— Não podíamos ter mais orgulho por deixar o futuro da Teikou em suas mãos! — Ninguém no vestiário podia conter as lágrimas agora. Até o treinador não podia manter a postura mais. — Obrigado por tudo até agora!

— Capitão... pessoal... — A voz de Taiyou se juntou aos outros em meio aos prantos.

Apesar de ainda terem jogos no segundo semestre, os terceiro-anistas não jogariam mais. Eles iriam parar com as atividades do clube e focar nos estudos para os exames de ensino médio a partir de amanhã. O time de futebol de Teikou perderia quase metade dos seus jogadores principais. Mas essa perda não era o motivo das lágrimas.

Taiyou e os outros que ficariam precisavam se despedir dos veteranos que os ajudaram e apoiaram por meio ano. Quantas vezes eles nos inspiraram? Quantas vezes eles continuaram treinando enquanto estávamos exaustos? Sem eles... viraremos o quê? Sem eles, nós...

O garoto olhou para o chão. Sabia que isso viria. Todos sabiam. Era inevitável. Acabaria em algum momento. Embora eles tivessem se preparado até algum ponto, não estavam nem um pouco prontos. Tivemos sorte... os veteranos precisou passar pelo mesmo muito mais cedo ano passado...

Taiyou mal se lembrava do que aconteceu depois. O treinador e o capitão disse algo sobre o campeonato de inverno. Sim... vamos continuar. Vamos jogar de novo... sem eles. Era óbvio. O garoto já tinha experimentado aquilo em sua última escola. Nós vamos... mostrar a eles que podemos continuar... pra que possam se formar com orgulho de nós.

Depois do treinador dizer mais algumas coisas sobre o próximo treino, todos se juntaram em pequenos grupos, segundo as posições no clube. O capitão deu algumas palavras encorajadoras aos atacantes. Os três meio-campistas dos veteranos disseram algo sobre não estarem preocupados porque estavam em boas mãos.

— Você quer dizer pés, né — disse alguém, tirando algumas risadas fracas.

Taiyou ficou sozinho em um canto, esperando pelo único outro lateral esquerdo, o terceiro anista, viessem falar com ele.

— Fuyuzora — chamou o garoto com voz cansada. Ele não era alto, mas, para Taiyou, suas habilidades era uma força a ser reconhecida em campo. — Eu posso falar de muita coisa, mas conhecendo você, já deve saber disso tudo. Você vai ser um dos titulares a partir de agora. A responsabilidade pode ser demais no começo, mas acredito que não teremos problema com você. — O terceiro anista mostrou um sorriso forçado, qual tinha a função de esconder suas lágrimas.

Pouco a pouco, todos saíram do vestiário. Taiyou foi um dos últimos.

Tsukiko esperava por ele do lado de fora com um sorriso gentil. Ele foi até ela, mas mal escutou o que ela dizia enquanto caminhava ao lado da garota. Ele aceitou seu convite para jantarem, embora sabia que não tinha como ele ser uma boa companhia no momento.

Mas ele estava em com ela, de todo jeito, porque ele simplesmente gostava de estar ao lado dela. Porém, ele arruinou tudo. Tentou manter seus sentimentos para si, mas, quando escutou ela falar do Kobayashi, não podia manter a tristeza dentro de si mais.

Nunca mais vamos jogar juntos, pensou ele enquanto as costas de Tsukiko ficaram menores até desaparecerem. Tudo acabou em um segundo, com só uma jogada... se eu tivesse parado o Kobayashi na jogada anterior... eles não teriam aquele lateral, muito menos o escanteio e jamais teriam feito o gol... Não foi culpa minha... Eu sei disso, mas se eu tivesse parado ele naquela hora...

Taiyou sentou no banco da praça por um bom tempo. Embora suas roupas já estivessem encharcadas, ele esperou a chuva parar. Cada brisa era gelada e o fazia tremer, mas ele não ligava. Sua cabeça estava vazia demais para se importar com essas coisas.

