CINQUENTA E NOVE PARTE DOIS: DEREK

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ALGUNS DIAS DEPOIS

O meu primeiro pensamento do dia é no Senhor Mousequi e no quanto ele estava interessado em assinar o contrato comigo, após a conversa que tivemos, em que meu pai ficou à frente de tudo o tempo todo, eu estava mais esperançoso do que nunca para que tudo isso acontecesse.

Minha mãe também havia recebido a notícia, e isso deixou ela extremamente feliz, tanto é que assim que ela retornou da viagem com suas malas e mobílias — que haviam chegado uma semana antes —, ela trouxe consigo diversas coisas de futebol, inclusive uma bola autografada por alguns jogadores que ela conseguiu comprar no eBay

E como se tudo não pudesse dar mais certo ainda, a minha situação com a Yuna estava incrível e eu aparentemente estava me saindo muito bem nas provas, o final do ano estava com os pés na estrada, e ele não estava respeitando os limites.

Eu estou sentado na banqueta da cozinha enquanto minha mãe prepara o café da manhã, seria ovos mexidos e waffles, ela estava viciada nisso desde que começou a maratonar a segunda temporada de Stranger Things comigo e com a Yuna.

— Último dia de provas. — ela diz após se virar e então servir o meu prato enquanto eu chego as mensagens no meu celular. — Espero que você tenha uma boa sorte e quero que você venha para casa logo depois de terminar, vamos começar a organizar as coisas para o Halloween.

— Prometo vim. — respondo após um gole no café quente e então dou lugar para as garfadas no waffle, enquanto o Bryce me envia uma nova mensagem.

Bryce: Hoje é sexta, dia de festa! Espero vocês para o meu halloween e não aceito desculpas, tragam seus convidados, faremos uma noite foda e os quartos estão liberados para todos.

A mensagem é lida e ignorada com sucesso, eu não estava disposto para festas, mas se a Yuna quisesse — e eu sabia que ela iria querer —, eu teria que participar dela.

**

Desde o dia da briga, o Nicholas tem evitado todo o contato comigo e agora ele desvia seus olhares, troca de corredores, evita falar com pessoas do time, não retribui minhas curtidas em suas fotos e até apagou algumas delas do seu feed no instagram, eu estava achando aquela situação ridícula demais, estava infantil demais.

Eu me peguei pensando nele diversas vezes durante a semana, eu sentia saudades do que éramos antes e lá no fundo, o meu peito apertava e clamava para que voltássemos a nos falar outra vez, mas eu sou orgulhoso e ele também é, isso não vai acontecer até que um de nós dois decida ceder à esse sentimento que eu já não sei explicar qual é. É amizade ou é um amor? E se for amor, ele realmente está no nível que eu acho que está?

Eu me arrisquei pelo Nicholas, eu fiz querer dar certo e logo depois eu voltei atrás porque eu tinha e ainda tenho medo disso não ser o certo para mim, até a minha mãe sacou o que estava acontecendo, e com a sua aceitação, eu acho que tive medo do que o resto do mundo poderia pensar também. Se eu fiz questão de tê-lo, por que eu mesmo fiz ele partir, por que eu afastei o Nicholas se algo dentro de mim queria deixa-lo o mais próximo possível?

E é nessa duvida que eu sigo enquanto caminho, enfrentando o sol quente e o clima abafado enquanto meus pensamentos me fazem questionar se o meu amor é dele ou da Yuna, a quem meu corpo pertence de verdade.

Nos meus fones toca uma música qualquer de uma playlist qualquer que eu encontrei no spotify, mas no segundo aleatório eu percebo que aquela havia sido uma playlist que ele havia me indicado, porque três de suas músicas favoritas já havia passado por meus ouvidos e atravessado o meu coração.

Depois do Ritual (Romance Gay)Leia esta história GRATUITAMENTE!