forças. Ele retribui o abraço da mesma forma. Afasto-me alguns centímetros e analiso-o, checando se está tudo bem. Cuidadosamente, Jer enxuga as lágrimas de minha face.

— O que aconteceu? Estava morrendo de preocupação.

— Eu precisava ficar sozinho. Pensar um pouco.

— Pensar? Ficar sozinho? — não escondo o espanto, a decepção. — Poderia ter avisado, Jeremy! Eu fiquei horas andando de carro procurando você, liguei e você não atendeu. Fiquei apavorada, O'Connor.

— Desculpa, mas estava de cabeça quente.

— Todos estávamos de cabeça quente. — seguro-me para não gritar.

Se Jer queria ficar sozinho, iria respeitar, mas ele poderia ter avisado. Assim, pelo menos poderia dormir tranquila.

— Sarah, o mundo está desabando em cima da nossa cabeça. — sua voz aumenta.

— Fala baixo que o Rick está dormindo.

Jer suspira pesadamente.

— Não há nada que prove a minha inocência, a minha irmã está contra mim. — ele está a ponto de explodir.

— E eu? — crispo os olhos. — Sua irmã pode estar contra você, mas fiquei contra meu pai pra ficar ao seu lado. Mamãe e tia Lauren ficaram contra seus maridos porque acreditam em você.

— Não muda o fato de que posso ser condenado.

Suas palavras soam como se eu não importasse, como se o fato de estar ao lado dele seja insignificante. Sinto uma lágrima rolar, junto de uma dor no peito.

— Bom saber que não faço diferença pra você.

— Seu pai me chamou de ladrão e assassino. Desculpa se eu não lido tão bem com tudo isso.

Indelével | spin-off de Contrato de AmorOnde as histórias ganham vida. Descobre agora