Capítulo 3

1.5K 104 40

Catherine se debruçou sobre a penteadeira e bocejou. A tarde estava sendo tediosa. Uma das coisas ruins de ter se tornado uma lady era ela não tinha muito o que fazer além de servir o rei quando ele a chamava em seus aposentos.

Não por ser muito querida não tinha quem a chamasse para tomar um chá da tarde e fofocar. Riu ao pensar que muitas das fofocas deveriam ser sobre ela.

Suspirou ao bater com as unhas contra a madeira da penteadeira. Talvez fosse até Merriam oferecer ajuda. Passar um tempo com a modista seria bom, a manteria ocupada e aprenderia um ofício.

- Milady? – A criada entrou no quarto.

Catherine se virou, balançando os cabelos negros no ar, e a encarou.

- Sim.

- O rei mandou entregar-lhe. - Diana estendeu uma caixa de veludo à sua senhora.

Catherine passou os dedos pelo revestimento macio antes de puxar a caixa para si.

- Ele disse que quer vê-la usando no baile desta noite.

A cortesã abriu a caixa e respirou fundo ao ver o colar que estava ali. Pérolas e diamantes, assim como se lembrava do sonho. Engoliu em seco e colocou a caixa sobre a penteadeira.

Diana viu os olhos verdes-pantanosos de Catherine se arregalarem em um misto de surpresa e choque, mas o sorriso pelo qual esperava, não surgiu nos lábios vermelhos da dama.

- Não gostou, milady? Eu achei tão lindo. Além disso, deve valer uma pequena fortuna.

- Sim, é lindo! – Catherine forçou um sorriso.

- Pro favor, Diana, prepare meu banho.

- Outro banho? Mas está frio.

- Sim, outro banho. Use essência de rosas quero estar perfumada.

- Como desejar, lady Catherine. – A criada se curvou antes de sair do quarto em busca de água quente.

Diana gostava da senhora que servia. Apesar das más línguas endiabrarem a pobre mulher, a dama era bem gentil. Condenavam a posição que Catherine ocupava, mas Diana sabia que assim como ela, todas as mulheres que difamavam a cortesã do rei desejavam o lugar que ela ocupava.

Catherine se aproximou da lareira que ocupava quase toda uma parede. Estava cálido e acolhedor aquele canto do quarto. Esperava que naquele noite, Frederick a convidasse aos seus aposentos as noites eram mais calorosas nos braços do rei.

Ela não o amava, de forma alguma, tinha ciência de que nada nunca passaria da condição em que estava. Apesar de Frederick ter amado sua antiga amante Anne, Catherine não suspirava com tal tola expectativa e manter-se assim a deixava mais feliz.

- O banho está pronto. Caprichei nas essências e se permite-me, lavarei seus cabelos. Será a dama mais perfumada do baile.

- Obrigada, Diana.

Catherine sorriu ao caminhar até o banheiro.

A lady caminhou pelo corredor que a levava até o salão principal. A luz amarelada emitida pelas velas nos belos lustres de cristal, fazia cintilar o colar de pérolas e diamantes que pesava sobre seu busto. Com o mesmo vestido de seu sonho feito de seda e veludo num um tom perolado, e bordado com florais feitos de fios de prata. Sentiu a mesma sensação de ter a máscara cobrindo seu rosto, amarrada com um laço de seda atrás da cabeça amassando um pouco os cabelos negros.

Peder estava conversando com o Marquês de Winterthur, rindo sobre o caso de um cavalo selvagem que o nobre tentara domar quando viu uma bela dama entrar sozinha no salão lotado com nobres dinamarqueses e diplomatas. Ele parou de rir, pois a visão o deixou sem ar. Mal se deu conta de estar apertando a taça de prata em suas mãos.

A cortesã do rei ( Degustação)Leia esta história GRATUITAMENTE!