CINQUETE E SETE PARTE UM: DEREK

865 107 123

Em um minuto ele estava aqui comigo, e no outro, ele havia ido embora e o meu nariz estava doendo e sangrando.

Todo o vestiário parou para assistir a situação, e ninguém reagiu quando o Nicholas socou o meu nariz com a força que eu jamais poderia ter imaginado que ele tinha. Eu estava me perguntando o motivo disso, o meu amor pela Yuna não poderia ser usado como uma desculpa, nós dois sabíamos que uma hora isso daria errado.

E então eu vou atrás dele.

— NICHOLAS! — eu grito, enquanto caminho em sua direção e ele me ignora, se sentando no meio-fio e abaixando a cabeça, a mão que ele usou para me socar também esta vermelha, sangrando. — Nicholas, eu estou falando com você, caralho. — talvez eu tenha alterado o meu tom de voz, mas o sangue escorrendo pelo meu rosto e o calor percorrendo o meu corpo estava me deixando descontrolado.

— Some da minha frente, Derek. — ele pede, levantando a cabeça para olhar em meus olhos. — Eu só quero que você suma da minha vida. — seus olhos estão repletos de lágrimas, e por algum motivo, suas palavras me cortam.

— Você não pode ficar estressado comigo só porque eu disse que escolhi a Yuna. — eu tenho medo da sua reação ao ouvir isso, mas ele permanece sentado, me olhando e deixando as lágrimas rolarem por seu rosto.

Ter escolhido a Yuna foi uma decisão difícil. E como eu já sabia, um dos dois sairia magoado dessa relação, e eu sinto muito que tenha sido o Nicholas. Eu o amo, não nego, mas o nosso amor não existe de outra forma, e infelizmente nós estragamos a amizade.

— Nicholas. — eu torno a tentar, me aproximando dele e então me abaixando à sua frente. — A gente não pode jogar anos de amizade fora por causa de um desafio idiota, você realmente quer fazer isso?

— Amizade? — ele ri com sarcasmo e o meu nariz dói. — Ainda existe uma amizade entre nós dois, Derek? Porque eu não me recordo disso, você estragou tudo, você destruiu tudo. — ele aponta para mim com o indicador, a mão vermelha, o sangue escorrendo. — O problema não é você ficar com aquela vadia inútil, o problema é você ter me dado esperanças e depois ter quebrado o meu coração, esse é o problema. — ele se levanta e eu também faço isso, ficando cara à cara com ele. — Não existe amizade entre nós dois, Derek, acabou, acabou tudo.

— Você está se precipitando demais com isso, Nicholas. — eu tento intervir. — Você está ouvindo o que você está falando? Você é tão egoísta assim mesmo? — é quase impossível não rir. — Eu não acredito que eu fiz amizade com alguém como você.

Ele não me responde outra vez, sequer me da outro soco, apenas fica parado ali, me olhando, com a mão escorrendo sangue e os olhos escorrendo lágrimas. Quando eu dou as costas para ir embora, eis que mais dois seres desprezíveis aparecem, o primeiro é o Adam, e o segundo é o seu acompanhante, o Lorenzo.

— O que aconteceu aqui? — Adam diz enquanto o outro garoto apenas olha feio para mim e segue atrás do Nicholas que agora está sentado outra vez, de cabeça baixa.

— O que aconteceu aqui é que tudo isso é culpa sua, Adam. — meu indicador toca o seu peito e a minha voz consegue passar toda a raiva que eu estou sentindo. — Você foi um filho da puta pelo que fez com a Yuna, foi um filho da puta por ter me usado e usado o Nicholas, e pior ainda, você foi um filho da puta por ter destruído a nossa amizade com esse desafio ridículo. — eu o empurro antes mesmo de esperar respostas. — E eu só não quebro a sua cara agora mesmo, porque eu tenho um campeonato de futebol para ganhar e um nariz para lavar, mas não faltarão oportunidades, e você está avisado.

