CINQUENTA E OITO PARTE DOIS: NICHOLAS

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Depois de comermos os sanduíches, bebermos metade das garrafas de cola e lermos algumas revistinhas, Lorenzo e eu estávamos deitados lado à lado no tapete branco da casa na árvore.

— Eu queria perguntar sobre uma coisa, mas talvez isso seja inapropriado para o momento. — minha voz falha, e então eu olho para ele.

— O que é? — ele também olha para mim, com seus olhos incrivelmente verdes.

— Como está o seu pai? — permaneço olhando em seus olhos, esperando por uma resposta que demora para vim.

Ele desvia o olhar, respira fundo e então se senta, encostando as costas na parede da casa.

— Quer que eu seja sincero? — novamente ele me olha nos olhos. — Ele está péssimo, e embora os médicos digam que devemos ter esperanças, eu já estou quase desacreditando.

Eu me levanto também, e rapidamente me sento do seu lado. As palavras pesam, e embora eu também esteja com problemas, o dele é bem maior.

— Você não pode desacreditar, Enzo. — eu procuro a sua mão e quando acho, entrelaço meus dedos nos seus. — Você tem que ser forte por ele, você tem que continuar firme.

Ele não me responde, apenas encosta a cabeça em meu ombro e solta um longo suspiro.

Eu não sei como agir em momentos assim.

**

Se não fosse pela mãe do Lorenzo nos chamando para descer da casa da árvore por estar tarde demais, nós dois teríamos passado toda a noite ali, conversando, trocando conselhos e deixando todo o mal e toda a dor que habita em nossos corações para trás, eu havia feito o que ele me pediu, eu só levei coisas boas quando subi, e agora, aqui embaixo, parece que todos os meus medos se multiplicaram e se tornaram mais fortes, prontos para me devorar assim que eu fechar meus olhos.

— Eu não quero dormir. — estou deitado em sua cama, com ele do meu do meu lado, e essa é a primeira vez que isso acontece, na anterior eu havia dormido no quarto de hospedes.

— Você não precisa dormir, a gente pode ficar conversando ou.. podemos assistir alguma coisa na tevê, o que você sugere? — ele questiona após bloquear a tela do celular e se virar para mim. Está contando as horas, e pelo o que eu consegui ver, são 23:43pm.

— Você não vai querer saber a minha sugestão. — há um pouco de malícia em minhas palavras, e eu acho que ele percebe isso porque o sorriso que se forma em seus lábios é maravilhoso.

— Estamos em clima para isso? — ele questiona. — Depois de tudo o que aconteceu hoje com você e o seu amigo, estamos bem para avançarmos assim? — ele permanece me olhando, e talvez ele tenha se confundido com as minhas palavras, eu não quero avançar, só quero beija-lo.

E é isso o que eu faço quando ele termina de falar.

Novamente meus lábios estão próximos dos seus, e novamente ele não recusa. Lorenzo me envolve em seus braços e então o sabor das balinhas de menta que comemos mais cedo invade minha boca enquanto nossas línguas decidem brincar.

"Eu estive esperando a noite toda, procurando seus faróis, eu sei que somos estranhos, mas eu largaria tudo por você, vou aonde quer que você queira ir, eu nem preciso saber de verdade se o meu coração está em perigo porque enquanto você for o motorista, eu serei a sua carona."

Não estávamos ouvindo nada, mas essa música, Hitchhiker da Demi Lovato, estava em minha cabeça nesse momento, e eu realmente queria me perder. Eu queria me perder em seus lábios e em todo o resto do seu corpo, eu queria que ele me conduzisse e me levasse até o meu extremo.

Depois do Ritual (Romance Gay)Leia esta história GRATUITAMENTE!