Por que ela precisava dizer essas coisas? Por que... eu sei que ela não fez por mal, mas não existe "jogar de novo" com aquele time... esse foi o fim... Suas lágrimas se misturaram com a água caindo em seu rosto novamente. Ele não as limpou; não fazia diferença.

Quando a chuva diminuiu, ele se forçou a levantar e ir para casa. Embora fosse muito mais rápido, ele não pegou o trem ou o ônibus. Apesar das pernas exaustas, ele queria pegar o caminho mais longo para casa. Talvez vá me acalmar um pouco. Mas era mais difícil do que pensou. Nunca pensei que eu poderia ficar com tanta raiva... especialmente da Tsukiko...

Ele parou na frente do prédio. Será que ela já voltou? Pensou. Mas, quando a dor em seu peito veio, ele não tinha ideia se queria vê-la agora. Podia sentir a raiva dentro de si, mas, mesmo assim, ela era sua amiga. Não... ela é mais do que uma amiga... Ela disse aquilo... Mas como posso ficar com raiva dela quando gosto dela. Não, eu... mesmo em sua mente, ele não conseguia admitir que amava ela.

Arrependimento o preencheu enquanto pensava em Tsukiko, quem sempre sorria para ele, chorando. Tudo que Taiyou queria era se desculpar. Ela diria o mesmo, e tudo voltaria ao normal. Sim... vai ficar tudo bem quando eu me desculpar. Devo ser homem e tomar a iniciativa. Eu não posso simplesmente esperar ela vir...

Quando a porta do elevador se abriu e ele caminhou no corredor, percebeu que não estava sozinho. Quando ergueu a cabeça, viu alguém parado na porta do apartamento antes do seu. Reconheceu a garota na mesma hora.

Tsukiko! Seu coração bateu mais rápido enquanto caminhava até ela. Mas, quando ela escutou seus passos, virou a cabeça. Quando a garota olhou para ele e seus olhos se encontraram, ela desviou o olhar com uma expressão estranha.

O garoto sentiu a pontada no coração de novo. Por que... por que você está fazendo essa cara, Tsukiko? Eu vou pedir desculpas, por isso, por favor, olhe pra mim. Está se sentindo mal pelo que fiz? Não tem problema. Eu estava errado. Por favor, me deixe pedir desculpas, pensou, parando no corredor.

Taiyou se sentia frio, e não tinha relação com suas roupas encharcadas. Ótimo, pensou, com uma ferocidade que nunca pensou ter em si. Ele conteve as lágrimas e passou por ela sem dizer nada, pegando as chaves do bolso. Quando escutou um choro fraco vindo de suas costas, Taiyou hesitou, as chaves escorregando pelos seus dedos. Ele se inclinou para pegá-las.

— Me desculpe — sussurrou ela em voz tão baixa que quase foi abafada pelo som da chuva.

Ele hesitou no meio do caminho até o chão. A raiva e alívio passaram por ele enquanto pegava as chaves. Ele ficou parado sem ideia do que dizer. Queria gritar seu pedido de desculpas e, ao mesmo tempo, gritar de raiva com ela.

Mas quando Taiyou viu as lágrimas nos olhos dela, esqueceu de tudo. Ele não engoliu sua raiva, nem a conteve. Apenas deixou ir embora enquanto olhava para a garota que amava chorando.

Tsukiko segurou a camisa dele e encostou a cabeça no peito dele, deixando todas as lágrimas caírem nele.

— Me desculpe — sussurrou ela de novo.

— Me desculpe também — disse Taiyou, acariciando o topo da cabeça dela sem jeito. Isso a fez chorar ainda mais.

Em vez de falar, tudo que Taiyou fez foi abraçar Tsukiko enquanto ela chorava até se acalmar.

Tsukiko-chan e Taiyou-kunLeia esta história GRATUITAMENTE!