CINQUENTA E SETE PARTE DOIS: DEREK

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Por minha culpa, todo o time se atrasou para entrar em campo. Eu estava em um misto de ódio, dor e felicidade. O ódio era causado pelo Adam, a dor física e sentimental, pelo Nicholas, e a felicidade era por saber que ali, entre muitos homens importantes, estava um empresário com o intuito de escolher os três melhores do time para tentar investir em uma carreira no esporte.

Enquanto eu lavava o meu rosto várias e várias vezes e sentia aquele arder que queimava a minha alma como se eu estivesse pegando fogo no inferno, o Adam entrou no vestiário para me desafiar uma outra vez, mencionando o quando a Yuna gostava de transar com ele e o quanto o Nicholas adoraria fazer o mesmo, e que até tentaria uma amizade com ele porque seria fácil o suficiente roubá-lo de mim como fez com a Yuna.

Preciso admitir que apertar a pia com força não foi o suficiente, porque logo após que ele saiu — sabendo que não teria efeito nenhum aquelas provocações. —, eu soquei a parede com força, e assim a minha mão estava sangrando também, como a dele, a do Nicholas.

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— Puta merda. — Bryce diz, do meu lado. — Ele realmente fodeu com o seu nariz, tem certeza que você está bem para correr nesse campo e marcar alguns gols? Você pode sair se quiser. — ele está do meu lado, e sussurra isso em voz baixa enquanto os refletores do estádio estão ligados, focados em nós todos.

— Eu estou ótimo, Bryce. — esfrego minhas mãos no shorts azul do time. — Eu nunca estive melhor, e se eu for um dos escolhidos por esse tal empresário, eu estarei melhor ainda. — eu olho rapidamente para ele, e então eu pisco enquanto o diretor fala pelo microfone com a multidão que está em silêncio na arquibancada.

— Essa é uma noite muito importante, o jogo entre a ZaCo Beach e a Legacy é um evento que realizamos todos os anos, mas dessa vez temos um alguém especial assistindo esse espetáculo, estamos aqui com o Bernardo Mousequi. — ele apresenta o rapaz, deve estar na casa dos seus trinta e nove anos. É alto demais, tem a pele clara com a barba por fazer e os cabelos negros e lisos penteados para trás. Usa um terno acinzentado e segura um microfone em mãos.

— Antes de tudo, eu quero desejar uma boa noite para todos que estão aqui e boa sorte para ambos os times. Eu me chamo Bernardo Mousequi, estou aqui para observar vocês durante o jogo e.. — ele faz uma pausa. — Caso alguém me chame à atenção, o diretor ficará encarregado de encaminhar a pessoa até o meu escritório provisório aqui na cidade, eu tenho buscado bons jovens profissionais, e algum de vocês. — ele aponta para nós com indicador. —, pode ser essa pessoa, portanto, joguem pra valer hoje.

Após o falatório e os aplausos e gritos da platéia, o primeiro tempo começa. E eu sou um dos atacantes. Meu coração está a todo vapor, eu preciso disso. É o meu sonho, eu quero me tornar um bom jogador assim como eu sempre desejei ir para a Fallwour com o Nicholas, é o meu sonho.

O primeiro gol acontece quinze minutos depois, e ele é da Legacy. Rapidamente eles pulam uns em cima dos outros, é um cardume de garotos vestidos de vermelho e amarelo. Na arquibancada, as pessoas gritam em aprovação.

— Vamos, Derek. — Johnny me cutuca com o cotovelo enquanto a gente se prepara para dar continuidade ao jogo, eu estou tão aflito, e o suor logo começa a escorrer por minha testa, até esqueço o nariz dolorido enquanto corro e faço os passes de bola com um único objetivo, marcar alguns gols.

Mais cinco minutos, ou dois, ou três.

Eu deixo de pensar no tempo, apenas jogo. E então o primeiro gol acontece, é do Bryce.

E novamente a multidão de pessoas na arquibancada gritam em aprovação, eu tento procurar por meus pais ou pelos pais da Yuna, mas eu não consigo encontrá-los e ela não está aqui, está depressiva demais para sair do seu quarto, e eu prometi retornar para lá assim que o jogo acabasse. Tem sido sempre assim, eu e ela, todos os dias.

Depois do Ritual (Romance Gay)Leia esta história GRATUITAMENTE!