Estilo #14 - O bom narrador

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Em Estilo #13, conversamos sobre dois grupos literários que insistem em se antagonizar, mesmo quando a oposição não seja consciente, nem necessária. Um deles defende a importância do enredo. O outro, a linguagem.

Ainda naquele capítulo, discutimos sobre um terceiro caminho, a busca pelo equilíbrio entre linguagem e enredo, e das dificuldades para encontrar este equilíbrio (o tempo muito maior para escrever o livro e redução na velocidade da narrativa).

Para contornar uma parte destes problemas, podemos fazer o uso do narrador.

O bom narrador é aquele que não precisa contar tudo para ser entendido, nem perde atenção quando a velocidade da trama diminui. Ele é aquela pessoa que é interessante mesmo nos assuntos mais monótonos. Que traz graça à piada insossa.

De fato, a grande característica de um bom narrador é ser interessante para o leitor.

Creio que todos nós já lemos narradores divagando sobre coisas aparentemente sem importância no meio de uma sequência empolgante. Maus exemplos não faltam, mas Dom Casmurro é um ótimo exemplo desse narrador. Ele entra e sai de divagações a todo o momento, muitas vezes postergando a conclusão de uma cena.

Isso cria uma mudança repentina na velocidade da trama, trazendo riscos à evolução da história. Para todas os mandamentos da escrita, é um crime, um verdadeiro quebra-clímax e deve ser evitado a todo custo. Mas quando é bem feito é genial.

Infelizmente, não há receitas para criar um ótimo narrador. E é isso que o faz tão bom. As regras não se aplicam a ele, que vai quebrá-las. Mesmo assim, eu deixo duas dicas:

O primeiro passo para criar um bom narrador é ter a preocupação constante em criar um bom narrador. Parece óbvio, mas poucos mantém essa preocupação no meio do livro. Um escritor deve sempre se perguntar em como deixar o narrador mais interessante. E se a sua história é em primeira pessoa, uma preocupação não é suficiente, tem que ser uma obsessão.

Imagine que você criou um enredo empolgante, cheio de reviravoltas, com uma linguagem tão elegante quanto simples. Agora imagine essa história sendo contada aos seus leitores por uma pessoa irritantemente chata. Só cabe a você permitir que isso não aconteça.

A segunda dica é estudar sobre o carisma humano. Eu, por exemplo, costumo assistir o canal Charisma on Command (youtube). Deixo o link nos comentários. 


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