Ele tenta reivindicar, ele tenta vim atrás de mim, argumentando, me xingando e pedindo para eu partir pra cima, mas eu já estou cansado demais para continuar brigando.

LORENZO

Eu realmente não sei o que fazer. Houve uma briga, e eu não sei o que fazer. O Nicholas está sentado na minha frente, com a cabeça abaixada e uma das mãos machucada, sangrando.

— Nicholas. — eu chamo após me abaixar e toca-lo no ombro. — Eles já foram, você não precisa ficar aqui.

Eu não estava entendendo absolutamente nada. Após a demora do Nicholas, eu fui procurá-lo no vestiário e alguns garotos do time, incluindo o Adam, disseram-me que ele estava do lado de fora, que havia brigado com o Derek e dado-lhe um soco no nariz, ninguém soube ao certo o motivo.

— O que está acontecendo? Você não precisa esconder isso de mim, somos amigos. — eu forço o assunto, nessa situação, continuar com a cabeça cheia é um terrível problema, ele precisa levantar, ele precisa caminhar e esquecer o que aconteceu, e eu não vou permitir que ele se afunde por tamanha besteira. — Você quer voltar lá pra dentro?

Ele finalmente olha em meus olhos, as lágrimas estão escorrendo por sua bochecha, e eu me adianto para limpa-las, uma por uma.

— Me leve para qualquer lugar, Lorenzo. — ele pede. — Qualquer lugar que seja longe o suficiente daqui, pelo menos por essa noite. Eu posso enfrentar tudo amanhã pela manhã, mas hoje eu só quero sumir.

O seu pedido é uma ordem, e eu sei um ótimo lugar para ficarmos. É o um dos meus locais de escape, e vamos precisar caminhar bastante para chegarmos lá, por sorte o Nicholas não se importa com isso, e a caminhada é feita em silêncio, sem nenhum tipo de perguntas.

Me atrevo a dizer que caminhamos por quarenta e cinco minutos ou um pouco mais, e então estamos em frente a minha casa. Ele continua sem dizer nada, e eu sei que o seu coração está terrivelmente partido, isso ele deixa bem visível. Tenho vontade de abraçá-lo e de poupá-lo da dor, mas as vezes é necessário senti-la para só depois melhorar.

— Vamos lavar essa mão. — eu quebro o gelo após passar pelo portão com ele que novamente não me responde nada. — E depois, vamos pegar algumas besteiras para comer.

— Eu ainda não entendi porque você está sendo tão legal comigo. — ele diz após entrarmos em minha casa e eu aproveito que estamos ali para tirar a minha jaqueta de couro e jogá-la sobre o sofá, eu sempre a uso porque foi um presente do meu pai, e o meu pai sempre foi tudo para mim.

— Porque somos amigos, Nicholas. — eu esboço um sorriso de canto. — E embora talvez eu queira ser mais do que isso, eu sempre irei te apoiar em suas decisões. — eu me aproximo mais, puxando-o para um abraço que ele não recusa, me apertando de uma forma boa e relaxante.

Eu apoio meu queixo sobre sua cabeça e até puxo o ar, o cheiro de morango exala dos seus cabelos bagunçados, e eu tenho a vontade de grudá-lo em mim para sempre, assim ele não iria embora quando amanhecesse ou logo depois.

— O que estava acontecendo ali? — eu pergunto baixinho, ainda abraçando ele que permanece com a cabeça enfiada contra o meu peitoral e as mãos apertando as minhas costas. — Você realmente deu um soco no nariz do seu amigo?

Ele concorda com a cabeça.

— Eu não tenho ninguém. — ele responde. — Por causa do Adam, eu perdi o Derek. — seu abraço fica mais forte. — A gente nunca deveria ter avançado e agora eu sei disso porque o meu coração está doendo, sangrando, se rompendo e se reconstruindo novamente só para cair em cacos outra vez.— agora é ele quem puxa o ar. — Eu não perdi um amigo ou namorado, Lorenzo, eu perdi um irmão.

Depois do Ritual (Romance Gay)Leia esta história GRATUITAMENTE!