Capítulo 1 - Garras, dentes e favores

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Dezessete anos depois

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Dezessete anos depois...

Kol deu uma boa olhada no bar do outro lado da rua. Era como qualquer outro bar de motociclistas do Bronx, mas sabia que seu alvo estava ali. Seu olfato não o enganava.

Colocando as mãos nos bolsos da jaqueta atravessou a rua a passos largos e entrou no lugar, indo direto para o balcão onde pediu uma cerveja ao bartender. Um sujeito magrelo com cara de cadáver. No seu braço direito o homem tinha uma tatuagem onde se lia "Matador". Aquilo fez Kol rir internamente. Claro que sim, amigo. Claro que sim.

O lugar não estava muito cheio, mas ainda era cedo para os bohemios, o relógio na parede do bar marcava que faltavam poucos minutos para as oito da noite.

Ele vinha investigando a algum tempo, para um amigo na polícia de Nova York, o caso de moradores de rua que estavam desaparecendo na região do central Park e nos casos em que encontrara os corpos desovados no rio Hudson, ficava claro que eles tinham sido atacados por algum tipo de animal selvagem.

Claro, esse não era o caso mais típico que um detetive de polícia encarava em uma cidade grande e apesar dos investigadores estarem estudando a possibilidade de algum animal perigoso ter escapado recentemente do zoológico, eles ainda estavam bem longe da verdade.

Kol não podia culpar os caras, seria no mínimo estranho terem um ataque de lobisomem incluso em sua lista de hipóteses logo de cara.

No fim daquela tarde ele tinha investigado mais um corpo e finalmente conseguira pegar um rastro que o levou até aquele lugar.

Ele tomou um gole de sua cerveja e inalou bem o ar do ambiente. O cheiro de cigarro e suor dos homens e perfume barato das garotas que estavam na mesa de sinuca invadiu seu nariz.

E então um cheiro diferente se juntou a esses, um cheiro forte e característico, como terra e vegetação selvagem. Todo Wulfenkind, mesmo em forma humana tinha um pouco desse aroma, era como se a natureza fizesse parte de sua essência.

E era o cheiro que vinha de uma das portas dos banheiros dali.

Kol vigiou até sua presa sair de lá.

Era um sujeito grande, barba mal feita e grossos cabelos castanhos de aspecto sujo. A camisa de flanela tinha um colarinho bem aberto, revelando um peitoral coberto de pelos, assim como seus braços. Todos ali olharam para o barbudo quando saiu do banheiro e logo desviaram o olhar. Eles conseguem sentir o lado animal dele. Podem não entender, mas o instinto não se engana.

Os Wulfenkind eram metamorfos, eles tinham uma existência dividida em duas formas, homem e lobo.

Os primeiros da raça não passavam de homens selvagens que se transformavam em lobos sedentos por sangue, mas isso mudou quando o deus nórdico Loki os ensinou a adquirir o controle sobre sua transformação.

Foi o deus asgardiano quem ensinou o que os Wulfenkind chamavam de "O equilíbrio". Este controle entre suas duas formas era uma coisa que ficava a cargo de cada um e aquele ali claramente tinha escolhido deixar seu lado animal ser o aspecto dominante. Desauridos, lobos descontrolados, violentos e com um gosto particular por sangue.

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